Tristeza no vôlei e as alegrias do skate e boxe | Diário do Porto


Nas esquinas de Tóquio

Tristeza no vôlei e as alegrias do skate e boxe

Enquanto vôlei masculino fracassa e fica fora de uma final pela primeira vez desde Sidney/2000, esportes como skate e boxe aproximam Brasil de recorde histórico

5 de agosto de 2021

Pedro Barros, o "catarina" voador, e sua prata histórica em Tóquio (Gaspar Nóbrega/COB)

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Nas esquinas de Tóquio

Vicente Dattoli

 Quando a bola subiu e, nos sets, o Brasil começou a dominar a partida, admito que me preparei para escrever sobre a possibilidade de a Seleção Masculina de Vôlei brigar pela segunda medalha de ouro consecutiva na Olimpíada – lembrando que a equipe, ainda dirigida por Bernardinho, subiu ao lugar mais alto do pódio na Rio/2016.

No terceiro set, quando abrimos uma gigantesca vantagem, “tive a certeza” de que o trauma russo seria superado de vez – lembrando que na fase de grupos havíamos perdido para eles por 3 a 0.

Só que… Bem… A equipe do Comitê Olímpico Russo virou o terceiro set e o jogo, tirando do Brasil a chance de lutar pelo ouro. Lamento, muito, em especial pelo amigo Renan. Renan Dal Zotto, nosso treinador, porém, pode dizer que já conquistou, este ano, uma medalha de ouro: a vida. Poucos meses antes dos Jogos passou semanas na UTI lutando contra a Covid-19.

Deixando a filosofia de lado, devo concordar com o cubano Leal: ao perder um set como o terceiro, você dá uma moral enorme para o adversário, que passa a ver o jogo como “eu posso, eu consigo”. E puderam e conseguiram. E agora estamos fora da decisão do torneio masculino de vôlei.

Por falar em decisão, o mau estado do gramado do Estádio Nacional, em Tóquio, fez a Fifa solicitar e o Comitê Organizador transferir a final feminina do futebol. O jogo entre Suécia e Austrália, mantido para sexta-feira, em outro horário (aí o problema é o calor excessivo), será no mesmo estádio da final masculina, onde no dia seguinte o Brasil enfrenta a Espanha na luta pelo Bi Olímpico.

Felizmente, não são apenas tristezas e modificações neste que será um de nossos últimos encontros.

Provando que, pelo menos em Tóquio, somos a Pátria das pranchas e rodinhas, o Brasil faturou a prata no torneio masculino de Skate Park, com Pedro Barros, o catarinense voador.


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Skate no pé medalha no peito

O Skate, por sinal, foi responsável por três medalhas de prata nestes Jogos, com Kelvin Hoefler no Street; Barros, no Park, e a fadinha Rayssa Leal, também no Street. Nada mal para uma primeira participação em Olimpíada.

Destacar, também, nossos boxeadores. Bia Ferreira e Herbert Conceição lutarão pelo ouro. Bia na categorias até 60kg (eliminou uma finlandesa, em decisão unânime dos jurados) e Herbert na de até 75kg (venceu o russo Gleb Bakshi, também em decisão dos jurados). Detalhe interessante para marcar a primeira vez que o Brasil fará duas finais no boxe na mesma Olimpíada: os dois, Bia e Herbert, são baianos.

Para finalizar a conversa de hoje, quero registrar que já igualamos o recorde de medalhas (ouros ainda não, quem sabe) conquistadas em uma mesma Olimpíada, no caso a nossa Rio/2016. E só não superamos, de longe, pela fraquíssima atuação do vôlei de praia, que nem às semifinais chegou em qualquer categoria.


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