Cultura e Lazer

Um passeio de bike pela História do Brasil: o Centro e o Porto

Do Cais do Valongo ao Museu Histórico Nacional, um passeio de bike pelas principais construções da História do Brasil

23 de dezembro de 2018
Ciclistas são frequentes na Orla Conde (Aziz Filho)

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Ciclistas são frequentes na Orla Conde (Aziz Filho)
Ciclistas são frequentes na Orla Conde (Aziz Filho)

Modernidade e tradição caminham juntas no Porto Maravilha. E pedalam também, se você preferir. Os espaços culturais, as paisagens da Baía de Guanabara e as construções antigas da Zona Portuária convidam a passear, conhecer ou visitar a história. Pensando nisso,  e nos dias de folga que vêm pela frente, o DIÁRIO DO PORTO elaborou um trajeto saboroso sobre duas rodas.

A Bike Rio é muito utilizada pelos cariocas (Foto: Divulgação)
A Bike Rio é uma alternativa para quem não tem a própria bicicleta (Divulgação)

Mas quem não tem bicicleta não precisa se preocupar. A opção, já querida dos cariocas, é o Bike Rio. O sistema de aluguel de bicicleta existe desde 2011. Um passe diário (R$ 5) ou mensal (R$ 10) dá acesso às 260 estações  espalhadas pela cidade. Por meio de um aplicativo no celular, o usuário se cadastra e pode checar com rapidez todas as informações. O aplicativo mostra em tempo real os locais das estações e o número de bicicletas disponíveis.

Já sobre duas rodas, é importante saber como pedalar com segurança e aproveitar melhor o passeio:

  • Planeje o destino e faça um roteiro que equilibre conhecer novos lugares, curtir a vista e passar por locais em que você possa fazer um lanche e se hidratar;
  • Não esqueça o protetor solar mesmo em dias nublados;
  • Infelizmente não há quilômetros de ciclovia suficientes para que todos tenham um espaço mais seguro, então esteja sempre atento a sinais de trânsitos e aos pedestres;
  • Aproveite e registre o visual em fotos ou vídeos. Mas não se arrisque com distrações. A dica é parar para apreciar e fazer o registro em um local que não atrapalhe outros ciclistas ou pedestres.

Agora sim, podemos sair da rotina para iniciar um trajeto tranquilo.

Confira as principais atrações da região:

Cais e Jardim Suspenso do Valongo

Cais do Valongo guarda vestígios de africanos
O Cais do Valongo é considerado o único vestígio material da chegada de africanos escravizados no continente americano (Foto: Alexandre Macieira/Riotur)

Recomendamos começar por um dos sítios históricos e arqueológicos mais importantes do Ocidente. Situado na encosta do Morro da Conceição, o Cais do Valongo acaba de receber o título de Patrimônio da Humanidade da Unesco. O melhor jeito de chegar é descer na Parada dos Navios, do VLT, e caminhar 300 metros pela Avenida Barão de Tefé.

Existe uma estação do Bike Rio bem no local, mas você pode deixar para pegar a bicicleta depois de visitar o Jardim Suspenso do Valongo e bater perna pelo Morro da Conceição.

Bem pertinho, o Jardim Suspenso do Valongo integra o Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana. Tem uma exposição permanente de achados arqueológicos que vale a visitação. Toda essa área tem uma herança cultural muito forte, e o passeio de bicicleta aumenta o charme.

 

Morro da Conceição

Morro da Conceição (Alexandre Macieira/Riotur)
Morro da Conceição (Alexandre Macieira/Riotur)

O bairro conta com diversas casas muito antigas e bem coloridas que dão um charme especial. Passar por ali é um mergulho na história local e a chance de explorar novos ares através de uma paisagem arquitetônica do século XIX. Há ladeiras íngremes, mas nada do outro mundo. Você pode percorrer de bike se estiver com as pernas bem fortes ou se não se incomodar de empurrá-la nas descidas ou subidas mais acentuadas. O ideal é ir caminhando e deixar para pegar a bike ao retornar para o ponto do Cais do Valongo.

 

Avenida Rodrigues Alves

Mural feito pelo artista Kobra (Foto: Alexandre Macieira/Riotur)
Mural feito pelo artista Kobra (Foto: Alexandre Macieira/Riotur)

Os grafites enfeitam o boulevard e tornam tudo ainda mais bonito para quem segue a linha do VLT e passa em frente às docas. O lugar é tranquilo e ótimo para tirar fotos também. Os lanches nessa área ficam por conta dos food trucks, mas é possível fazer um piquenique na área próximo ao AquaRio ou Museu do Amanhã. Cuidado com os skatistas, há alguns bem distraídos.

 

Museu de Arte do Rio

Museu de Arte do Rio – MAR (Foto: Marcos Pinto)

Aqui você já pode deixar a bike. Pintura, escultura, fotografia… O Museu de Arte do Rio sempre apresenta alguma mostra que super vale a pena. Para os apaixonados por artes plásticas, a parada é ainda mais gratificante. Tem uma lojinha de souvenir de muito bom gosto e um terraço espetacular para tirar fotos panorâmicas da Praça Mauá. São tantas atrações na área que o melhor é deixar a bike na estação bem ao lado do museu.

