Leitura sem compromisso | Diário do Porto


Literatura

Leitura sem compromisso

Quem disse que literatura precisa ser séria? Em sua coluna da semana, Olga de Mello indica três livros para quem busca leitura leve e sem compromisso

27 de março de 2022

A escritora best-seller de romances policiais Agatha Christie é personagem de um dos livros indicados por Olga de Mello em sua coluna da semana (reprodução/internet)

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A falta de compromisso com a seriedade da leitura deveria ser o primeiro mandamento do leitor. Ao menos do leitor que aprecia a leitura como lazer, não apenas para o engrandecimento cultural, pessoal ou acadêmico. Mesmo os mais sofisticados leitores têm esqueletos no armário. Thrillers biografias eram vistos como de interesse banal até por uma das mais prolíficas escritoras de todos os tempos, Agatha Christie, que em um de seus romances faz um policial descrever um assassinado como “um leitor comum de livros de suspense e biográficos”.

E são os breves apontamentos sobre as ideias rascunhadas pela escritora em 73 cadernos que John Curran, especialista na obra da “Rainha do Crime”, reuniu em “O incidente da bola de cachorro & textos extras de Agatha Christie (Ed. Leya, R$  20). Além de um conto inédito, Curran conta que se hospedou (!) na casa de Agatha, quando pôde fazer uma boa pesquisa sobre seu trabalho. Pouco metódica, ela costumava rabiscar as ideias para diferentes histórias ao lado da lista de compras ou de presentes de Natal. Hoje apontada como autora por pelo menos uma obra-prima – “E só restou um”, antes conhecido como “O caso dos dez negrinhos”, Agatha Christie têm resistido aos mais severos críticos e encantado o mundo, com mais de quatro bilhões de cópias vendidas de seus livros, traduzidos em 103 idiomas.

 

Compromisso com a leitura

Se Agatha Christie popularizou o policial para gerações de adolescentes, embora seus personagens sempre fossem adultos, o thriller teen é uma tendência que se alastra entre escritores devotados a tal público. O sucesso e a qualidade de “Um de nós está mentindo” (Galera Record, R$ 38) da americana Karen M. McManus, que já está no quarto título com a mesma temática de misteriosos crimes cometidos contra/por jovens colegiais, abriu um nicho que a inglesa Holly Jackson segue em “Manual de assassinato para boas garotas” (ed. Intrínseca, R$ 39,90), em que uma secundarista decide investigar um homicídio e um suicídio ocorridos cinco anos antes em sua pequena cidade do interior da Inglaterra. A narrativa ágil e os personagens bem delineados fazem do suspense um vira-página clássico.

Sob o pseudônimo de Christina Lauren, as americanas “Christina Hobbs e Lauren Billing” têm uma parceria bem-sucedida na produção de romances chick-lit picantes e divertidos. “Imperfeitos” (Faro Editorial, R$ 39,90) vendeu mais de um milhão de cópias e teve os direitos comprados para adaptação cinematográfica. Claro que é! Um casal de noivos e todos os convidados para o casamento adoecem com intoxicação alimentar. Para não perder as passagens para a lua de mel no Havaí, Olive, irmã da noiva, e Ethan, irmão do noivo, os únicos a não provarem o banquete, são escalados para aproveitarem a viagem, não reembolsável. Olive e Ethan se odeiam e terão que se suportar por alguns dias até o inevitável enamoramento. Um enredo perfeitamente previsível para quem quer somente um pouco de relaxamento e distração!


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