Uma política séria: fim da linha para Boris Johnson | Diário do Porto


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Uma política séria: fim da linha para Boris Johnson

Neste artigo, o jornalista Marcio Vieira faz uma análise da renúncia do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e a importância da honestidade na vida pública.

7 de julho de 2022

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson (Foto: Gov.Uk)

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                                                                    MARCIO VIEIRA*

Escândalos sexuais viram matéria e chamam a atenção pública em qualquer lugar do mundo. No entanto, em alguns países são, definitivamente, levados realmente a sério mais do que em outros. Abaixo da linha do Equador, infelizmente, em grande parte, as histórias que envolvem políticos ou pessoas públicas são motivo de chacota e até de elogios por uma parte machista da população.

Escrevo isso, para fazer um paralelo com o ex-primeiro britânico Boris Johnson, que renunciou nesta quinta-feira (07/07) à liderança do Partido Conservador e, por consequência, deixará o cargo de primeiro-ministro. Ele fica como interino até que um novo premiê seja escolhido.

Ele não estava envolvido em caso de corrupção, não fez piadas misóginas ou homofóbicas, não empregou nenhum parente no Parlamento, mas por não dizer a verdade sobre a vida íntima de Chris Pincher, o parlamentar acusado de apalpar dois homens em um clube privado de Londres, e que Boris nomeou como vice-líder do governo no Parlamento.

Boris havia dito não saber de nada das denúncias de abuso sexual quando o promoveu, mas foi revelado que ele já tinha conhecimento do caso desde 2019. O premiê recebeu fortes críticas de aliados pela mentira, e houve uma debandada de mais de 40 integrantes de seu governo nos últimos dias, incluindo assessores e ministros.


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Fico imaginando um caso desses aqui no Brasil. Claramente, haveria várias divergências em grupos distintos da sociedade. Uns diriam que a vida privada de um político somente a ele interessa – algo inimaginável no nosso país, um político renunciar devido a um caso extraconjugal – outros diriam que a razão da renúncia é o fato de Chris Pincher ter apalpado homens e não mulheres e várias outras razões dependendo do segmento de determinados grupos no país.

O fato é que dizer a verdade é obrigatório para todo e qualquer homem público em qualquer país do mundo. E mentir foi o grande erro de Boris Johnson. Acredito que sirva de lição para todos nós eleitores na hora de irmos às urnas em outubro.

*Marcio Vieira é jornalista, tem especialização em inglês em Cambridge, e em História da Arte e Economia pela Universidade de Londres, no Reino Unido.


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