Sátira de Dante em exposição no Palácio Tiradentes | Diário do Porto


Exposição

Sátira de Dante em exposição no Palácio Tiradentes

Histórico palácio ex-sede da Alerj recebe exposição com obras de artistas contemporâneos que promovem releitura de “A Divina Comédia”

2 de janeiro de 2022

"Divina Comédia" e Carnaval de Viareggio são inspirações para obras de exposição em cartaz no Palácio Tiradentes (Divulgação/Alerj)

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Paula Pires

Com um projeto arquitetônico greco-romano, o imponente Palácio Tiradentes, coladinho à Igreja São José, na rua Primeiro de Março, torna-se um novo marco cultural da cidade do Rio de Janeiro. Até o dia 15 de janeiro de 2022, estará em exposição, no salão nobre da casa, que já abrigou a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, “Dante e a Divina Comédia na sátira dos mestres do Carnaval de Viareggio”.

São obras de artistas contemporâneos italianos que fazem uma retrospectiva de vários momentos da história recente da política daquele país a partir da obra “A Divina Comédia” do mestre Dante Alighieri.

Curioso dizer que as obras expostas de artistas contemporâneos italianos retratam, de maneira irônica e com certo sarcasmo, a situação da política italiana dos anos 70: no inferno, o proletariado; no purgatório, a burguesia; no paraíso, os governantes.

Tal lá como cá em Terra Brasílis, a crítica não perdoa aqueles que estão no poder e vacilam. As obras levam à tona a narrativa dos vícios humanos de personagens da política; a expiação da culpa e a perda da esperança; o drama da vida dos migrantes.

Por outro lado, enaltece o amor em diversas facetas a partir do famoso verso de Dante Alighieri “L’amour che move il sole e l’altre stelle”, ou seja, o amor que move o sol e outas estrelas.

Esboço de Silvano Bianchi simboliza ameaça à cultura, ciência e pensamento (Divulgação/Alerj)

Todas os 17 esboços originais, reproduzidos e gravados no Brasil em ‘Canvas’, foram feitos a partir de carros alegóricos que desfilaram em diferentes edições do Carnaval de Viareggio, festa popular com 148 anos de tradição realizada na cidade da região da Toscana.


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Palácio Tiradentes abre as portas para a cultura

O subdiretor-geral de Cultura da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ), Nelson Freitas, pretende reverberar para a sociedade carioca de que o Palácio Tiradentes é um ‘Museu Vivo’ da memória política do país.

Estudioso em História e Música, ele conta que a origem deste palácio é datada de 1640, quando abrigou a Casa da Câmara e a Cadeia Velha. “Somente em 1926, é que foi inaugurado para dirigir a Câmara Federal, posto que Rio de Janeiro era capital do país”, lembra.

Para Freitas, receber uma exposição desta magnitude só reforça a relevância cultural do Palácio Tiradentes. “É um dos lugares com grande acúmulo de vivência e experiência para a construção da política e da democracia da nação brasileira”, declara.

Destaca, ainda, que quem for visitar a exposição concorrerá a uma tela que será sorteada ao fim da exposição.

Nelson Freitas adianta que, a partir de 2022, ano que marca os 100 anos do lançamento da pedra fundamental do Palácio Tiradentes, o salão nobre abrigará a exposição sobre a memória histórica do Bloco Cordão do Bola Preta, além de outros projetos, como os espetáculos musicais “Sons da Inconfidência” e “Sons da República”.

Serviço

Exposição Dante e a Divina Comédia na sátira doso Mestres do Carnaval de Viareggio

De segunda a sábado

Das 10h às 17h

Salão Nobre do Palácio Tiradentes

Rua Primeiro de Março, sem número, Praça XV

Até 15/01/2022


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