Investimentos

Tishman Speyer mantém os planos de investimentos no Rio

O presidente da Tishman Speyer no Brasil, Daniel Cherman, disse ao DIÁRIO DO PORTO que o Rio e o Porto Maravilha são prioritários no pós-pandemia

12 de maio de 2020
Daniel Cherman, da Tishman Speyer, diz que lançamento residencial e nova torre comercial continuam nos planos da empresa (foto: Divulgação)

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Um dos maiores investidores no mercado imobiliário do Rio, a empresa Tishman Speyer, mantém seus planos de expansão na cidade, tão logo seja superada a crise do novo coronavírus. Essa é a determinação demonstrada pelo seu presidente no Brasil, Daniel Cherman, em entrevista ao DIÁRIO DO PORTO.

Cherman, um carioca que está na empresa há 19 anos, possui grande experiência no trabalho em aquisições e financiamento de empreendimentos imobiliários, bem como na área de projetos e construção de escritórios comerciais. Em sua longa carreira, também conduziu negociações com investidores estrangeiros e fundos de pensão.

A Tishman Speyer, presente em cerca de 30 países, com investimentos de US$ 88 bilhões, é a responsável pela construção e gestão do Aqwa Corporate, um dos mais modernos edifícios do país, localizado no Porto Maravilha. Antes da pandemia, a empresa havia superado a marca de 70% de ocupação dos 21 andares do prédio, fechando acordos para a instalação das sedes de grandes grupos, como a Enel Brasil, maior distribuidora de energia do país; Icatu, uma das maiores seguradoras brasileiras e a Caixa Econômica Federal.

Já se preparando para o cenário pós-pandemia, Cherman afirma que o “mercado imobiliário do Rio de Janeiro manterá suas características, com carência de espaços de qualidade, que atendam às necessidades das empresas, ainda mais dentro de um novo padrão de bem-estar, eficiência e de uso dos escritórios”.

Para ele, “as pessoas já identificaram o impacto que grandes deslocamentos causam em seu cotidiano. Mais do que nunca, localização e fácil acesso serão aspectos fundamentais“. Por esses fatores, Cherman acredita “que a Região do Porto permanece sendo o caminho natural de desenvolvimento da cidade e será o destino das companhias que desejam manter suas equipes dentro de uma nova realidade, pós-pandemia”.

Cherman é objetivo e claro em seus propósitos. Veja a seguir os principais trechos de sua entrevista:

DIÁRIO DO PORTO: Qual é a projeção para o cenário pós-pandemia, no mercado imobiliário do Rio?

Cherman: Mesmo diante da crise gerada pelo novo coronavírus, sabemos que em algum momento sairemos desse quadro de pandemia. Nesse sentido, é importante lembrar que o mercado imobiliário do Rio de Janeiro manterá suas características, com carência de espaços de qualidade, que atendam às necessidades das empresas, ainda mais dentro de um novo padrão de bem-estar, eficiência e de uso dos escritórios. Além disso, as pessoas já identificaram o impacto que grandes deslocamentos causam em seu cotidiano. Mais do que nunca, localização e fácil acesso serão aspectos fundamentais. Por isso, acreditamos que a Região do Porto permanece sendo o caminho natural de desenvolvimento da cidade e será o destino das companhias que desejam manter suas equipes dentro de uma nova realidade, pós-pandemia.

DIÁRIO DO PORTO: Como a Tishman Speyer está mantendo seus trabalhos durante esse período de isolamento social? Há atividades no Aqwa Corporate?

Daniel Cherman: Desde meados de março, nossas equipes dos escritórios do Rio de Janeiro e São Paulo estão trabalhando em sistema de home office. Nos edifícios de nossa propriedade – como é o caso do AQWA Corporate –, ou que estão sob a nossa administração, mantivemos toda a estrutura necessária para que os inquilinos utilizem seus escritórios conforme suas próprias políticas. Seguimos rigorosamente todas as recomendações das autoridades públicas de saúde, mantendo os ambientes comuns higienizados, com avisos sobre distanciamento e outras condutas para evitar a contaminação pelo novo coronavírus.

DIÁRIO DO PORTO: Quais os aprendizados, em termos de organização do trabalho, que essa crise está trazendo?

Cherman:  Por conta do ambiente global do nosso modelo de negócio, reuniões de trabalho a distância são frequentes. Nossas equipes estão presentes em vários países e mantêm contato muito próximo. O que estamos aprendendo nessa pandemia é como manter nossas equipes locais, acostumadas ao contato pessoal diário, focadas e produtivas. Para isso, a atenção com o bem-estar das pessoas é importante. O contato visual, por meio das ferramentas de video-chamadas disponíveis, é fundamental.


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DIÁRIO DO PORTO: Como os impactos da pandemia do coronavírus estão afetando os negócios atuais, especialmente os novos contratos para ocupação do Aqwa Corporate?

Cherman:  O impacto da pandemia é global e tem afetado muito mais setores como o do turismo e da aviação, entre outros, o que não inclui os inquilinos do AQWA.

DIÁRIO DO PORTO: Quais os reflexos para os planos do lançamento residencial, Lumina, e para uma possível segunda torre de escritórios, ambos no Porto Maravilha?

Cherman: Tanto no caso do Lumina, quanto a da segunda torre do Aqwa, o planejamento continua o mesmo. Ou seja: os projetos serão retomados conforme a demanda do mercado.

DIÁRIO DO PORTO: Como a Tishman Speyer vê o futuro dos negócios no Rio, em especial, e no Brasil?

Cherman:  Passamos por outras crises no Brasil e, em especial, no Rio de Janeiro, embora esta seja mais séria e profunda do que as anteriores. Mas a nossa visão de longo prazo permanece. Continuamos trabalhando de acordo com o cenário, para que nossos empreendimentos estejam bem posicionados no momento em que o mercado retomar a sua atividade.