Uber sai do Carnaval, e crise abala economia criativa carioca

Uber desiste de patrocinar escolas e diz que não tem mais “nada a declarar”. Mocidade fecha barracão, e desânimo cresce na Cidade do Samba

Mocidade e o tapete voador de 2017: crise ameaça o Carnaval de 2019
Mocidade e o tapete voador de 2017: crise ameaça o Carnaval de 2019 (Sofie Mentens/ Riotur)

Não poderia ser em um momento pior o anúncio da Uber de que não tem mais interesse em patrocinar o Carnaval 2019 do Rio de Janeiro. O martelo foi batido, e o comunicado foi feito nesta quarta-feira a dirigentes da Liesa (Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro), deixando a Cidade do Samba à beira de um ataque de nervos às vésperas do Dia Nacional do Samba.

A Mocidade Independente de Padre Miguel chegou a baixar as portas do barracão, afixando na porta um aviso de que está fechado “em virtude da indefinição relativa ao repasse de verbas por parte da prefeitura” e que estão cancelados os ensaios de rua, as rodas de samba e a participação da escola na festa de lançamento do CD de 2019.

É mais um capítulo da crise financeira que se abateu sobre as escolas de samba do Rio. O problema, que só aumenta, afeta diretamente o ânimo e os empregos do maior centro de produção do Carnaval, a Cidade do Samba, na Gamboa. Atinge também o coração da indústria criativa do Rio de Janeiro, que tem o Porto Maravilha uma referência e um grande potencial de crescimento.

Uber em clima de “nada a declarar”

A desistência foi comunicada pela Uber à Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) nesta quarta-feira. A empresa confirmou a informação ao DIÁRIO DO PORTO, mas se recusou a explicar o motivo. “Não temos mais explicações sobre o assunto”, resumiu a assessoria da Uber.

Deputado Chiquinho da Mangueira
Deputado Chiquinho da Mangueira

O clima de mistério reforça a informação que circula na Riotur de que a prisão do deputado estadual Chiquinho da Mangueira, presidente da Verde e Rosa, assustou os responsáveis pelo marketing da empresa americana.

Para o carnaval de 2018, cada escola do Grupo Especial recebeu R$ 500 mil da empresa, além da subvenção de R$ 1 milhão paga pela prefeitura do Rio. O presidente da Riotur, Marcelo Alves, tenta convencer a Uber a rever a decisão, que ele chamou de “atitude fria contra o Rio” que vai causar “um dano gigantesco à cidade”. Mas a tarefa é inglória.

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Outra explicação possível para a radicalização da Uber seria uma retaliação à Prefeitura do Rio em função do conjunto de iniciativas em apoio aos taxistas. Primeiro, a criação do aplicativo Taxi.Rio. Mais recentemente, o RioCard Duo, permitindo que pelo menos 12 mil motoristas com nome no SPC ou sem conta bancária recebam corridas pagas via aplicativo e com cartões de débito ou crédito.

Além da verba para o Grupo Especial, o contrato para a Uber previa R$ 2,5 milhões para os desfiles da Avenida Intendente Magalhães em 2019. A própria Prefeitura ainda não confirmou a data de pagamento da ajuda para o Carnaval, que será novamente de R$ 1 milhão para cada escola do Grupo Especial, metade do que era destinado antes da gestão Marcelo Crivella.

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