Santos Dumont não terá voos limitados a 500 km | Diário do Porto


Economia

Santos Dumont não terá voos limitados a 500 km

Proposta do prefeito de limitar o Santos Dumont para fortalecer o hub aéreo internacional do Galeão não será acatada pelo Ministério da Infraestrutura

3 de novembro de 2021

Aeroporto Santos Dumont se tornou alimentador de aeroportos de outros Estados, enfraquecendo o Galeão (foto: reprodução da Internet)

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O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, não deverá acatar a proposta do prefeito Eduardo Paes que quer limitar os voos no aeroporto Santos Dumont a um raio de 500 km. Essa limitação foi apresentada na consulta pública do edital de privatização desse aeroporto, que está aberta a sugestões até o próximo dia 8. O leilão deve ocorrer até março do próximo ano, pois Freitas quer finalizar o processo antes do prazo de desincompatibilização para quem vai disputar as eleições.

A proposta do prefeito, que só admite exceção para voos a Brasília, faria o Santos Dumont ter ligação apenas com São Paulo, Belo Horizonte e Vitória, entre as capitais brasileiras. Isso levaria as outras linhas aéreas para o Aeroporto Internacional do Galeão, o que fortaleceria a formação de um hub aéreo, com grande concentração de voos nacionais e internacionais. Ao mesmo tempo, o Galeão também poderia ter voos para as três capitais operadas pelo Santos Dumont, além de Brasília, o que lhe daria vantagem competitiva.

O fortalecimento do Galeão como um hub aéreo internacional é fundamental para toda a economia do Estado, pois, além de evitar que passageiros tenham que fazer baldeação e aumentar tempo de voo em rotas para o Rio, também estimula as operações de exportação e importação de produtos pelo aeroporto. Nos últimos anos, cada vez mais as empresas aéreas têm concentrado suas operações nos aeroportos de outros Estados, principalmente São Paulo, prejudicando a economia fluminense.

Santos Dumont deve continuar como âncora de aeroportos de Minas

Segundo o que o Diário do Porto tem ouvido de fontes que acompanham as discussões com o ministro, a única limitação admitida ao Santos Dumont será a do critério de número de passageiros. O edital deve estabelecer que o aeroporto central do Rio só poderá aumentar sua frequência de voos quando o número total de passageiros embarcados junto com o Galeão atingir 30 milhões de pessoas. Antes da pandemia, esse número estava próximo de 22 milhões, com cerca de 9 milhões embarcados no Santos Dumont.

Outra sugestão que também não deve ser acatada pelo ministro é a inclusão de aeroportos do Estado do Rio no bloco que tem o Santos Dumont como grande atração no leilão de privatização. Atualmente, de forma inexplicável, fazem parte do pacote três aeroportos deficitários de Minas Gerais. Se o edital permanecer da forma como está, o Rio financiará a economia do Estado vizinho.

O silêncio do governador Cláudio Castro tem chamado a atenção de quem acompanha as discussões em torno do modelo de privatização do aeroporto Santos Dumont. Depois de ter sancionado a lei que diminuiu o ICMS do combustível de aviação para voos no Galeão, uma medida de incentivo ao hub aéreo nesse aeroporto, o governador não mais se manifestou sobre o assunto.

Um dos pontos em que poderia atuar está nas condicionantes ambientais que limitam o funcionamento do Santos Dumont, fator que depende da aprovação do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), órgão do Governo do Estado. Porém não houve até agora nenhuma iniciativa nesse sentido.


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