Teatro

Traga-me a cabeça de Lima Barreto!

Programe-se para ir ao teatro no CCJF. A peça “Traga-me a cabeça de Lima Barreto” inspira-se no indomável autor de O Triste Fim de Policarpo Quaresma

29 de outubro de 2018
(Reprodução da internet/Divulgação CCJF)

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Peça Traga-me a Cabeça de Lima Barreto
Hilton Cobra interpreta Lima Barreto (Reprodução da internet/Divulgação CCJF)

Programe-se para o próximo fim de semana. A peça teatral Traga-me a cabeça de Lima Barreto, apresentada de sexta a domingo no Centro Cultural Justiça Federal, é inspirada livremente na obra de um dos mais talentosos e indomáveis escritores brasileiros, especialmente em Diário Íntimo e Cemitério dos Vivos.

Trata-se de um monólogo teatral que reúne trechos de memórias impressas nas obras de Barreto. O texto fictício tem início logo após a morte dele (em 1 de novembro de 1922, ano do Movimento Modernista).

Eugenistas exigem a exumação do seu cadáver para uma autópsia a fim de esclarecer “como um cérebro inferior poderia ter produzido tantas obras literárias – romances, crônicas, contos, ensaios e outros alfarrábios – se o privilégio da arte nobre e da boa escrita é das raças superiores?”.

A interpretação é de Hilton Cobra, e o texto, de Luiz Marfuz. Direção de Fernanda Júlia.

Quem foi Lima Barreto

Foi crítico feroz da Primeira República, contra o nacionalismo e os privilégios mantidos pelas famílias aristocráticas e pelos militares. Praticou, segundo ele mesmo, uma “literatura militante”, abordando as desigualdades sociais e a hipocrisia nas relações sociais. Manejou como poucos a sátira e a ironia, como em Triste Fim de Policarpo Quaresma e no conto O Homem que Sabia Javanês.

Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu em 13 de maio de 1881, quando sua família morava na Rua Ipiranga, perto do Largo do Machado. Jornalista e escritor incansável, publicou romances, sátiras, contos, crônicas e muitos artigos em periódicos, principalmente revistas populares e jornais anarquistas do início do século XX.

É considerado um dos mais importantes escritores brasileiros. Tinha ascendência negra nas famílias materna e paterna. O pai trabalhava era tipógrafo, e a mãe, professora, morreu quando ele tinha 6 anos. Ele e os três irmãos ficaram com o pai, monarquista e amigo do Visconde de Ouro Preto, que se tornou padrinho do garoto prodígio e garantiu-lhe boa educação.

Em 1903, passeou em um concurso público para a Secretaria de Guerra. Em abril de 1907, tornou-se secretário da revista Fon-Fon, por influência do poeta e jornalista Mário Perdeneiras. No mesmo ano, lançou a revista Floreal. Em 1911, publicou Triste Fim de Policarpo Quaresma. Ele também publicou textos com veículos de viés socialista.

Alcoolismo e depressão levaram à sua primeira internação no hospício, em 1914. Aposentou-se em dezembro de 1918, um ano antes de publicar o romance Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá pela editora Revista do Brasil, de Monteiro Lobato. Os períodos de internação resultaram no romance inacabado Cemitério dos Vivos.

Ele morreu de colapso cardíaco em 1 de novembro de 1922, aos 41 anos, em sua casa, no bairro de Todos os Santos. Os restos mortais estão no cemitério São João Batista, próximo ao mausoléu da Academia Brasileira de Letras.

SERVIÇO:

Traga-me a cabeça de Lima Barreto

Centro Cultural Justiça Federal

Até 11 de novembro
Sexta a domingo, às 19h
R$ 30 e R$ 15 (meia)
60 min

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