Técnica transforma lixo em adubo na Ilha de Paquetá | Diário do Porto

Sustentabilidade

Técnica transforma lixo em adubo na Ilha de Paquetá

A Ilha de Paquetá, na Baía de Guanabara, recebeu o projeto Aduba Rio, que busca aproveitar os resíduos da Ilha por meio da compostagem

19 de janeiro de 2021
Secretário despeja materiais orgânicos para formar novos compostos, como adubos de terra e fertilizantes (foto: divulgação)

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A Ilha de Paquetá ganhou o programa Aduba Rio, que utiliza a técnica de compostagem, ou seja, nem todo o lixo descartado fica sem utilidade. Plantas, fezes e outros resíduos de origem vegetal e animal que se acumulam sobre o solo são transformados em outros produtos, que ajudam a manter a terra em perfeito estado.

O projeto, elaborado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, tem o apoio da Subprefeitura das Ilhas e da Comlurb, e será liderado pelo movimento social Plantar Paquetá. O programa vai garantir a captura de até 300 quilos de resíduos orgânicos por dia e, daqui a sete meses, 950 quilos de adubo por mês.

A compostagem é um processo biológico em que os microrganismos existentes no solo transformam a matéria orgânica – como estrume, folhas, papel e restos de comida – em material com características semelhantes ao solo, o adubo.

De acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente, Eduardo Cavaliere, o objetivo é reduzir o envio de resíduos da ilha para o continente, incentivando uma cadeia sustentável. “O Rio, que tem 28% do território cobertos por unidades de conservação municipais, precisa incentivar práticas que dialoguem com uma cultura de baixo carbono. A compostagem é um ganha-ganha social e ambiental: evita que toneladas de restos de comida sigam ao aterro sanitário. É menos emissão de gases do efeito estufa e mais combustível natural para as florestas.“


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A inciativa também contribuiu para a gestão correta dos resíduos sólidos e, portanto, a melhoria do meio ambiente urbano. Em Paquetá, sete leiras de compostagem, onde o material é transformado em adubo, serão instaladas no Parque Natural Municipal Darke de Mattos, criado em maio de 1975. O local guarda vestígios de meados do século XVIII, como antigos túneis abertos pelos jesuítas para a exploração de jazidas de caulim, um tipo de mineral.

A secretaria informou que os compostos produzidos serão usados na floresta de Mata Atlântica do local, que tem 7 hectares. “Este é um projeto de forte impacto na educação ambiental. Os moradores de Paquetá desenvolvem trabalhos muito importantes de conscientização e contamos com todos eles para que o Aduba Rio seja um sucesso“, destaca a diretora de Educação Ambiental, Márcia Costa.

Ilha de Paquetá
Compostagem é realizada no Parque Natural Municipal Darke de Mattos (foto: divulgação)

Como fazer compostagem em casa

Dentro de casa, é possível fazer adubo com o lixo gerado no dia a dia. Com ajuda de uma composteira, que também pode ser feita com material reciclado, os restos orgânicos contribuem para criação de uma horta ou jardim.

Confira as dicas:

– Separe três caixas plásticas empilháveis com tampa.

– Fure o fundo de duas caixas com buracos de 0,5 cm de diâmetro.

– Forre uma das caixas furadas com terra e minhocas, enterrando o material orgânico misturado com o dobro de matéria seca bem picada.

– Empilhe todas as caixas e coloque a tampa. O recipiente furado deve ficar no topo, o recipiente cheio fica ao meio e sem furos por baixo, para que armazene o chorume.

– Coloque a caixa do meio em cima sempre que ela estiver cheia. As minhocas ficarão na parte superior, produzindo o húmus.

– Despeje o lixo orgânico na caixa vazia, enquanto o chorume escorre nela, adubando. Depois de 50 dias, você já pode usar o produto dessa compostagem como adubo.