Exposição

Trabalho dos garis vira arte em mostra no Centro

‘Invisíveis – Foto-instalação de Fernando Braune’ pode ser vista até o dia 18 de novembro no Centro Cultural dos Correios, com entrada gratuita

3 de outubro de 2018
Na mostra 'Invisíveis', Fernando Braune mostra o trabalho dos garis (Foto: Divulgação)

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Invisíveis Fernando Braune
Na mostra ‘Invisíveis’, Fernando Braune mostra o trabalho dos garis (Foto: Divulgação)

Fotógrafo há mais de 30 anos, Fernando Braune resolveu voltar seus olhos para personagens importantes do cotidiano, mas que muitas vezes passam despercebidos, sendo até confundidos com o lixo que se acumula cada vez mais nas ruas das grandes cidades. Após inúmeras conversas com garis, sobre seus sentimentos de total invisibilidade aos olhos da população, mesmo sendo fundamentais para a limpeza urbana, ele decidiu criar uma mostra em homenagem a eles.

‘Invisíveis – Foto-instalação de Fernando Braune’ fica em cartaz até o dia 18 de novembro, no Centro Cultural dos Correios, no Centro do Rio, com entrada gratuita. As imagens foram concebidas pela junção de fotografias realizadas com os garis nas ruas da cidade, fotografias de paredes grafitadas e fotografias dos lixos acumulados nas ruas. Para trazer uma atmosfera mais urbana à exposição, as imagens, em formatos variados, estão impressas em papel algodão.

“A minha questão é a relação humana. Todo este projeto tem como suporte a questão da relação entre as pessoas, mais especificamente, a relação entre pessoas nos centros urbanos, que, a meu ver, não de hoje, vem se deteriorando passo a passo”,  afirma o fotógrafo.

A execução do projeto prima pela delicadeza da apresentação das fotografias que, aliada à iluminação difusa, mas com foco pontual nas obras, forma um contraponto à imagem do lixo, da sujeira e do descaso em relação aos garis.

“Parto da constatação da fragilidade de relacionamento das pessoas que habitam os espaços urbanos com os garis, ou seja, os lixeiros, para refletir sobre as relações humanas nos espaços urbanos de forma geral. Os garis me apontaram uma brecha para uma reflexão sobre a condição humana contemporânea nos grandes centros”, ressalta.

A invisibilidade dos garis muitas vezes misturados com o lixo urbano o levou à reflexão sobre as relações humanas. “Talvez essa nossa reticência, essa nossa dificuldade em lidar com o lixeiro, o gari, tenha a ver com a dificuldade, na realidade, de lidarmos com a nossa própria condição humana, do lixo metafórico”, reflete Fernando Braune.

Poema e livro

Na abertura da mostra para convidados e imprensa, nesta quarta-feira (3), o ator Tomás Braune realizou a leitura do poema, fio condutor do livro ‘Invisíveis’, em uma performance vestindo um manto confeccionado de pano de saco de lixo costurado com resíduos de lixos descartáveis.

No dia 20, Fernando Braune lança também no espaço o “Livro Objeto – Invisíveis”, que contém 15 imagens fotográficas impressas em tecido de cetim, intercalados por outros tecidos, onde estará impresso o poema que faz parte da mostra.

No dia 10 de novembro, haverá uma visita comentada à mostra, aberta ao público em geral, com a participação do fotógrafo. Já no último dia da mostra, 18 de novembro, Fernando Braune conversará com os visitantes sobre o processo criativo das imagens. Ele receberá o público para um brinde e realizará o sorteio de uma fotografia.

Sobre o processo de criação

Primeiramente, Fernando Braune fez a impressão das fotos em papel 100% algodão, onde sofreram interferências diretas de lápis pastel seco e carvão. Após, mais uma interferências a mão com lápis pastel e carvão. Em seguida, foram fotografadas e levadas ao computador para serem sobrepostas umas sobre as outras no mesmo espaço de representação. E por último, foram impressas.

Como suporte foram usadas placas pluma ou impressas diretamente em placas de PVC e acrílico. Foi criado um painel com imagens impressas em tecido de cetim e bordadas sobre outro tecido fazendo um mosaico de imagens. A ideia é um manto de resíduos encontrados nas ruas pelos garis.

O livro tem capa e contra capa de material acetato duro, onde estarão “envelopados” e prensados a quente em seu interior, material de resíduos descartáveis, fazendo jus ao tema do livro. Cada livro será um objeto único, visto que a prensagem a quente dos acetatos compreendendo os resíduos descartáveis proporcionarão sempre diferentes capas e contra capas.

Sobre Fernando Braune

Autor dos livros “O Surrealismo e a Estética Fotográfica”, “O Cinema e Linguagem Fotográfica”, “Temporalis” e “Querubins de Grota”, Fernando Braune já teve trabalhos publicados em várias revistas internacionais e livros de arte, além de realizar palestras em diversos centros culturais.

Na Itália, ele recebeu duas premiações: Prêmio Nápoles para a arte Contemporânea (2014) e o prêmio Arte Latino-Americana, em Milão (2016). Ele foi representado na Europa pela Galeria Monteoliveto e em Nova York por Duetto Arts.

Entre as principais exposições estão: Parallax Art Fair, Londres; Agora Gallery, Nova York; Galeria de Arte Colorida, Lisboa; Mestre em Arte Contemporânea, Florença; III Bienal Internacional de Fotografia da Catalunha, Barcelona; Galeria Monteoliveto, Nice; Feira de Arte de Nice Acrópole; Art 3F Mulhouse; AAF Milano 2015 – Milão; Arte Monaco’15 – Mônaco; AAF Estocolmo; Galeria PAKS, Carrousel du Louvre (Paris); Spazio Tadini (Milão); Galerie Etienne de Causans (Paris); Arte Latino-americana – Milão e Duetto Arts – Nova York.

No Rio de Janeiro, já expôs suas obras no Centro Cultural do Tribunal Federal; Centro Cultural Energisa; Museu Nacional de Belas Artes  e Centro Cultural Justiça Federal, além da Galeria de Fotos da UFF e Museu de Ingá, em Niterói (RJ).

Serviço:

Mostra Invisíveis – Fotos – Instalação de Fernando Braune

Centro Cultural do Correios – Rua Visconde de Itaboraí 20, 2° andar, Centro, Rio de Janeiro

De 4 de outubro a 18 de novembro de 2018

Terça a domingo, das 12h às 19h

Entrada franca

Livre para todas as idades

Acessibilidade

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