Tapetão tira ouro no peso e Futebol de 5 leva ao recorde | Diário do Porto

Nas esquinas de Tóquio

Tapetão tira ouro no peso e Futebol de 5 leva ao recorde

O que o tapetão tirou de Thiago Paulino no peso o Futebol de Cinco conquistou. Vitória sobre a Argentina garante ao Brasil melhor campanha paralímpica da história

4 de setembro de 2021


Nonato comemora gol do penta paralímpico do Futebol de 5 (Ale Cabral/CPB)


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Nas esquinas de Tóquio

Vicente Dattoli

Existem situações que não têm explicação. Nem vale a pena buscá-las. Quando a seleção brasileira de futebol de 5 derrotou a Argentina, na manhã deste sábado, mais do que conquistar pela quinta vez consecutiva o ouro no esporte, o Brasil superava a marca de Londres/2012 e chegava a 22 medalhas douradas – sua melhor participação numa Paralimpíada. E nem adiantou a China tirar uma delas no tapetão.

A vitória do Brasil sobre a Argentina, por 1 a 0, com um golaço de Nonato, encerrou uma campanha perfeita: melhor ataque, melhor defesa (não sofremos um gol sequer) e a manutenção de uma invencibilidade que vem desde a primeira edição dos Jogos em que o futebol de 5 foi disputado.

Em Atenas 2004, vejam só, nossa rival na decisão também foi a Argentina. Depois, vieram a China, em Pequim; a França, em Londres; e o Irã, no Rio de Janeiro. Todos derrotados. Cinco Jogos Paralímpicos seguidos, cinco primeiros lugares, nenhuma derrota. Como disse, melhor não buscar explicação para o fato de ser esta deliciosa hegemonia a responsável pelo nosso recorde.


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Chinês tira ouro de brasileiro no tapetão

Se, no entanto, voltarmos algumas horas no tempo, aí mesmo é que perceberemos que o esporte está totalmente imerso nesse universo das coisas inexplicáveis. Thiago Paulino foi, na quinta-feira, dormir como medalha de ouro e recordista mundial no arremesso do peso.

Ali o Brasil igualara as conquistas de Londres, 21. Só que os chineses entraram com protesto na Corte de Apelação (já tinham reclamado com os árbitros de pista, sem sucesso) e, curiosamente, todas as marcas de Thiago que superavam a do seu atleta, Wu Guoshan, foram anuladas.

Questionado, o Comitê Paralímpico Internacional não divulgou as cenas que “provariam” os erros. Resultado? De campeão olímpico, Thiago Paulino caiu para a terceira colocação – na premiação, no pódio, ele protestou, mostrando que seu lugar de direito era o mais alto do pódio. Bem… Tínhamos voltado às 20 medalhas de ouro. A 21ª, então, acabou chegando com a canoagem.

Isso mesmo, a canoagem que nos Jogos Olímpicos trouxe para o estrelato o baiano Isaquias Queiroz, acabou sendo a responsável pelo 22º ouro (oficial) do Brasil em Tóquio, com Fernando Rufino. Rufino liderou a prova desde a largada e cravou o ouro, deixando, então, a quebra do recorde para a invencível equipe do futebol de 5.
No penúltimo dia de competições da Paralimpíada, vários atletas brasileiros foram ao pódio, além dos ganhadores do ouro. Foi assim com a dobradinha (prata e bronze) de Thalita e Jerusa nos 200m para pessoas com deficiência visual; para o time feminino de vôlei sentado, bronze batendo o Canadá; e Thomaz e Petrúcio, nos 400m (outra vez prata e bronze). Tóquio 2020/2021, definitivamente, entrou para a história do esporte paralímpico brasileiro.