Turismo

Roberto Faria: “Turismo doméstico deve ser prioridade para o Rio”

Roberto Faria, diretor-presidente da Rodoviária do Rio, diz que está tudo pronto para receber os turistas no Carnaval e faz alerta sobre trânsito no Porto

28 de janeiro de 2019
Roberto Faria está na Rodoviária do Rio há 25 anos (f DiPo)

Compartilhe essa notícia em sua rede social:

Ele conhece a região do Porto bem antes de ela merecer o adjetivo Maravilha. Roberto Faria, diretor-presidente da Rodoviária do Rio, começou a trabalhar na empresa há 25 anos, como engenheiro de manutenção, e acompanhou todas as mudanças ocorridas na região. Hoje, é um entusiasta das potencialidades turísticas do Porto Maravilha, principalmente para atrair visitantes do interior do Rio e de Estados vizinhos. Pensando nesse público, Roberto e sua equipe preparam um projeto para incentivar a vinda de turistas de um dia, pessoas interessadas em conhecer os museus do Amanhã e de Arte do Rio, o Aqua Rio, o cais do Valongo, a Orla Conde e outras atrações.

Ao mesmo tempo, ele diz que tudo está pronto para a grande operação anual em torno dos embarques e desembarques no período do Carnaval, quando cerca de 80 mil pessoas por dia vão passar pela Rodoviária. Roberto faz um alerta sobre o desenvolvimento do Porto Maravilha. Para ele, é preciso haver estudos sobre o impacto da chegada de novos empreendimentos, sejam comerciais ou residenciais, no trânsito, que já dá sinais de esgotamento.

A seguir, os principais trechos de sua entrevista para o Diário do Porto:

 

DIÁRIO DO PORTO: A Rodoviária do Rio está pronta para o Carnaval?

Roberto Faria: Tudo pronto. Já estamos preparando nossa operação especial, com todas as providências
necessárias para que tudo flua bem no Carnaval.

 

DIÁRIO: Nos 25 anos em que você trabalha no terminal, sentiu influência do aumento do Carnaval de rua nas operações da rodoviária?

Roberto: O Carnaval de rua quase não interfere nas operações da Rodoviária. Acho que o Carnaval
de rua está mais ligado ao próprio carioca. Ele retém mais as pessoas na cidade, diminuindo o número dos que pensam em viajar para fora do Rio. Já os desfiles das escolas de samba atraem, sim, um público que chega à cidade pelo nosso terminal. 

No Carnaval, o que causa interferências mais diretas nas operações da Rodoviária são os deslocamentos dos carros alegóricos para os desfiles no Sambódromo. Eles provocam interdições de ruas próximas, interrompendo o fluxo de ônibus que saem ou entram em nosso terminal. Isso geralmente ocorre na madrugada e está previsto no nosso plano de operação especial, com isso evitamos maiores transtornos para nosso público.

 

DIÁRIO: Qual é o fluxo de passageiros no Carnaval?

Roberto: Durante o Carnaval temos cerca de 80 mil pessoas por dia no terminal, entre embarques e desembarques, enquanto nos dias normais esse número está em torno de 50 mil.

 

DIÁRIO: Como a Rodoviária pode contribuir para que o desenvolvimento Porto Maravilha alcance os resultados esperados?

Roberto: Eu sempre pensei que a Rodoviária já é e continuará sendo um importante equipamento para o desenvolvimento do Porto Maravilha, um instrumento indutor para a realização de todas as potencialidades dessa região.

 

A importância do turismo doméstico

 

DIÁRIO: Em sua opinião, qual a importância do turismo doméstico para o Rio de Janeiro?

Roberto: Sem dúvida, estimular a vinda dos visitantes do interior do Rio e de outros Estados é o grande fator para dinamizar a cadeia produtiva do setor turístico, garantindo um grande fluxo de turistas durante o ano todo e não apenas nos períodos clássicos do verão, Ano Novo, Carnaval e outras datas sazonais. Valorizar o turismo doméstico deve ser prioridade para o Rio, pois gera mais empregos e arrecadação tributária, estimulando vários setores da economia.

