Um recordista tipicamente brasileiro | Diário do Porto


Nas esquinas de Tóquio

Um recordista tipicamente brasileiro

Com as três medalhas de hoje, Daniel Dias aumenta seu recorde e se consolida como maior medalhista brasileiro de todos os tempos no olímpico e paralímpico

26 de agosto de 2021

Com Daniel Dias, time de revezamento misto leva bronze em Tóquio (Ale Cabral/CPB.)

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Nas esquinas de Tóquio

Vicente Dattoli

Sem essa de chamá-lo de Michael Phelps dos trópicos. Talvez a quantidade de medalhas conquistadas em Jogos Para ou Olímpicos até leve a essa fácil comparação, mas não é assim que a banda toca. Estou falando, claro, do brasileiro Daniel Dias, o Danielzinho, que infelizmente está se despedindo das piscinas paralímpicas agora em Tóquio – a razão, principal, é a reclassificação funcional feita e que, segundo ele, provoca prejuízos e injustiças.

Como não é de ficar calado, Danielzinho já disse que irá falar tudo o que tem a dizer sobre o tema após os Jogos. Agora, é concentração total para faturar mais e mais medalhas. Bem… Danielzinho faturou mais duas medalhas de bronze nas piscinas de Tóquio e agora soma, nada mais, nada menos, do que 27 – isso mesmo, 27, quase três dezenas – conquistas em Jogos Paralímpicos (só para não fugir da comparação inicial, Phelps aposentou-se com 28 medalhas olímpicas). O maior nadador brasileiro em competições internacionais. Sejam elas olímpicas ou paralímpicas

Depois de duas medalhas individuais, Daniel foi compor a equipe do revezamento misto 4x50m livre. A prova possui a curiosidade de que, os participantes de cada equipe, devem “somar” 20 pontos nas suas avaliações classificatórias. Nas eliminatórias, Daniel não participou – e o Brasil passou com o sétimo tempo.

Na final, com 2min24s82, a equipe brasileira ficou com o terceiro lugar, atrás da China (ouro e recorde mundial com 2min15s49) e da Itália (2min21s45). Levaram o bronze, junto com Daniel, Patrícia Pereira dos Santos, Joana Maria e Talisson Glock.


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Brasileiros medalhados

Em dois dias de Paralimpíada, a natação brasileira ganhou seis medalhas, três com Daniel (incluindo a do revezamento, também foi bronze nos 100m e 200m livre). Mas não é só da natação que vive nosso quadro de medalhas, não. A esgrima e o hipismo ajudaram a inflar nossas conquistas. E com duas pratas.

Rodolpho Riskalla entrou para  a história ao conquistar a primeira medalha do Brasil no adestramento paralímpico. No conjunto com Don Enrico, e com a trilha sonora de Beyoncé e da Aquarela Brasileira, Riskalla só perdeu o ouro para a holandesa Sanne Voets (que já fora campeã do mundo, com o brasileiro em segundo, em 2018). Um grande resultado.

Como gigantesco também foi o feito de Jovane Guissone, ao ficar em segundo lugar na competição de espada, perdendo apenas para o russo Alexander Kuzyokov. É a segunda medalha paralímpica de Jovane, que fora ouro em Londres, em 2012. No Golbol (estou aportuguesando, sim), infelizmente, a seleção masculina bicampeã mundial não repetiu a grande atuação da estreia, quando bateu a Lituânia, atual campeã paralímpica, e perdeu para os Estados  Unidos por 8 a 6.

Apesar da derrota, ainda temos boas chances de classificar e lutar por uma medalha. Vamos torcer.


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