Turistas do Cristo sofrem com imbróglio judicial | Diário do Porto


Turismo

Turistas do Cristo sofrem com imbróglio judicial

Disputa na Justiça pelas lojas e restaurantes do Cristo Redentor causa transtornos para turistas que visitam principal cartão postal do País

15 de setembro de 2021

Vans para o Cristo têm preço promociona em janeiro (foto: Agência Brasil)

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O Cristo Redentor vive dias conturbados. Depois da confusão que atrasou por duas horas um batizado que seria celebrado pelo Padre Omar, um imbróglio entre os antigos permissionários das lojas e restaurantes do monumento, Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade, autarquia do Ministério do Meio Ambiente, e Arquidiocese do Rio está causando transtornos para os visitantes do maior cartão postal do País. Segundo reportagem publicada hoje por O Globo, desde o início de julho nenhuma das sete lojas no alto do Corcovado está funcionando. Há apenas uma geladeira com água e refrigerante para matar a sede de quem chega ao alto do monumento.

Com os termômetros beirando os 40 graus, turistas faziam fila em frente à geladeira improvisada para conseguir uma garrafa de água. As outras opções no alto do Corcovado, no momento, são duas pequenas bancas da Campanha Amigos do Cristo Redentor, que vende fotos e imagens religiosas.

Em fevereiro, foram definidos os vencedores de um chamamento público feito pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), autarquia vinculada ao Ministério do Meio Ambiente que é responsável pela área onde o Cristo se encontra, para a operação dos estabelecimentos no alto do Cristo. Cinco dos sete pontos comerciais eram controlados por um mesmo grupo familiar.

Essa concessão recente, porém, está sendo questionada na Justiça, sob acusação de direcionamento do resultado e ilegalidades administrativas — o Ministério Público Federal entende que o correto seria a realização de uma licitação, que tem maior divulgação e ferramentas de fiscalização.


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Disputa judicial pelas lojas do Cristo

Ao mesmo tempo, correm na Justiça ações de reintegração de posse movidas pelo ICMBio, que quer assumir de vez a operação do comércio no santuário. No fim do ano passado, uma liminar deu razão ao órgão federal, enquanto a Arquidiocese do Rio afirma ter o direito ao uso da área de 477 metros quadrados, que vai do primeiro degrau do espaço ao topo do Cristo, por meio de um acordo de 1934 e renovado em 1981. Mas, para a União, esses antigos documentos não têm mais validade, e a Igreja, que alega “ato de má-fé do ICMBio”, vem perdendo os recursos na Justiça.

Os movimentos do governo federal para retomar as lojas no Cristo começaram em 2019, quando a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) entregou uma ordem de despejo aos comerciantes, o que motivou, em resposta, uma ação judicial, agora em fase de perícia para comprovar benfeitorias pagas pelos comerciantes e cálculo de possível indenização. Já em setembro de 2020, o ICMBio entrou com ação de reintegração de posse e conseguiu a liminar para desocupação da área.