Gente

Tia Lúcia é homenageada pelo Escravos da Mauá

Artista baiana de 76 anos que morreu no último dia 9 tem missa de sétimo dia neste sábado (15) e roda de samba do Escravos da Mauá no domingo (16)

14 de setembro de 2018
Tia Lúcia, que morreu em setembro, deixou uma importante obra pela cultura negra no Rio (Foto: Divulgação)

Compartilhe essa notícia em sua rede social:
Tia Lúcia pintava quadros usando materiais recicláveis (Foto: Porto Maravilha)

A Zona Portuária chora a perda de Tia Lúcia. Mulher, negra, artista, a baiana Lúcia Maria dos Santos faleceu no dia 9 de setembro, aos 76 anos, deixando um legado artístico e cultural para a região, especialmente para as novas gerações.

Ela fazia quadros com material reciclável e organizou exposição com produção artística local, além de oferecer oficinas gratuitas para crianças da região, utilizando materiais recicláveis para a construção de brinquedos, pintura e teatro. Neste projeto de valorização da cultura popular, ensinava cantos de samba de roda e histórias da ancestralidade negra presente na área.

Neste sábado (15), às 10h, será celebrada a missa de sétimo dia na Igreja Matriz de Santa Rita. A roda de samba Escravos da Mauá faz uma homenagem a ela no encontro Prainha Móvel, que acontece neste domingo (16), em frente à Rua Dois de Dezembro.

tia lucia - foto escravos da mauá
Tia Lúcia é homenageada em na roda de samba Escravos da Mauá (Foto: Reprodução do Facebook)

“Impossível esquecer o dia em que Tia Lucia apareceu pela primeira vez dançando na sacada de um dos sobrados do Largo da Prainha, durante uma roda de samba do Escravos da Mauá. Essa grande representante da região portuária vai ficar para sempre em nossos corações e para ela cantaremos no próximo encontro Prainha Móvel. Aquele abraço, Tia Lucia!”, convidam os organizadores.

tia lucia - foto porto maravilha2
Tia Lúcia fazia oficinas com materiais recicláveis para crianças da região (Foto: Porto Maravilha)

“Se a Lúcia foi uma mulher, foi uma menina primeiro, que lutou muito para conseguir o que tem”, conta Tia Lúcia, em vídeo gravado em 2016 no Instituto Pretos Novos (veja abaixo).

Segundo ela, sua mãe trabalhou para o ex-presidente Castelo Branco, que governou a velha República na década de 60.  “Aos 8 anos, ele falava que eu ia valer ouro”, relembrava a baiana, que já trabalhou em lavouras. Na gravação, ela fala que via e ouvia vozes de crianças negras, saídas das paredes.

 

O legado de Tia Lúcia espalhado nas ruas

Tia Lúcia deixou obras expostas por toda a cidade, em especial pela Região Portuária, frutos das mostras de seus trabalhos no Instituto Pretos Novos (IPN), no Museu de Arte do Rio (MAR) e no Centro Cultural José Bonifácio (CCJB).

Moradora do Morro do Pinto, ela também foi tema e referência para outros artistas. Sua imagem está gravada na escadaria de acesso ao Morro da Conceição, obra de arte a céu aberto na Travessa do Liceu, por trás do Edifício A Noite.

“No Ateliê da Tia Lúcia, é só amor, alegria, compreensão pelos outros. Quem chegar é sempre bem chegado”, dizia ela, que oferecia oficinas gratuitas de arte e história oral no Instituto Pretos Novos, refletindo o espírito comunitário do bairro.

Fonte: Porto Maravilha, com Redação

Compartilhe essa notícia em sua rede social: