Unidos da Tijuca celebra resistência dos povos indígenas | Diário do Porto


Carnaval 2022

Unidos da Tijuca celebra resistência dos povos indígenas

A lenda do guaraná foi escolhida pela Unidos da Tijuca para levar ao Sambódromo um grito de resistência pelos povos indígenas, os donos da terra

11 de abril de 2022

Ensaio técnico da Unidos da Tijuca: índios vão tomar o Sambódromo em 2022 (Rafael Catarcione/Riotur)

Compartilhe essa notícia:


No imaginário popular, que é o que importa no Carnaval, as sementes de guaraná são os olhos de um indiozinho que foi mordido por uma serpente quando procurava frutos na floresta. E esta é a bela lenda que a Unidos da Tijuca transformará em festa grandiosa este ano no Sambódromo.

O enredo “Waranã – A reexistência vermelha”, desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos, é sobre ciclos, descendências e resistência dos povos indígenas, mas, principalmente, sobre sua importância. O desfile começa no paraíso do povo Sateré-mawé, considerado guardião do guaraná.

Para Jack, é importante passar a mensagem de que a luta dos povos indígenas continua, que eles estão vivos, na ativa, e não cristalizados na imagem montada pela cultura branca. O enredo, portanto, é uma manifestação pela autonomia dos povos da floresta, donos originais da terra.

‘Sonhos delirantes’ da Unidos da Tijuca

A Unidos da Tijuca é uma das mais antigas escolas de samba do Rio, com uma fusão de blocos dos morros da Casa Branca, Formiga e Ilha dos Velhacos, em 1931. Venceu seu primeiro carnaval quando tinha cinco anos, em 1936, com o enredo “Sonhos Delirantes”. Depois disso, só voltou à consagração 74 anos depois, em 2010, com a explosão criativa do carnavalesco Paulo Barros no enredo “É Segredo”.

Dois anos depois, nova consagração com Paulo Barros e o enredo “O dia em que toda a realeza desembarcou na Avenida para coroar o Rei Luiz do Sertão”. A escola recebeu nota máxima de todos os jurados em três quesitos: Comissão de Frente, Harmonia e Mestre-Sala e Porta-Bandeira. Mais dois anos e nova conquista, em 2014, com “Acelera, Tijuca“, enredo de Paulo Barros em homenagem a Ayrton Senna.

9º lugar em 2020

Em 2020 a escola apresentou o enredo “Onde moram os sonhos“, com a arquitetura e as belezas naturais da cidade do Rio de Janeiro. Depois de seis anos, o carnavalesco Paulo Barros retornou prometendo surpresas, mas a Tijuca acabou em nono lugar.

Veja a letra do samba 2022. Para cantar junto, Ouça aqui

Waranã – A reexistência vermelha

Composição: Anderson Benson / Eduardo Medrado / Kleber Rodrigues

 

Alto céu

De Tupana e Yurupari

Duas forças que vão fluir

A energia de Monã

Que equilibra o bem e o mal

 

Um lugar onde as pedras podiam falar

Onde irmãos desfrutavam

A beleza singular

Anhyã, bela e habilidosa

Mas a cobra ardilosa usa a flor pra lhe tocar

 

E nasce Kahu’ê o Curumim

De olhos alegres sempre assim

Presença tão breve

A ingenuidade sucumbe à maldade

 

Renasce Kahu’ê o Curumim

Seus olhos alegres não têm fim

Pois o bem é maior, vai reexistir

 

Vida ligeira, passageira

Plantada no solo da pura emoção

De pele vermelha, os frutos de uma nação

Vida inocente, vira semente

E ao som de uma ave a cantar

 

Floresce imponente o povo do guaraná

E se a cobiça e o fogo chegarem na aldeia

Deixa a força Mawé ressurgir

E sorrir quando o Sol reluzir

Nesse dia eles vão temer

E o amor vai vencer

 

Erê, essa mata é sua

Erê, vem provar doce mel

Waranã da Tijuca

Vem brincar no Borel


/