Diário do Porto

Seca na Bacia do Rio Paraíba do Sul ameaça abastecimento de água

Rio Paraíba do Sul em São Fidelis RJ foto Divulgação

O índice do Reservatório Equivalente do Paraíba do Sul, que consolida os volumes dos reservatórios, opera com 32,21%, metade do ano passado (Foto: Rio Paraíba do Sul em São Fidelis (RJ) / Divulgação)

Dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) indicam que o início de 2026 figura entre os períodos mais críticos nos reservatórios monitorados na Bacia do Rio Paraíba do Sul, desde 1998, início da série histórica. A falta de chuvas, justamente no período mais chuvoso do ano, tem diminuído drasticamente o volume de água na bacia hidrográfica deste rio, ameaçando o abastecimento de cidades dos Estados do Rio, São Paulo e Minas Gerais.

O cenário de seca no entorno da bacia do Paraíba do Sul já acionou o alerta hídrico entre as cidades paulistas que usam o rio para a captação de água. O Comitê das Bacias Hidrográficas do Rio Paraíba do Sul (CBH-PS) faz o acompanhamento contínuo da situação, que envolve a verificação dos níveis dos reservatórios que atendem os municípios. 

O Rio Paraíba do  Sul é particularmente fundamental para 9 milhões de pessoasou aproximadamente 70% dos cerca de 13 milhões de habitantes da Região Metropolitana do Rio de Janeiro — que dependem direta ou indiretamente da água captada nele para o Sistema Guandu.

Esse sistema recebe águas do Rio Paraíba do Sul por transposição e é responsável pelo abastecimento da capital fluminense e de grande parte da Baixada Fluminense, incluindo municípios como Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Belford Roxo, São João de Meriti e Nilópolis.

O chamado Reservatório Equivalente do Paraíba do Sul — indicador que consolida os volumes dos reservatórios de  Paraibuna, Santa Branca, Jaguari e Funil — opera atualmente com apenas 32,21% do volume útil, praticamente a metade do registrado no mesmo período do ano passado, quando marcava 64,54%.

O indicador de Reservatório Equivalente é usado para representar, de forma integrada, a situação do armazenamento de água que impacta toda a Bacia do Rio Paraíba do Sul, permitindo comparar tendências e recortes históricos. Quando esse índice cai para patamares muito baixos para a estação chuvosa, cresce a preocupação com a segurança hídrica e a necessidade de medidas preventivas, como campanhas de uso racional e ajustes operacionais.

O contexto climático amplia o alerta. Entre outubro e novembro, a área com seca no Estado do Rio de Janeiro avançou de 66% para 100% do território, o maior percentual desde março deste ano. No mesmo período, 5% do estado entrou em condição de seca grave, o pior nível desde maio de 2020, quando o Rio passou a registrar integralmente o fenômeno no Monitor de Secas. Em São Paulo, a área com seca permaneceu estável em 100% entre agosto e novembro, com leve intensificação da seca grave, que subiu de 36% para 38%, o pior patamar desde outubro de 2024.


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