Transporte clandestino cresce na pandemia e traz riscos a passageiros | Diário do Porto

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Transporte clandestino cresce na pandemia e traz riscos a passageiros

As empresas formais de transporte rodoviário foram impedidas de trabalhar durante a quarentena. Com isso, o transporte clandestino cresceu pelo menos 30%

26 de junho de 2020
Fiscais da ANTT fazem autuação de transporte clandestino, em operação antes da pandemia (foto: Divulgação)

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As empresas formais de ônibus intermunicipais e interestaduais do Brasil viram seu movimento cair mais de 70% no início do isolamento social, a partir da segunda quinzena de março, obrigadas a seguir as restrições impostas pelos governos. Porém dados dos órgãos de fiscalização apontam que o transporte clandestino aproveitou para crescer pelo menos 30%, durante essa ausência forçada do setor oficial.

Esse crescimento do transporte clandestino ocorreu contra a determinação das autoridades, que restringiram a circulação de pessoas com o objetivo de diminuir o contágio pelo novo coronavírus. Sem o transporte formal, mais passageiros passaram a usar o transporte clandestino.

Para discutir esse cenário e buscar soluções, a Abrati (Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros) e a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) realizaram uma live, com mais de 50 participantes, entre empresários e operadores do setor, entre eles a Rodoviária do Rio.

Transporte clandestino não investe em saúde

De acordo com a Abrati, antes da pandemia, as empresas oficiais do setor transportavam cerca de 50 milhões de pessoas por ano, com faturamento próximo a R$ 7 bilhões. Quando prefeituras e Governos de Estados começaram a impedir a circulação de pessoas, para deter o coronavírus, o movimento dessas empresas caiu 70% e ficou ainda pior com o fechamento total de algumas regiões, atingindo 95% das receitas.

Com o relaxamento da quarentena e com novos protocolos de segurança nos ônibus e terminais, a Abrati acredita que será possível reduzir os danos e reconquistar os passageiros. Segundo a associação, as empresas estão investindo muito em produtos e equipamentos de higienização, para aumentar a segurança, principalmente em saúde, medidas que não existem no transporte clandestino.


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Além disso, as empresas do setor acreditam que haverá uma retomada do interesse por viagens, principalmente pelo turismo interno, e com isso crescerá o movimento do transporte rodoviário, que tem preços atrativos para destinos regionais, viagens curtas e ecoturismo.

Porém, a recuperação do setor formal do transporte rodoviário de passageiros só ocorrerá completamente se houver maior fiscalização contra as empresas piratas. O crescimento do transporte informal leva ao fechamento de empresas formais e ao desemprego de trabalhadores que antes estavam protegidos pelas leis trabalhistas.

A conselheira da Abrati, Letícia Pineschi, ressalta que o transporte clandestino é também uma ameaça à saúde pública. “Há necessidade de que a segurança da formalidade e a regularidade sejam privilegiadas, e a todas essas questões soma-se agora a ameaça à saúde pública, quando se permite a liberdade do serviço clandestino”, afirma Letícia.