Sundog Brewig, a cerveja do Porto Maravilha | Diário do Porto


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Sundog Brewig, a cerveja do Porto Maravilha

A Sundog é produzida na Rua Pedro Ernesto, na Gamboa. Confira também as 11 cervejas premiadas no Mondial de la Bière, que acontece no Píer Mauá

5 de setembro de 2019

Sérgio e Arthur Chagas são sócios da Sundog, cervejaria que fica no Porto Maravilha (Foto: DiPo)

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Caio Garritano

Entre as 130 cervejarias presentes no Mondial de la Bière, o DIÁRIO DO PORTO encontrou uma prata da casa. Produzida na Rua Pedro Ernesto, na Gamboa, bem no caminho dos trilhos do VLT, a Sundog Brewig chega a 5 mil litros de cerveja por mês e muitas histórias para contar.

Uma das histórias é a da cerveja Black Magic, inventada em homenagem às mulheres queimadas na Idade Média como bruxas. É um dos 11 rótulos da Sundog, quatro deles lançados nesta edição do Mondial. É feita com malte torrado, sal marinho, canela e borra de café. Eram os ingredientes mágicos usados pelas “bruxas”. Dá barato! 

A Sundog Brewig participa pela terceira vez do Mondial de la Bière, a cuja história está ligada umbilicalmente. Em 2013, os dois Chagas – Sérgio é tio de Arthur – foram ao Mondial, que ainda era realizado no Terreirão do Samba. E lá descobriram que é possível fazer cerveja em casa. Daí para virarem empreendedores foi um pulo. Ou um gole. “Alguns estandes já faziam isso no festival, e nós resolvemos fazer também”, recorda Arthur.

O tio e o sobrinho, na época, tinham uma banda de música chamada Sundog, e começaram a levar a cerveja para os shows, como um atrativo extra. “Com o tempo, eles começaram a ficar mais interessados na cerveja do que na banda, e como música no Brasil não dá dinheiro mesmo, a gente começou a investir”, contou Sérgio, entre risadas e arrumações de copos e garrafas na prateleira do estande.

A cerveja começou a ser feita em uma panela de dez litros no apartamento de Sérgio em Copacabana. Em quatro anos, uma panela maior, de 50 litros, já não dava conta do recado, e eles precisaram de um lugar maior. Encontraram o galpão de um amigo na Rua Pedro Ernesto, entre a Praça da Harmonia e o Centro Cultural José Bonifácio, e criaram coragem para abrir uma empresa de verdade, com equipamentos de gente grande.


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Não foi só pela proximidade com o Píer Mauá, onde acontece o Mondial de la Bière, que a Sundog se encaixou na Gamboa. “Está no centro da cidade e, ao mesmo tempo, afastada, o que facilita a chegada de caminhões com os fornecimentos”, diz o empreendedor. A estação do VLT fica bem pertinho, na Praça da Harmonia. “A gente está muito feliz, é um lugar subaproveitado do Rio de Janeiro, e as pessoas um dia ainda vão perceber isso”, contou.

A logomarca da Sundog tem três lobos, um símbolo da união da família. O terceiro representa o filho de Sérgio, que é afilhado de Arthur. O nome da banda, herdado pela cervejaria, tinha inspiração na mitologia nórdica. Os rótulos são cheios de histórias, como todo cervejeiro que se preza.

A Sahti é uma bebida do século IX, encontrada em uma barco naufragado no Mar do Norte e hoje exposto no Museu de Oslo. “Dentro dele havia barris com junípero, centeio e levedura de pão, os ingredientes dessa cerveja”, conta Sérgio.

Cada um dos rótulos da Sundog possui uma história por trás
Stand da Sundog na 7ª edição do Mondial de la Bierre no Rio de Janeiro (Foto:DiPo)

Para esta 7ª edição do Mondial de lá Bière, a quinta realizada no Pier Mauá, a Sundog está trazendo quatro novos rótulos, além dos sete já existentes. Uma das caçulas é a Black Magic, a das bruxas. Depois de domingo 8, quando o Mondial encerra sua edição, a dupla da Sundog começa a se preparar para o festival do ano que vem. Segredo do sucesso: prestar o máximo de atenção ao que o público diz para aprimorar a produção.

“A cerveja demora pra ficar pronta, algumas levam até quatro meses. Então não da pra fazer em cima da hora. A gente precisa calcular tudo muito certinho para não ter susto na hora do evento”, diz Arthur. Não podem bobear, pois vendem mais de 300 litros no Mondial.

Caprichar no sabor é o esforço para se destacar em um mercado cheio de concorrentes. Por enquanto, os custos são os de uma “cervejaria cigana”, como são chamadas as cervejarias intermitentes, que produzem em pequenas quantidades. “A gente busca o melhor lugar e o melhor equipamento para produzir aquela determinada cerveja. Acaba tendo um investimento um pouco menor, pois não precisamos criar um chão de fábrica completo.” Já a “cervejaria de planta” precisa de capital bem maior para construir um chão de fábrica completo e ainda atender todas as exigências dos ministérios”, explicou Sérgio. O DIÁRIO DO PORTO deseja boas vendas à dupla da Gamboa.

As 11 premiadas do Mondial de la Biére

Já na primeira noite do evento, o Mondial de la Bière divulgou as melhores cervejas da edição. Dos 396 rótulos inscritos, 11 são escolhidos, sendo que 10 recebem a medalha de ouro, e uma a medalha de platina. A grande vencedora foi a Timeless Porter, da cervejaria Wonderland Brewery, uma porter com lactose e caramelo.

Os 12 jurados experimentaram todas as cervejas às cegas, sem qualquer informação sobre os produtos. As outras 10 cervejas premiadas foram:

Ris, uma Russian Imperial Stout da cervejaria Hood;
Guanabara Wood Aged, uma Imperial Stout da cervejaria Colorado;
White Sunrise, uma Wheat IPA da cervejaria Beach Brothers;
I’m Sour Baby, uma Sour Ale da cervejaria Three Monkeys;
Rock Me Baby, uma Barley Wine da cervejaria Antuérpia;
Mineira Sour Mirante, uma Catharina Sour da cervejaria The Doctor’s Brewery;
Acid Trip, uma Catharina Sour da cervejaria St. Patrick’s;
Red Raspberry Velvet, uma Fruitbeer da cervejaria D’Alaje;
Overburst, uma Kveik Juicy IPA da cervejaria Thirsty Hawks Farm Brewery;
Gravioh-la-la, uma Catharina Sour da cervejaria Overhop Brewery.


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