Economia

Setor de eventos cobra maior apoio governamental durante a crise

Profissionais de eventos do Rio dizem que ajuda atual dos governos é ineficaz, em debate promovido pela Apresenta Rio. Há risco para negócios e empregos

10 de maio de 2020
Profissionais de eventos do Rio participaram de debate pelo Zoom para discutir o futuro do setor e cobraram mais ações dos governos (Foto: Reprodução / Youtube)

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Em debate sobre a situação atual e as perspectivas das empresas de eventos no Rio, Antonio Florêncio de Queiroz Junior (presidente da Fecomércio–RJ e presidente do Conselho Sebrae–RJ) criticou as medidas governamentais para apoio ao empresariado e a seus empregados. “As medidas que estão sendo tomadas são medidas absolutamente ortodoxas, que poderiam até serem excelentes em um momento de normalidade. Neste momento elas são inócuas”, afirmou.

O debate foi realizado em ambiente virtual, na última quinta-feira, 7, pela Apresenta Rio, associação formada por diversas empresas da indústria do entretenimento. A discussão entre debatedores convidados teve como tema “A perspectiva do comércio do Rio na retomada e sua importância para os eventos”.

A pouca ajuda oferecida a esse setor pelos governos, segundo os convidados, pode agravar muito a situação financeira do país ao fim da pandemia. Além de Antonio Queiroz, foram debatedores André Marini (diretor regional da Editora Abril), João Marcello Barreto (presidente da Orla Rio) e Roberto Maciel (sócio do Grupo Pax).

A grande preocupação demonstrada no evento foi em relação aos pequenos e médios empreendedores, que são os maiores responsáveis pela geração de emprego e os que estão sendo mais afetados pela quarentena necessária ao combate da Covid-19. “Como falar de retomada, se a gente está prejudicando o presente”, disse o mediador, Pedro Guimarães, Presidente da Apresenta Rio.

 


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Segundo João Marcello Barreto, presidente da Orla Rio, responsável por 309 quiosques e 27 postos de salvamento, cerca de 70% dos donos de quiosques têm somente esse negócio para sobreviver. Para ajudar a proteger esses microempresários, segundo Barreto, foi realizada uma negociação com o iFood, serviço online de entregas alimentícias, de tal forma que o valor da intermediação do delivery seja menor. Também serão realizadas doações de mercadorias aos quiosques.

O comércio e o entretenimento têm uma relação muito próxima e são responsáveis por boa parte dos rendimentos do Estado. Para o presidente da Fecomércio, é importante que as autoridades compreendam o funcionamento desses dois setores. “O comércio tem uma dependência enorme da realização de atividades culturais, principalmente as que trazem um público grande de outras regiões do país”, diz.

O debate concluiu que ainda é cedo para saber quando será o final da pandemia, mas é imprescindível que todos estejam unidos para apoiar-se. Uma das ideias para tentar realizar novamente eventos de forma segura é o projeto GO LIVE Brasil – Juntos pelos Eventos. A iniciativa une profissionais experientes do setor de eventos de dez instituições da área (AMPRO, ABEOC, ABRACE, Abrafesta, ABRAPE, ALAGEV, Apresenta, ForEventos, UNEDESTINOS e UBRAFE).

Os empresários dizem que, embora o isolamento social seja fundamental neste período de pandemia e isso gere perdas significativas para os setores de comércio e eventos, é importante que seja oferecido meios para que, ao final da crise, os setores possam voltar a funcionar sem que a maioria tenha falido por falta de incentivos e o país perca parte significativa de suas vagas de emprego.

“Quem gera riqueza é o setor privado. Está na hora de sermos reconhecidos como geradores de riquezas e auxiliados neste momento. Porque sem empresas fortes a economia não conseguirá se recuperar, os empregos não se recuperarão e as diferenças sociais no nosso país, que já são imensas, vão se acentuar”, ressalta Antonio Queiroz.

Novos debates serão promovidos nas próximas quintas-feira. Para assistir, basta acessar a transmissão pelo Zoom, site da instituição ou pelo Youtube, no canal da Apresenta Rio.