União ajuda Prefeitura a trazer 806 respiradores da China | Diário do Porto


Saúde

União ajuda Prefeitura a trazer 806 respiradores da China

Aviões da Latam vão trazer 190 toneladas de equipamentos da China, mas farão rotas alternativas para evitar que governos da Europa e dos EUA roubem a carga

14 de abril de 2020

Voos trazendo respiradores devem evitar países da Europa e EUA (Deposit Photos)

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A Prefeitura do Rio e o Governo Federal fecharam acordo, nesta terça-feira, 14, para que 190 toneladas de equipamentos médicos adquiridos com a China sejam trazidos ao Rio de Janeiro por aviões cedidos pela Latam. Dentre os equipamentos que serão entregues, estão 806 respiradores e 450 carrinhos de anestesia, que também possuem respiradores. Esses equipamentos foram comprados pela Prefeitura em 2019 para renovar as unidades de saúde, antes da crise do coronavírus. Atualmente são os equipamentos mais procurados do mundo.

Além dos respiradores serão recebidos tomógrafos, aparelhos de radiografias digitais, aparelhos de ultrassonografia e eletrocardiograma. Também serão entregues EPI’s como máscaras, óculos e outros itens.

Segundo o prefeito Marcelo Crivella, as compras foram mais vantajosas por terem sido realizadas antes da pandemia do coronavírus. Os valores foram mais baixos e o pagamento será feito em prestações. “Pagamos por respirador 12 mil dólares, cerca de R$ 40 mil. Na ocasião, o dólar estava mais em conta. Hoje, um respirador é vendido por R$ 200 mil, e há um detalhe: paguei em prestações, durante cinco anos, não paguei à vista, como hoje estão praticamente exigindo”, relata Crivella.

A intervenção do governo federal nas compras com a China é essencial, já que as compras estão sendo retidas nos aeroportos de países com a mesma necessidade dos equipamentos médicos. “Os chineses, de quem fizemos a compra, nos disseram que, quando os aviões chegam à Europa e aos Estados Unidos, esse tipo de material fica por lá. Os governos dos países arrestam a carga por necessidade e a gente ia perder tudo”, explica o prefeito.


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Os produtos trazidos da China não serão somente os adquiridos pelo Rio de janeiro, mas de todo o país com compras do Ministério da Saúde. Serão 960 toneladas de produtos no total, e levará entre 6 a 9 semanas para trazer todos. Os aviões que farão a viagem foram cedidos pela Latam e, nesta primeira viagem, partem de Abu Dahbi, onde estão em manutenção, para a China na quarta-feira, 15. A rota proposta para trazer os produtos passará por Doha, no Qatar, para abastecer e chegará ao Brasil na próxima terça-feira, 21. Este deslocamento será custeado pelas Lojas Americanas, como doação ao governo. Cada quilo transportado custará U$ 13 dólares, e o custo total para trazer as primeiras 53 toneladas será de, aproximadamente, R$ 5 milhões.

Os aviões contratados, entretanto, são de passageiros, e não cargueiros. Dessa forma, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) precisou autorizar o embarque das mercadorias no porão do avião e na cabine. As próximas viagens ainda não tem rota definida, mas o Ministério da Infraestrutura pretende evitar a Europa e Estados Unidos por receio de terem a carga confiscada. Rotas pela Nova Zelândia ou África e Oriente Médio estão sendo estudadas.

As compras realizadas pelo Rio serão recebidas em 2 lotes. O primeiro, com 111 toneladas de produtos, tem previsão para chegada em 27 de abril. O segundo, com o restante dos produtos, chegará 1 mês depois, 27 de maio. Os aviões deixarão a carga no aeroporto de Guarulhos e o traslado pelo espaço aéreo brasileiro para distribuição aos estados será realizado pela FAB (Força Aérea Brasileira). Por terra os caminhões transportarão as mercadorias e contarão com escolta militar.

O prefeito voltou a alertar sobre o risco de aglomerações e que a população deve seguir as orientações do Ministério da Saúde. “Classificamos de aglomeração a reunião de duas ou mais pessoas, em uma distância menor de dois metros. O contágio ocorre nesse momento”, insistiu Crivella.


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