Submarinos da França: em risco no Brasil e mal na Austrália | Diário do Porto


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Submarinos da França: em risco no Brasil e mal na Austrália

Em Itaguaí, prossegue a construção dos submarinos do acordo entre Brasil e França. Franceses protestam contra os EUA, que impediu negócio com Austrália

17 de setembro de 2021

Submarinos do Prosub, como o Riachuelo S-40, são construídos em Itaguaí, no RJ (foto: reprodução da Internet)

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Enquanto a França teve frustrados seus planos de vender submarinos à Austrália, no Brasil segue o acordo de transferência de tecnologia francesa para a construção de quatro submarinos convencionais e um de propulsão nuclear, embora com risco de paralisação por corte no orçamento. O Prosub (Programa de Desenvolvimento de Submarinos) da Marinha é realizado em modernas instalações industriais no município de Itaguaí, a 70 km do Centro Rio.

Nesta semana, soube-se que os franceses negociavam a venda de submarinos para o governo australiano, mas os EUA e Reino Unido se anteciparam e firmaram um acordo com a Austrália pelo qual a França perdeu um negócio de quase R$ 193 bilhões. Bem mais do que R$ 37 bilhões, o último valor divulgado para o Prosub. Há dois meses, a Marinha informou que o programa pode ser paralisado, caso não haja aporte de recursos pelo Governo Federal. Em junho, o Ministério da Defesa solicitou R$ 1 bilhão ao Ministério da Economia, sendo que parte deveria ser usada para pagar compromissos do Prosub.

Esse acordo entre o Brasil e a França foi formalizado em 2009. Para viabilizá-lo, foi criada a ICN – Itaguaí Construções Navais, a empresa responsável por receber e reter a tecnologia francesa e que constrói os submarinos. O primeiro dos quatro submarinos convencionais, o S-40 Riachuelo, foi entregue pela ICN à Marinha em dezembro de 2018. Em agosto de 2019, começou a fazer as provas de mar, e a entrada em operação deve ocorrer neste ano. O Riachuelo integra uma classe de quatro submarinos com 2,2 mil toneladas, 76 metros de comprimento e quatro andares de altura.

A empresa define os submarinos convencionais da classe Riachuelo como os mais os modernos do mundo nesse segmento. Ela também será a responsável pela fabricação do primeiro submarino de propulsão nuclear do Brasil. Isso colocará o país no restrito grupo de construtores desse tipo de embarcação, junto com França, Estados Unidos, Reino Unido, China, Rússia e Índia.

Submarinos para proteger o pré-sal

Para a Marinha, o investimento no Prosub se justifica pela necessidade de proteger uma área de oceano com 4,5 milhões de km², equivalente a mais da metade do território continental do Brasil. Desse espaço, onde está o pré-sal, saem 91% do petróleo e 73% do gás natural nacionais.

Tal como o Brasil, a Austrália também não pretende ter armamentos nucleares, apenas a propulsão nuclear para impulsionar seus submarinos, que assim ganham mais velocidade e capacidade de ficar por mais tempo submersos. O acordo com os EUA e o Reino Unido dará acesso aos australianos à essa tecnologia, o que foi criticado veementemente pela China, por afetar seus interesses geopolíticos no oceano Pacífico.

Já pelo acordo entre Brasil e França, a transferência de tecnologia se limita ao desenvolvimento do casco do submarino nuclear e de seus sistemas, mas não chega à propulsão. Esta tecnologia é desenvolvida pela própria Marinha brasileira, em programa que recebe investimentos desde os anos 70 do século passado. Até recentemente, a previsão do Prosub era entregar o primeiro submarino nuclear brasileiro até o final desta década.


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