SDU x Galeão: Rio perde na retomada de voos pós-pandemia | Diário do Porto


Economia

SDU x Galeão: Rio perde na retomada de voos pós-pandemia

Estudo da prefeitura aponta prejuízos para a cidade na retomada de vôos pós-pandemia e atribui performance à falta de coordenação entre aeroportos

29 de junho de 2021

Galeão voltará a receber voos frequentes da colombiana Avianca. (Foto: Wikipedia)

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Mais querosene na disputa entre Santos Dumont e RioGaleão. Um estudo técnico da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Rio que deverá ser apresentado ainda esta semana ao prefeito Eduardo Paes mostra que a concorrência e a falta de coordenação entre os aeroportos da cidade prejudicam a economia local e podem dificultar a retomada pós-pandemia na cidade.

A nota técnica revela que, enquanto o país recuperou 60% da oferta de assentos em novembro de 2020, o Rio recuperou só 50%. A oferta de assentos no Galeão em novembro foi de 33% em relação ao nível pré-pandemia, e a de SDU, de 62%, como mostrou a coluna de Lauro Jardim, de O Globo, nesta terça 29. Cidades que não sofrem com essa concorrência conseguiram resultados acima da média nacional. É o caso de Brasília, que recuperou 61%, Salvador, 64; Recife, 78%, e Campinas, 98%.

O estudo deverá embasar o posicionamento da prefeitura contra a intenção do governo federal de designar o SDU como aeroporto internacional, o que valorizaria a concessão para a iniciativa privada, prevista para maio de 2022. O leilão do Santos Dumont (âncora de um pacote com outros aeroportos inexpressivos) terá lance mínimo de aproximadamente R$ 1 bilhão.

Ao Globo, o secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio, Chicão Bulhões, reafirmou não ser contra a concessão do SDU, mas sim ao modelo que está sendo adotado. “Nosso estudo mostra que (a concessão) irá prejudicar a economia da cidade e do estado do Rio. As premissas regulatórias da Anac precisam se adequar à realidade local”, disse.

Chico Bulhões, secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio, alerta para prejuízos à economia da cidade por falta de coordenação entre aeroportos (Foto: Prefeitura do Rio)

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Companhia aérea é quem decide, diz secretário da Anac

Em entrevista recente ao Globo, o secretário nacional de Aviação Civil, Ronei Saggioro Glanzmann, afirmou que não cabe ao poder público decidir sobre manter a operação no Santos Dumont exclusivamente para a ponte-aérea RJ-SP, Brasília e voos executivos, deixando todo o o restante da frota nacional para o RIOgaleão. Segundo ele, a escolha pelo destino dos voos fica a cargo exclusivamente da companhia aérea, observando a capacidade operacional do aeroporto.

”A companhia aérea pode voar para qualquer aeroporto, dependendo exclusivamente de capacidade operacional. A liberdade de voar é um princípio legal no Brasil; nenhum ente público poderá determinar para onde a companhia vai voar”, disse Ronei Saggioro Glanzmann. ”O que eles (governo) podem fazer é dar incentivos para os passageiros a determinados aeroportos, como, por exemplo, investir em segurança e facilidades de transporte”, explicou.

Ao site ”Agenda do Poder”, o ex-ministro da Aviação Civil Moreira Franco criticou o posicionamento de Glanzmann, seu ex-aliado. E previu que, caso sua frota aérea não seja ampliada, o RIOgaleão não se sustentará economicamente. ”Sem voos para conexão, o Rio jamais voltará a ser porta de entrada no Brasil, e o Galeão vai quebrar”, disse. O ex-ministro lembrou que quando o Tom Jobim foi inaugurado, em 1952, o Santos Dumont, criado 11 anos antes, só tinha voos para São Paulo, Belo Horizonte, Vitória e Brasília.

A licitação do SDU não prevê restrições em relação às operações do aeroporto e aos destinos do voos que partirão do terminal e os que chegarão à cidade. ”Para o setor público, infelizmente, fazer dinheiro com a concessão do Santos Dumont é mais importante do que ajudar o Rio a se recuperar”, criticou Moreira Franco.

 

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