 

Roberto Faria em seu escritório
Roberto Faria costura parcerias para projeto de turismo doméstico (f DiPo)

 

DIÁRIO: E o que a Rodoviária está fazendo para contribuir com esse objetivo?

Roberto: Além de todas as melhorias já realizadas ao longo dos anos na infraestrutura da Rodoviária, estamos trabalhando também em um plano para trazer visitantes do interior do Estado para conhecer as atrações do Porto Maravilha. Existe um imenso interesse dos moradores do interior do Rio em tudo o que o Porto Maravilha oferece, como os museus, o aquário, a orla Conde, a nova praça Mauá, as pinturas murais, o VLT, o cais do Valongo.

Nós da Rodoviária vamos oferecer a esse público a oportunidade de realizar uma visita de um dia, com guias e ingressos incluídos, com chegadas e saídas aqui do nosso terminal.

 

DIÁRIO: O que falta para esse projeto ser implementado?

Roberto:  Para tornar realidade, precisamos realizar parcerias com todos os destinos envolvidos em nosso plano, para que haja preços mais atrativos para os visitantes, como incentivos nos ingressos dos
museus e no VLT, por exemplo.

 


VEJA TAMBÉM:

Campanha combate comércio irregular em volta da Rodoviária do Rio

Guarda recebe mil pistolas de eletrochoque

Centro terá menos ônibus para viabilizar o VLT


 

DIÁRIO: A situação da segurança no Rio é um obstáculo para o desenvolvimento do turismo doméstico?

Roberto: Acho que a situação do Rio não é muito diferente de outros Estados. Esse é um problema
nacional. Acredito que os novos governos, em nível federal e estadual, irão trazer soluções que irão
melhorar nossa situação.

 

DIÁRIO: Para que o Porto Maravilha tenha mais sucesso, você acha que faltam projetos para novas moradias?

Roberto: Isso precisa ser muito bem estudado, pois atualmente já constatamos áreas de congestionamentos diários na região do Porto Maravilha, sem que tenha havido ainda a ocupação prevista de grandes prédios corporativos. Se esses grandes edifícios vierem a ser construídos, mais os empreendimentos residenciais, teremos com certeza uma maior saturação do tráfego. Para abrigar novos moradores, é preciso um grande planejamento urbano de forma a garantir a qualidade de vida. Por exemplo, já estamos vivendo uma saturação no entorno da Rodoviária, causada pela transferência
de terminais de ônibus circulares, que estão sendo retirados do centro da cidade e trazidos para nossas
proximidades. Isso causa transtornos para todos e necessita atenção e planejamento.

 

DIÁRIO: A conclusão do BRT da avenida Brasil vai melhorar esse cenário?

Roberto: Sem dúvida. O BRT Transbrasil terá uma estação nas proximidades da Rodoviária e estação terminal ao lado da Central do Brasil. Quando estiver concluído, esse sistema possibilitará retirar um grande número de ônibus urbanos que hoje se direcionam ao centro e que precisam ter pontos terminais nesta região. O BRT Transbrasil vai contribuir para organizar e ordenar o trânsito em toda a região central.

 

DIÁRIO: A Rodoviária passou por grandes mudanças, que melhoraram os seus serviços e o conforto de seu público. Mas ainda continuam fortes as críticas aos problemas que existem no entorno da Rodoviária, ou seja, quando o passageiro sai para fora de suas instalações. Essa situação não tem como melhorar?

Roberto: Nós mesmos da Rodoviária temos feito obras para melhorar áreas externas ao nosso terminal, como no paisagismo, no calçamento, na iluminação, visando criar condições dignas às pessoas que chegam e saem daqui todos os dias. Atuamos em parceria com a Prefeitura, que está sempre realizando operações de ordenamento em nosso entorno, principalmente em relação ao comércio ambulante. Esse é um trabalho que precisa ser contínuo, pois sempre há o retorno do comércio irregular depois que ele é removido das áreas impróprias. Mas acreditamos que novas soluções podem melhorar em muito esse cenário. Vamos trabalhar para isso.

Compartilhe essa notícia em sua rede social: