Trem do Corcovado sai da roda gigante Rio Star | Diário do Porto


Turismo

Trem do Corcovado sai da roda gigante Rio Star

Depois de Ricardo Amaral, o empresário Sávio Neves, do Trem do Corcovado, deixa sociedade com a Gramado Parks na Rio Star e deseja “boa sorte” à empresa

9 de setembro de 2019

A Rio Star fica entre o AquaRio e o Aqwa Corporate (Foto DiPo)

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O empresário Sávio Neves, do Trem do Corcorvado, decidiu deixar a parceria com a empresa gaúcha Gramado Parks na roda gigante do Porto Maravilha, a Rio Star. A saída foi confirmada ao DIÁRIO DO PORTO pelo empresário. Sávio Neves preferiu não revelar os motivos da separação e disse desejar boa sorte aos ex-parceiros. “O importante, para o turismo no Rio, é que a cidade vai ganhar sua roda panorâmica”, resumiu.

Sávio Neves, 54 anos, é um dos idealizadores da roda gigante, que está sendo montada entre o AquaRio e o edifício Aqwa Corporate, com previsão de inauguração para novembro próximo. De 2013 a 2019, o empresário investiu cerca de R$ 300 milhões em três projetos turísticos no Rio: AquaRio, Rio Star e troca dos trens do Corcovado. A modernização do acesso ao Cristo Redentor custou R$ 200 milhões e deve ser concluída em outubro, ampliando a capacidade de 300 para 440 pessoas por hora.

A Rio Star deve ter 88 metros de altura, equivalente a um prédio de 30 andares, com vista panorâmica para a Baía de Guanabara e o Porto Maravilha. Ela foi inicialmente pensada para a Praia de Botafogo. Depois, para a Lagoa Rodrigo de Freitas, o Aterro do Flamengo e a Praça XV, até desembarcar na Gamboa, ao lado do AquaRio.

Projeto da Rio Star começou polêmico

A saída de Sávio Neves não é a primeira crise enfrentada pela roda gigante do Porto Maravilha. Parlamentares de oposição já acusaram a Gramado Parks de ter sido favorecida em função de uma suposta ligação com a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), da qual o prefeito Marcelo Crivella é bispo licenciado. A vereadora Teresa Bergher (PSDB) fez um requerimento de informações, e o deputado Átila Nunes (MDB) encaminhou representação ao Ministério Público.

Tudo começou quando a Gramado Parks venceu a licitação para explorar o terreno de 2,4 mil metros quadrados, pertencente à Prefeitura, ao lado do AquaRio. Átila Nunes acusa a Prefeitura de favorecer a gaúcha Manu Caliari, vereadora pelo PRB, mesmo partido do prefeito e ligada à Universal.

À época da denúncia, a Gramado Parks publicou uma nota em jornais locais afirmando ter participado de uma licitação transparente e que a Companhia de Desenvolvimento do Porto Maravilha do Rio de Janeiro (Cdurp) escolheu a melhor proposta. “Estranho seria a menor proposta vencer. Este valor reverterá à Cdurp, em prol dos anseios da comunidade carioca”, dizia a nota.

A Gramado Parks é responsável pelo Snowland, um parque de neve indoor em Gramado, com 300 empregados. A roda gigante, segundo a empresa, deve ter 70. O grupo possui ainda cinco resorts na Serra Gaúcha e uma estação termal, a Wyndham Gramado Termas. A Rio Star deve ser o primeiro empreendimento grande do grupo fora do Rio Grande do Sul.


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A Gramado ainda refutou as críticas segundo as quais a prefeitura investiria dinheiro no empreendimento em vez de destiná-lo a cobrir as carências da população: “O investimento para construção da Roda e o risco na sua operação é totalmente privado; a tal modo que a administração pública jamais poderá ser prejudicada e nem fará qualquer investimento, pois o empreendedor arcará com estes valores independentemente do sucesso da roda-gigante que pretende instalar.”

“Lamentamos a intolerância religiosa do deputado. Só porque uma pessoa é membro da Igreja Universal não quer dizer que o negócio pertence à Igreja. Não há qualquer motivo para macular o processo licitatório, pois o fato de sócios/diretores de uma empresa possuírem a mesma crença religiosa do senhor prefeito não quer dizer nada além do exercício de um direito fundamental”, conclui a nota. O deputado Átila Nunes é umbandista.

Ricardo Amaral já saiu da Rio Star

Sávio Neves e os empresários Paulo Marinho e Ricardo Amaral formaram um grupo para concorrer contra na licitação aberta pela Cdurp para a ocupação do terreno ao lado do AquaRio. Perderam, mas, alguns meses depois, entraram como sócios do empreendimento, como pessoas físicas ou jurídicas.

O primeiro a desistir do negócio foi Ricardo Amaral, que vendeu suas cotas e saiu. Sávio Neves é o segundo. Só continuou no negócio da Gramado Parks, segundo a revista Piauí, a DM Consultoria, cujo administrador é Daniel Marinho. Ele é filho de Paulo Marinho, recentemente escolhido para presidir o PSDB por uma ação do governador João Dória.

Quem é Sávio Neves

 

Sávio Neves, do Trem do Corcovado
Sávio Neves: apostas ousadas e opiniões fortes

Sávio Neves é um investidor ousado nas apostas e firmes nas opiniões. Mineiro, ele defende “tolerância zero” com a insegurança em áreas turísticas, como praias, o AquaRio, o bondinho, o Corcovado, o Parque Olímpico, o entorno do Maracanã etc. Em setembro de 2015, ele perdeu a mulher, Ana Lúcia Neves, aos 49, morta em um assalto no Recreio.

Em 2010, Sávio foi candidato a deputado federal pelo PP do Rio, mas não se elegeu. Seu nome é sempre lembrado pelos empresários de turismo como um possível candidato a prefeito, como representante do empreendedorismo fluminense. Atualmente, além do investimento na modernização dos trenzinhos no Cosme Velho, Sávio Neves avalia explorar o trem turístico em Miguel Pereira.

Mais rápidos, mais modernos e maiores, os novos trens do Corcovado economizam 75% de energia em relação aos atuais, construídos na década de 1970. Os novos foram construídos na Suíça, após negociação de 14 anos. Técnicos, engenheiros e mecânicos da empresa carioca passaram quatro meses na fábrica para aprender tudo sobre os trens e voltaram ao Brasil trazendo o primeiro deles este ano.

Trem do Corcovado no Porto do Rio
Trem do Corcovado no Porto do Rio (Divulgação)

 

O projeto da roda gigante do Porto Maravilha, que Sávio Neves deixa, contou com sua dedicação para sair do papel, inclusive na decisão de ir China comprar o equipamento e um kit de iluminação que transformará o local em um show à parte quando for inaugurado.

Sávio Neves também é um dos sócios do AquaRio, um investimento de R$ 150 milhões que se tornou um sucesso absoluto como uma das principais âncoras turísticas do Porto Maravilha. Ele também demonstra interesse na privatização do Bonde de Santa Teresa, que tem apelo turístico e transporta 400 mil pessoas por ano. A ideia é integrá-lo ao bondinho do Cristo, permitindo que o turista saia do Corcovado e chegue rapidamente ao Centro por trilhos. A concessão do Bonde pelo governo estadual do Rio de Janeiro já tem até o plano de negócios pronto.


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