Turismo perde R$ 14 bilhões no país e, no Rio, 5 mil empregos | Diário do Porto


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Turismo perde R$ 14 bilhões no país e, no Rio, 5 mil empregos

Quarentena do coronavírus fechou pelo menos 60 hotéis no Rio. Confederação Nacional do Comércio estima redução de 295 mil empregos do turismo

9 de abril de 2020

Cerca de 60 hotéis pararam as atividades, devido à quarentena do coronavírus (foto: Riotur / Fernando Maia)

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O setor de turismo no Brasil perdeu R$ 14 bilhões somente no mês de março, afetado pela pandemia do novo coronavírus, segundo estimativas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O resultado representa uma queda de 84% no faturamento em relação ao mesmo período de 2019. Os prejuízos sofridos pelo setor têm potencial de reduzir 295 mil empregos formais em apenas três meses.

No Rio, pelo menos 5 mil trabalhadores do setor podem já estar perdendo o emprego, com o fechamento de cerca de 60 hotéis, desde o início do período de quarentena. A estimativa foi feita pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Alfredo Lopes, que espera que as operações sejam retomadas ao fim do isolamento.

Entre os hotéis fechados, está o Copacabana Palace, o mais tradicional da cidade, que vai manter apenas uma equipe de manutenção. É a primeira vez, nos 97 anos do hotel, que ele deixa de receber os hóspedes. Em suas instalações continuarão morando a diretora do estabelecimento e o cantor Jorge Ben Jor, que reside ali há 2 anos.

De acordo com Lopes,  a oferta de quartos na cidade caiu de 54 mil para cerca de 20 mil. A taxa de ocupação se encontra inferior a 5%. Ele afirma que cabe a cada empresário a definição do que fazer para preservar os empregos do setor, bem como escolher uma estratégia para quando for possível a normalização das atividades.


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Segundo o levantamento da CNC, o Brasil registrou uma taxa de cancelamento de voos inédita: considerando os 16 maiores aeroportos do País, responsáveis por mais de 80% do fluxo de passageiros, as taxas de cancelamento de voos nacionais e internacionais saltaram de uma média diária de 4% nos primeiros dias de março para 88% até o final de março.

Os quatro aeroportos que atendem diretamente às regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e de São Paulo – principais focos da doença no Brasil – registraram taxas de cancelamento superiores a 80% no fim de março. Os aeroportos de Goiânia e Salvador, por sua vez, chegaram a zerar o tráfego aéreo em determinados dias do mês passado.

Alexandre Sampaio, diretor da CNC que é responsável pelo Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur) da entidade, ressalta a importância de já se pensar no futuro. “Estamos mirando a recuperação e trabalhando em parceria com o Ministério do Turismo na elaboração de ações que visem orientar o setor com as melhores maneiras de agir quando tudo isso passar”, diz Sampaio.


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