Negócio com foco em estudantes e famílias que frequentam o porto | Diário do Porto

Empreendedorismo

Negócio com foco em estudantes e famílias que frequentam o porto

Professor universitário aposentado, Luiz Moraes oferece opções acessíveis ao público estudantil em seu Cristóvão Café & Bistrô no Museu de Arte do Rio (MAR)

17 de setembro de 2018




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Por Rosayne Macedo (texto e fotos)

Professor universitário aposentado, Luiz Moraes(foto) levou para o Museu de Arte do Riosua preocupação em ajudar a inserir estudantes no universo cultural. Dono do Cristóvão Café & Bistrô, instalado no andar térreo do MAR, lançou um cardápio com pratos mais acessíveis a esse público estudantil, além de mais agradável ao paladar de crianças e adolescentes.

“Temos um kit para estudantes da rede pública, com um salgado e um refrigerante”, conta o professor, que se tornou chef e também empresário após se aposentar da Faperj. Além do bistrô no MAR, ele comanda o restaurante de mesmo nome criado em 2010 no bairro imperial de São Cristóvão, próximo do Observatório Nacional, e uma operação dentro desta instituição.

“Fazia isso também no Mast, onde dava 30% de desconto aos estudantes”, lembra ele, sobre o tempo em que comandou uma operação gastronômica dentro do Museu de Astronomia e Ciências Afins, em São Cristóvão. Casado com uma professora federal, Moraes tem um propósito de vida que leva para sua vida de empresário: “Não preciso ganhar, mas não posso perder. Ou me divirto ou ganho bastante dinheiro”, conta ele ao DIÁRIO DO PORTO.

Pratos mais saudáveis

Atendido pelo projeto Sebrae no Porto desde 2013, o chef e empresário observa uma tendência analisada por especialistas: cada vez mais as famílias estão preocupadas em oferecer alimentação saudável para as crianças. Substituir o arroz branco por integral e incluir peixe, legumes, sucos e saladas de fruta é um dos exemplos.

De olho nesse público, Luiz Moraes investe em um cardápio com opções infantis, um exemplo de oportunidade de negócio voltada para famílias, de acordo com recente relatório de inteligência do Sebrae (veja aqui). No restaurante, os pais podem pedir o prato dos pequenos antes de se servirem. “Sou pai de três. Lembro-me de como era sentar em um restaurante com crianças pequenas e com fome”, justifica.

Os mimos aos pequenos clientes também incluem papeis para desenhar e colorir. Mas tão importante quanto manter atividades para as crianças é garantir infraestrutura que garanta também a satisfação dos adultos, orientam consultores do Sebrae. Por isso, o local serve ainda como ponto de apoio para quem passeia com bebês e precisa esquentar mamadeiras e papinhas.

Cafezinho coado na hora

Inaugurado assim que o MAR iniciou sua operação na Praça Mauá, o Cristovão oferece uma culinária diversificada. Os tradicionais pratos do dia são chamados de ‘Pratos do Chef’. O que seria o “arroz e feijão” do dia a dia ganha uma nova versão na receita, nos ingredientes e na apresentação mais sofisticada. Há ainda opções em pratos leves e saudáveis, veganos e vegetarianos.

O Cristóvão pode ser acessado mesmo por quem não entra no museu. Além de funcionar para almoço, oferece deliciosos quitutes para um farto café da manhã ou lanche da tarde, com bolos, pães especiais, geleias e muito mais. Um diferencial é o cafezinho da casa, preparado com coador na mesa, à frente do cliente – o que faz qualquer freguês espichar o olho na mesa alheia. E o melhor: sem nenhum acréscimo.

Há clientes que batem ponto todo dia, nem que seja para saborear o café passado na hora, acompanhado de deliciosas sobremesas. É grande também o número de turistas estrangeiros que visitam o local – na maioria, franceses, italianos e espanhóis.

Capacitação em gestão de negócios

Engenheiro de comunicações, o pernambucano Luiz Moraes começou a trabalhar aos 19 anos, assessorou o então diretor de Tecnologia da Faperj e se aposentou aos 53. Foi quando decidiu “cair nessa vida”, tornando-se chef e empreendedor aos 54, após fazer um curso de Gastronomia.

Montou um restaurante no Museu de Astronomia, depois no Observatório Nacional e em seguida, na Editora Record, todas localizadas no bairro imperial de São Cristóvão. Também gerenciou o café da Casa Ruy Barbosa, em Botafogo, Zona Sul carioca. “Servia café, almoço, lanche e jantar. Gerenciava, ia para a cozinha, lavava pratos”, lembra.