 

Mosteiro de São Bento

O Mosteiro (Divulgação)
O Mosteiro de São Bento, imponente e importante (Divulgação)

Vá caminhando até o mosteiro, um dos principais monumentos da arquitetura colonial no Brasil. Construído em 1590, chama a atenção tanto pelo seu exterior quanto pelo seu interior. Exala arte, história e elementos ricos em detalhes. Veja mais detalhes sobre o coral e as missas no Guia Maravilha.

Museu do Amanhã e a Orla Conde

 

Orla Conde com Museu ao fundo (Foto: Alexandre Macieira/Riotur)
Orla Conde com Museu ao fundo (Foto: Alexandre Macieira/Riotur)

A sugestão para a última parada antes de pegar outra bike na estação Praça Mauá é um dos locais de mais prestígio na cidade. A incrível estrutura do Museu do Amanhã e o amplo espaço que a Praça Mauá oferece são ideais para um bom descanso. As instalações futuristas do museu, com exposições e atividades sempre antenadas com o futuro, são imperdíveis, mas o entorno do museu também é especialmente encantador para os amantes da fotografia, com vista para a Baía de Guanabara e cenas de pescadores compenetrados ou de namorados contemplando o mar.

Ilha Fiscal (foto DiPo)

Depois de pegar outra bike na estação Praça Mauá, você vai seguir pela Orla Conde. Aqui as atrações são tantas que você dificilmente terá tempo para visitar todas elas. Vale programar um passeio à parte para outro dia. A Orla Conde segue em direção à Praça XV, mas passa por monumentos irresistíveis para quem gosta de clicar. Abre vistas fotogênicas das instalações militares na Baía de Guanabara. Ao longo da Orla, o Espaço Cultural da Marinha, a Ilha Fiscal, a Igreja da Candelária, o CCBB, a Casa França-Brasil, o Centro Cultural dos Correios e a Pira Olímpica são algumas das atrações mais vistosas.

 

 

A Praça XV

As janelas do Paço Imperial
O Paço Imperial, na Praça XV, é o prédio mais importante da história do Brasil (foto DiPo)

Não é preciso pedalar muito até chegar à Praça XV, onde a parada é obrigatória para visitar o prédio mais importante da História do Brasil, o Paço Imperial. Residência oficial do governador e do vice-rei no século XVIII, foi o centro político e social do Brasil Colônia, do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves e do Império do Brasil. Foi nele que Dom Pedro I, em 9 de janeiro de 1821, anunciou que não retornaria a Portugal, abrindo o caminho para a Independência do Brasil.

O museu é aberto ao público, gratuitamente, e tem sempre algumas exposições de arte contemporânea muito interessantes. Ao mesmo tempo, você revisita a história do século XIX e fica por dentro das tendências da arte no século XXI. Em poucos passos você também pode contemplar ou fotografar outros pontos importantes, como o Palácio Tiradentes (sede da Assembleia Legislativa), as construções da Justiça, a estação da CCR Barcas, os sobrados do Arco do Teles e a importantíssima Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, que foi requisitada por Dom João VI em 1808 e só deixou de ser a catedral do Rio em 1970.

Até aqui foi fácil chegar de bike, longe dos carros, mas é preciso um pouquinho mais de cuidado para seguir adiante até a última atração. Você pode pedalar (ou caminhar, não é longe), pela beira do mar, contemplando barcos e pescarias, contornando a curiosa construção que abriga o restaurante Albamar. Mas o mais indicado, para não ter problema na travessia, é seguir por dentro do complexo de prédios do Judiciário e alcançar o Largo da Misericórdia, onde começa o Museu Histórico Nacional.

A Ladeira da Misericórdia foi a primeira via pública da cidade, aberta em 1567. No alto dela ficava o Largo do Castelo, com o prédio do Colégio dos Padres Jesuítas, da Companhia de Jesus.

 

Museu Histórico Nacional

Museu Histórico Nacional, o maior acervo sobre História do Brasil (Divulgação)

Se o Paço Imperial é a construção histórica mais fundamental do país, o Museu Histórico Nacional é o mais importante museu de História do Brasil. Isso por causa da variedade de seu acervo permanente, com 258 mil itens, entre objetos, documentos e livros. Fica na antiga Ponta do Calabouço, onde os portugueses construíram a Fortaleza de Santiago, em 1603. O prédio só deixou de ser unidade militar em 1908. Na década de 1920, a área foi aterrada e reurbanizada para a Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil.

Depois de uma visita ao museu, é preciso gastar um pouquinho de energia para levar a bike até um dos pontos mais próximos, Tem um na Avenida Churchill na altura do número 182, outro no MAM (Museu de Arte Moderna) e, o mais indicado, na Cinelândia, onde você pode pegar o metrô.

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