Secretário do Ambiente alerta contra construções irregulares, no Rio | Diário do Porto


Sustentabilidade

Secretário do Ambiente alerta contra construções irregulares, no Rio

Eduardo Cavaliere promete ações da Prefeitura do Rio para combater ocupações ilegais e para a cidade ter produção própria de mudas, que hoje são importadas

24 de janeiro de 2021

Em entrevista ao DIÁRIO DO PORTO, Eduardo Cavaliere afirmou que o Rio será protagonista nas discussões sobre mudanças climáticas e sustentabilidade (Foto: Divulgação)

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O novo secretário municipal de Meio Ambiente do Rio, Eduardo Cavaliere, prometeu maior rigor contra construções irregulares em áreas de preservação e de risco, como beiras de rios, lagoas, matas ou encostas.

Durante live promovida pelo DIÁRIO DO PORTO, ele disse que essas ocupações, muitas vezes promovidas pelas milícias, não serão toleradas pela nova administração da Prefeitura do Rio. “Construções desse tipo não são legalizáveis. A população deve estar atenta para não comprar imóveis ou terrenos nessas situações. Nós vamos ser rigorosos contra esses abusos”, afirmou.

Eduardo Cavaliere também colocou como prioridade de sua gestão o controle de áreas de grande calor na cidade, por meio do plantio de árvores em ruas e praças, além do incremento no programa de hortas urbanas. Ainda destacou que o combate à poluição da Lagoa Rodrigo de Freitas cabe à sua secretaria, enfatizando que não vai fugir dessa responsabilidade.

“A cidade do Rio de Janeiro precisa protagonizar todos os debates envolvendo mudança climática e sustentabilidade”, afirmou Eduardo Cavaliere, durante a live Ações para reduzir a temperatura e aumentar os espações de convivência na cidade“, promovida pelo DIÁRIO DO PORTO, com a participação dos editores Antonio Carlos de Faria e Aziz Filho.

Durante a entrevista, Eduardo Cavaliere disse que problemas como desmatamento e ocupação desordenada, especialmente em áreas de preservação ambiental atingem diversas regiões do Rio. “Abandono não pode combinar com meio ambiente. O que acabou acontecendo nos últimos anos foi um caminhão de construções irregulares, que impactam diretamente o meio ambiente e a vida das pessoas. Não vamos permitir que isso continue acontecendo”, declarou.

Rio vai produzir mudas, que hoje são importadas de outros Estados

Ele também destacou que é papel da sua secretaria atuar para a redução da desigualdade no acesso aos recursos naturais. Como exemplo, Eduardo Cavaliere citou a existência de ilhas de calor na cidade, afetando principalmente bairros das Zonas Norte e Oeste e também no Centro. Uma solução contra esse aquecimento seria ampliar a arborização das ruas e praças, porém isso encontra uma barreira no Rio atualmente, que é a falta de produção própria de mudas para áreas urbanas.

Os viveiros de plantas da Prefeitura são especializados em mudas para encostas, com isso as árvores para plantio em áreas planas são importadas de outros Estados, o que encarece a iniciativa. “Precisamos enfrentar a desigualdade abissal que existe na cidade sob o ponto de vista de acesso aos recursos da natureza. Mas sem uma cadeia produtiva para arborização municipal, urbana, a gente não começa de lugar nenhum”, disse ele, prometendo medidas para mudar a situação.

Segundo Eduardo Cavaliere, a principal ilha de calor da cidade está na Praça Onze e seu entorno, no Centro. O local é rodeado de construções, sem qualquer cobertura vegetal ou áreas verdes. “Hoje a cidade do Rio de Janeiro não tem produção própria para plantar árvores em território urbano. A primeira coisa que nós estamos fazendo é adaptar nossos viveiros para que isso seja possível e que fique de legado para a cidade”, disse.

Live com Eduardo Cavaliere
Eduardo Cavaliere com os editores do DIÁRIO DO PORTO, Antonio Carlos Faria e Aziz Filho

Eduardo Cavaliere promete mais Unidades de Conservação

“A natureza tem muitas soluções que podem contribuir para nossa batalha contra as mudanças climáticas”, afirmou Cavaliere. “Temos que retomar e ampliar as nossas Unidades de Conservação, para que sejam áreas de preservação permanente, zonas de amortecimento pra gente não permitir que a vida das pessoas não seja colocada em risco”, ressaltou durante a live.

Recentemente, o secretário recebeu proposta de integrantes do movimento SOS Floresta do Camboatá para que a área, em Deodoro, seja transformada em Unidade de Conservação municipal. O prefeito Eduardo Paes já havia dito, logo ao assumir seu novo mandato, que vai buscar outro terreno na cidade para a construção de um autódromo, preservando as 200 mil árvores da floresta.

Eduardo Cavaliere destacou ainda que a nova gestão incentivará a expansão dos programas de agricultura urbana, como o Hortas Cariocas, em que são plantados alimentos em comunidades pobres da cidade. “O programa leva segurança alimentar e qualidade para territórios em que esse tipo de alimento não chega, além de promover a criação de postos de trabalho e qualificação de mão de obra”, enfatizou.

O Hortas Cariocas está na lista de ações classificadas como essenciais para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organizações das Nações Unidas. Atualmente, o programa conta com 3.720 canteiros, 24 hectares de áreas cultivadas, em 25 escolas e 24 comunidades. Em 2020, o programa registrou uma produção de 82 toneladas de alimentos, resultado 3,8% maior em relação a 2019, quando foram produzidos 72 toneladas.


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