Tesouro da História no zoológico do Rio | Diário do Porto


História

Tesouro da História no zoológico do Rio

Mais de 30 mil peças do Império e do início da República são descobertas durante obras de modernização do zoológico do Rio. Parte ficará à mostra

5 de abril de 2019

Sítio arqueológico foi descoberto no RioZoo (Marcelo Piu/Prefeitura)

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Um tesouro arqueológico, com mais de 30 mil peças, foi encontrado durante as obras de modernização do zoológico do Rio de Janeiro, o RioZoo. Os objetos são do início do século 19 até os primeiros anos do século 20. Contam um pouco da história do país e da Quinta da Boa Vista, que abrigou a família imperial.

No século 19 havia no local uma vila de funcionários do Palácio Imperial. Há vestígios de um quartel construído após a Proclamação da República sobre algumas das antigas casas para apagar o passado monárquico. Há louças, xícaras, pratos, talheres, ferraduras e até botões e broches de roupa com o brasão imperial, oriundos das roupas de militares.

Entre ursos, a história do Brasil

Parte dos objetos será mostra permanente na antiga sede do zoológico do Rio, onde funcionou uma escola de formação técnica para os trabalhadores do Palácio da Quinta da Boa Vista. A escola foi inaugurada por Dom Pedro II. Era mista, para meninos e meninas, o que foi uma inovação para a época. Além disso, recebia filhos de escravos.

A estrutura do quartel será incorporada ao roteiro de visitação do RioZoo, dentro da Biosfera dos Primatas, Ursos e Animais Aquáticos, uma interação entre meio ambiente e cultura. A primeira vez que a construção apareceu em um mapa foi em 1910, mas em jornais de anos anteriores há referências às obras. A atração deve ser aberta ao público no fim do ano.

Museu Nacional: acervo voltará para casa

A maior parte do acervo voltará à sua antiga casa: será destinada ao Museu Nacional, destruído por um incêndio no ano passado.”Acreditamos que muitos objetos foram doados pelo palácio para os moradores do entorno. Funcionava como política de boa vizinhança”, conta o arqueólogo e historiador Filipe Coelho, diretor da Autonomia, empresa responsável pelo mapeamento e resgate do patrimônio descoberto.

Muitos itens são de alto valor: vieram da Europa com a Família Real, que chegou ao Rio de Janeiro em 1808. “Descobrimos um tipo de cerâmica mais nobre, chamada faiança, que apresenta pinturas. Isso não era comum entre a população mais pobre. Só depois que esse material virou moda. Os movimentos que aconteciam na Quinta, em pequena escala, depois se refletiam para o Brasil todo”, diz Coelho.  

Os trabalhos de escavação e resgate foram acompanhados por técnicos do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e funcionários da Fundação RioZoo. “Além da função educativa e de conservação dos animais, os visitantes vão ter contato com objetos que datam do período imperial, com uma exposição permanente, com descrição de cada item e sobre o período”, orgulha-se a presidente da Fundação RioZoo, Suzane Rizzo.

 


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