'Turismo da Vacina': países oferecem doses para atrair visitantes | Diário do Porto

Turismo

‘Turismo da Vacina’: países oferecem doses para atrair visitantes

Brasileiros viajam aos EUA em busca de vacina contra a Covid. Rússia e Cuba estão de olho no turismo da vacina. Saiba o que é preciso para viajar aos EUA

7 de maio de 2021


Turismo da vacina movimenta EUA: Times Square, em Nova York, deve ganhar posto volante (Foto: Wikimedia)


Compartilhe essa notícia:


A pandemia da Covid-19 destruiu o turismo de muitos países. No Brasil, em função do elevado número de casos, do atraso na vacinação e do surgimento de variantes, a situação é catastrófica. Enquanto isso, países que estão vencendo a luta contra o coronavírus já começam a vislumbrar não só a abertura da economia, mas o fortalecimento do chamado Turismo da Vacina.

Nações como Estados Unidos, Rússia, Cuba, Turquia e até as Maldivas saíram na frente na esperança de apostar nessa nova modalidade como alavanca para recuperar o turismo. Uma reportagem da Veja aponta que muitos turistas – alguns brasileiros – já viajaram aos Estados Unidos em busca da vacinação.

O México ganhou um movimento de brasileiros fazendo quarentena no país antes de entrar nos Estados Unidos, especialmente na Flórida, que não solicita comprovação de residência desde 30 de abril. Rússia e Turquia também não exigem comprovantes de residência, e Cuba tem até campanha publicitária prometendo doses da vacina que está em fase final de desenvolvimento. Já as Maldivas vão permitir aos turistas escolherem qual vacina querem tomar, entre três marcas.

Nova York quer vacinar em pontos turísticos

Nesta quinta-feira 6, o prefeito de Nova York, Bil de Blasio, anunciou que vacinará turistas, aguardando apenas aprovação do Departamento de Saúde do Estado. A agência Associated Press informou que esses postos seriam montados em vans e caminhões e levados a pontos turísticos da maior cidade americana, como a Times Square, o Central Park, o Brooklyn Bridge Park e o parque elevado High Line.

De Blasio chamou a iniciativa de “uma mensagem positiva” para os turistas. “Venha aqui. É seguro, é um ótimo lugar para se estar e nós vamos cuidar de você”, afirmou. Segundo ele, a cidade não tem planos de rastrear o status de vacinação dos turistas. Os visitantes receberiam a vacina de dose única da Johnson & Johnson.

A estratégia de oferecer vacinas a estrangeiros deve ajudar a recuperar o turismo em Nova York. Para este ano, a previsão é que a cidade receba a metade dos turistas (34 milhões) e só deve recuperar o movimento normal em quatro anos.

O Estado de Nova York – que chegou a ser o epicentro da pandemia – tem 34,3% da população vacinados. A cidade fixou a data de 1º de julho para a reabertura total e deu sinal verde à máxima capacidade dos negócios ao fim deste mês. Já o telão da Broadway só voltará a subir em 14 de setembro, para evitar aglomerações.

Flórida libera e Alasca vacina no aeroporto

Nos Estados Unidos, o primeiro estado a receber turistas foi a Flórida. Com mais de 6 milhões de vacinados e a demanda menor, o Departamento de Saúde anunciou que as vacinas estarão disponíveis “para todos que sejam residentes ou estejam na Flórida com o propósito de oferecer bens ou serviços em benefício dos residentes e visitantes do Estado”.

Desde 30 de abril, não é solicitado comprovante de residência em áreas de aplicação a maiores de 16 anos, o que tem atraído um grande volume de estrangeiros – brasileiros, inclusive. Basta declarar, verbalmente, se é residente ou se está no estado a trabalho. Um levantamento da secretaria de saúde local revelou que cerca de 210 mil pessoas que não residem no estado receberam a imunização até o último dia 5.

 


LEIA MAIS:

Vacina garante retomada do turismo nos EUA

Rio investe no turismo de proximidade

Museu do Amanhã mostra os impactos da pandemia no mundo


 

O governador do estado do Alasca, Mike Dunleavy, anunciou há duas semanas, em sua página do Twitter, que qualquer viajante que chegasse à região, pelo aeroporto, a partir de junho receberia doses de imunizantes. De acordo com o jornal The New York Times, trata-se de uma potente ação de marketing para aquecer o turismo no entorno.

A ampla oferta de imunizantes, em diferentes faixas etárias, é o principal atrativo para quem tem condições de pagar caro para viajar e garantir sua imunidade. Quase 252 milhões de doses de vacinas foram aplicadas nos EUA, com 30,58% da população totalmente imunizada, segundo a Universidade Johns Hopkins.

Cuba e Rússia atraem turistas com vacinas

Maldivas-velassaru-maldives-resort
Ilhas Maldivas: depois de vacinar 540 mil habitantes, estenderá vacina a turistas (Foto Velassaru Maldives Resort Divulgação)

Em fevereiro, Cuba anunciou que imunizaria os turistas com sua vacina Soberana 2. A peça publicitária trazia o slogan “Praias, Caribe, mojito e vacina. Tudo em um só lugar”. O imunizante está em fase 3 de testes, com previsão de resultados em maio, de acordo com a rede Al Jazeera.

A Rússia, com sua Sputnik V, também pretende atrair turistas. Na página oficial do imunizante no Twitter, foi escrito, em abril, que um programa de turismo e vacinação seria lançado em julho. O Fundo de Investimento Direto da Rússia não deu mais esclarecimentos sobre o caso.

Bem perto dos brasileiros e sem precisar gastar tanto, uma alternativa pode ser a vacinação de pessoas que moram em regiões de fronteira no Brasil. Conforme Veja publicou, o governo do Rio Grande do Sul tem negociado com o Uruguai, por meio de videoconferências, para promover a vacinação conjunta nos territórios fronteiriços.

Quem pode entrar nos EUA, apesar dos bloqueios

Por enquanto, há uma série de restrições para que brasileiros entrem nos Estados Unidos. É permitida a entrada de viajantes para fins relacionados a trabalhos humanitários, de saúde pública e de segurança nacional, além de portadores de vistos diplomáticos, residentes permanentes, filhos ou cônjuges de americanos.

Apesar do fechamento das fronteiras por conta da pandemia, desde 26 de abril estudantes, acadêmicos e jornalistas que possuem vistos americanos podem ingressar no país, como confirmou a Embaixada Americana no Brasil à Veja. Com a mudança, o governo dos EUA ampliou a lista de nacionalidades e categorias que se enquadraram como exceções diante dos bloqueios da Covid-19.

Agora podem entrar em território americano quem viaja do Brasil, da China, do Irã, da África do Sul, do Reino Unido, da Irlanda e dos 26 países da União Europeia (UE) e tenha vistos das categorias F-1, M-1 (de estudantes) ou I (de imprensa). A entrada de estudantes está garantida àqueles cujo programa acadêmico começa a partir de 1º de agosto. O aluno pode chegar até 30 dias antes do início das aulas. Já os jornalistas devem solicitar autorização prévia à embaixada.

Os viajantes internacionais são obrigados a fazer um teste viral três dias antes do embarque aos EUA e fornecer documentação por escrito do resultado de teste (papel ou cópia eletrônica) à companhia aérea. Para chegar ao país, é preciso cumprir uma quarentena por 14 dias.