Sempre em busca de conhecimento, procurou ajuda profissional em sua vida empreendedora. Pelo Sebrae no Porto, o Cristóvão participou de ações como Tour da Experiência no Porto: um 3×4 da Brasilidade, de consultorias individuais em gestão e comunicação estratégica, além de workshops sobre Finanças, Pessoas e Marketing.

“Tenho a cultura acadêmica, de estudar sempre, com a vantagem técnica de aprender rápido, mas o Sebrae me ajudou muito”, conta Moraes, que contou com apoio do programa Sebraetec para a montagem do site da empresa e participou de curso de gestão financeira. Para ele, a participação no projeto Sebrae no Porto também colaborou para aproximar mais de outros empresários da região e se fortalecer.

Diversidade e respeito a leis trabalhistas

O empresário se orgulha de planejar cada novo passo e se assegurar de que tudo pode dar certo, mesmo quando der errado. Para isso, conta que faz seguro de tudo: seguro por perda de receia; seguro por acidente pago por cada funcionário e outros. Também conta com o apoio jurídico de um escritório especializado de advocacia e possui o registro da marca no Instituto de Propriedade Industrial (INPI).

Outra vantagem é se manter rigorosamente atento às leis trabalhistas. “Se registra tudo, se tem tudo documentado, não tem problema”, diz ele, que só teve até hoje duas causas trabalhistas. “Aqui cumprimos todas as leis, num ambiente de respeito e conversa”, garante.

Segundo Moraes, o ‘nó’ na área de alimentação é o elevado número de funcionários ‘móveis’. “Se o movimento cai, a comissão também cai. E aí o funcionário vai para outro trabalho, onde é maltratado, mas ganha um pouco mais”, observa.

Luiz Moraes também se preocupa com a função social do negócio e, além de contratar um funcionário autista, pretende ampliar o acesso a outras pessoas com necessidades especiais. “Queria ter cadeirante, cego, autista… mas não é fácil”, explica, sobre a dificuldade de recrutar e treinar. “Aqui o ambiente é seguro para qualquer gênero, categoria, cor…”, completa.

Medidas para enfrentar a crise

Ao DIÁRIO DO PORTO, Luiz Moraes conta com detalhes como foi o processo de licenciamento para atuar dentro do MAR, inaugurado em 2013 pela ex-presidente Dilma Rousseff. “Participei de uma chamada pública a quatro meses da abertura do Museu. No dia seguinte à inauguração, não tinha nada”, conta ele, que enfrentou alguns percalços para corrigir pequenas imperfeições na fase de obras.

Moraes diz que a crise que atingiu o Rio de Janeiro se refletiu fortemente na Zona Portuária e atingiu o negócio. “Já reduzi o cardápio, os preços e até pessoal, para manter a clientela. Já tive 10 a 11 funcionários e hoje são sete”, ressalta. O movimento caiu nos finais de semana para menos de 50%, mas o horário de almoço durante a semana ainda é forte, com público fiel, especialmente das empresas e escritórios da região.

Além da questão da segurança – “a violência aumentou muito a qualquer hora” -, o empresário se preocupa com a possibilidade de esvaziamento do Porto Maravilha. “Trouxeram um pouco da Lapa para cá. E temo que daqui a pouco os mendigos e moradores de rua cheguem aqui”, diz ele, ao cobrar mais atividades culturais para a região.

Mais turistas para a região

Luiz Moraes acredita que é necessário investir em serviços e pensar em ações que garantam a movimentação constante de turistas na região. “É preciso investir mais na indústria do turismo no município. O conceito de conciliar empregos e moradias com as obras de revitalização da região não avançou”, destaca.

Para ele, uma das saídas poderia ser o investimento em um programa de atividades constante no Museu de Arte do Rio, a exemplo do que acontece no Museu do Amanhã. “O MAR não tem esse atrativo todo, depende muito dos recursos da prefeitura, que vêm diminuindo”, destaca.

Mesmo assim, Luiz Moraes não desiste e planeja continuar inovando até abril de 2019, quando oficialmente deve terminar seu contrato com o MAR. “Sou otimista e penso que em algum momento haverá uma solução. Apesar de agnóstico, sou um homem de fé, que acredita no povo, na gente, nas pessoas”, diz ele.

Cristóvão Café & Bistrô

Endereço: Praça Mauá, 5 – Museu de Arte do Rio (MAR)

Horário: todos os dias, das 9h30 às 18h