Sede da Cruz Vermelha é tombada como patrimônio cultural | Diário do Porto

História

Sede da Cruz Vermelha é tombada como patrimônio cultural

Depois de 30 anos, prédio da Sociedade da Cruz Vermelha do Brasil é tombado pelo Iphan. Conheça a história e detalhes desse patrimônio arquitetônico e cultural

20 de julho de 2021


Edifício-sede da Cruz Vermelha Brasileira no Centro do Rio de Janeiro (Fotos: Tânia Rêgo/Agência Brasil)


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O Centro do Rio de Janeiro ganhou mais um patrimônio cultural. Após 30 anos de espera, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) finalmente determinou o tombamento provisório do imponente Edifício-sede da Cruz Vermelha Brasileira, que completa 100 anos em 2023. O pedido de tombamento foi apresentado pela diretoria nacional da instituição ao Iphan pela primeira vez em 1988, quando o prédio já era tombado em níveis municipal e estadual.

Publicada no Diário Oficial da União do último dia 8, a medida reconhece a relevância do bem, inaugurado em 1923 na Praça da Cruz Vermelha, e que preserva características arquitetônicas do início do século XX. O imóvel passa a ter proteção federal contra destruição, demolição ou mutilação. Também não pode passar por nenhuma restauração ou modificação, como reparações, pinturas ou restauros, sem a devida autorização do Iphan. Não poderá ainda sofrer intervenções que prejudiquem a sua visibilidade, assim como cartazes ou anúncios.

“Com mais esse ato normativo, o edifício-sede da Cruz Vermelha passa a ser acautelado pelo Iphan. A partir de agora, o Instituto atua na preservação das características arquitetônicas e dos significados desse bem para a história e a cultura do Brasil”, afirma a presidente do Iphan, Larissa Peixoto. “De longe, dá pra ver a grandiosidade da edificação no Centro do Rio. É um prédio que demarca um importante momento da então capital da República.”

A instrução do processo de tombamento foi iniciada em 2001, a partir de estudos sobre a edificação. Além de registrar a qualidade arquitetônica do edifício-sede, especialmente fachadas, volumetria e hall, o parecer pelo tombamento destaca “a descaracterização de diversos espaços e materiais de revestimento que lhe retiraram a integridade arquitetônica internamente”. Não há prazo estabelecido para o tombamento definitivo, mas, caso se confirme, o processo será concluído com a inscrição do bem em um dos Livros do Tombo do Iphan.


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Cruz Vermelha: das guerras às mazelas

Entrada do edifício-sede da Cruz Vermelha no Centro do Rio (Fotos: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

A Cruz Vermelha foi instituída em 1908 para oferecer cuidados humanitários nas guerras do Século XIX. De acordo com o Iphan, “o tombamento provisório reconhece o valor histórico de uma instituição que atua na luta pela garantia de direitos humanos, com abrangência internacional”, ao oferecer “condições mínimas de humanidade diante de conflitos armados”. No Brasil, a instituição sempre esteve vinculada a situações de desigualdade social, catástrofes naturais e acolhida a refugiados. Na cúpula do prédio, está esculpida a cruz vermelha em fundo branco, que faz uma relação imediata com essa história.

Em 1912, o governo federal concedeu o terreno da esplanada do Senado à sede da instituição. O projeto arquitetônico foi concebido por Pedro Campofiorito (1875-1945), vencedor de concurso público, e as obras, iniciadas em 5 de outubro de 1919. As fachadas, a cobertura, a volumetria do hall e as escadas são características marcantes da edificação, que tem estrutura autoportante mista (pedra, cal e tijolo maciço), concebida em estilo eclético, de acordo com os padrões da arquitetura oficial da República na época.

Cruz-Vermelha
Prédio da Cruz Vermelha é cercado por praça de mesmo nome, construída pelo prefeito Pereira Passos (Foto: Divulgação)

A fachada principal da sede é circular, acompanhando a forma da Praça da Cruz Vermelha, esta resultado das grandes reformas urbanísticas iniciadas pelo então prefeito Pereira Passos, inspiradas nas mudanças da Paris do século XIX. A construção fez parte do projeto de modernização do Centro do Rio, criando o cruzamento das Avenidas Mem de Sá e Henrique Valadares e rua Carlos Sampaio.

Ocupando toda a quadra. que é delimitada pelas ruas Carlos Carvalho e Ulbaldino do Amaral e avenidas Henrique Valadares e Carlos Sampaio, “o bem cultural conserva características da época de sua construção, como elementos escultóricos, fenestração e embasamento”, explica o Iphan, autarquia federal vinculada à Secretaria Especial da Cultura e ao Ministério do Turismo.