Carnaval

Saiba quais são os enredos de 2019 das escolas do Grupo Especial

O DIÁRIO DO PORTO reuniu os 14 enredos do Carnaval 2019 do Grupo Especial para você ficar por dentro do que vai acontecer no Sambódromo. Polêmicas estão garantidas.

3 de novembro de 2018
Bateria da Mangueira passa pelo Sambódromo (foto Aziz Filho)

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A polêmica sempre ocupou lugar de honra na Sapucaí e nos Carnaval de Rua. Não será diferente em 2019, ainda mais com o tsunami de sentimentos que inundou a política em 2018. A Mangueira, o Salgueiro e a Paraíso do Tuiuti são algumas das que trabalham para levantar os politizados das arquibancadas. Se você gosta de samba, confira como serão os 14 enredos que vão orientar as apresentações das escolas do Grupo Especial no Sambódromo.

Desfile do Sambódromo 2017
Desfile do Sambódromo 2017 (fotos Aziz Filho)

A primeira noite

Império Serrano – O carnavalesco Paulo Menezes abre os trabalhos do Sambódromo com uma quase unanimidade. Vai homenagear um dos maiores clássicos da MPB, “O Que é o que é?“, de Gonzaguinha. É aquela que nos ensinou em 1982 (álbum Caminhos do Coração) a “viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz”. (Saiba mais sobre a Império)

Viradouro – O ousado Paulo Barros está de volta à escola de Niterói. “Viraviradouro” se inspira nas transformações mundiais e no momento que a escola vive, com nova diretoria. Barros quer abordar o Renascimento e outras rupturas da civilização. Quer promover “um misto de feitiço e magia” nas histórias de superação que encantam a humanidade. (Saiba mais sobre a Viradouro)

Grande Rio – A dupla dinâmica Renato Lage e Márcia Lage desenvolveu para a escola de Caxias o enredo “Quem nunca… Que atire a primeira pedra!”. Provocação é o que não falta, assim como a pergunta que não cala: “quem nunca saiu dos trilhos, perdeu o prumo, deu detalhe, rodou a baiana, chutou o balde e o pau da barraca, armou um barraco ou mesmo deu uma virada de mesa?” Vai sobrar crítica para os maus hábitos de quem expressa impaciência, egoísmo, descuido, intolerância e o famoso “jeitinho”. (Saiba mais sobre a Grande Rio).

Salgueiro – A escola que explode corações volta a inundar a Sapucaí com expressões de origem africana do enredo “Xangô!“, sob o comando de Alex de Souza. “Abram alas ao homem que nasce do poder e morre em nome do poder”, anuncia o enredo. A polêmica segue: “Senhor do que é justo e correto, como o respeito à igualdade de todos (…) Apelamos ao supremo tribunal, com seus doze Obás- Ministros de Xangô do Axé Opó Afonjá. Todos serão julgados sem privilegios! Presidido pelo Grande Juiz, que bate o martelo e dá seu veredicto: Chega de impunidade! Seus filhos pedem justiça. Cumpra-se!” (Saiba mais sobre o Salgueiro)

Beija-Flor – A escola de Nilópolis apresenta “Quem não viu, vai ver … as fábulas do Beija-Flor”, celebração aos seus 70 anos. É uma releitura contemporânea de desfiles de uma das agremiações mais premiadas do Sambódromo. Preparada por uma comissão de carnavalescos, a apresentação será conduzida pelo voo do beija-flor, o narrador-personagem dos enredos. (Saiba mais sobre a Beija-Flor)

Imperatriz Leopoldinense – Mário Monteiro e Kaká Monteiro apresentam “Me dá um dinheiro aí“. Vão transformar em carnaval a relação do ser humano com o vil metal desde a sua invenção. Robin Hood estará lá dando aos pobres o dinheiro roubado da nobreza, que explora o povo com impostos e taxas extorsivas. Rei Midas, a quem os deuses ensinaram a transformar tudo em ouro, também vai desfilar com sua tragédia. (Saiba mais sobre a Imperatriz)

Unidos da Tijuca – A escola fecha a primeira noite. “Cada macaco no seu galho. Ó, meu Pai, me dê o pão que eu não morro de fome!” é o nome comprido do enredo, tocado por uma comissão de 5 integrantes, entre eles Laíla. A escola leva uma mensagem de esperança em dias melhores por meio da história do pão, alimento mais popular do planeta e fio condutor das sociedades. E olha a polêmica aí de novo: se cada um fizer a sua parte, “cada um no seu quadrado”, o mundo será mais justo. (Saiba mais sobre a Tijuca)

Foliã do Salgueiro no Sambódromo
Foliã do Salgueiro no Sambódromo

 

A segunda noite

São Clemente – Abre a noite de segunda-feira, com a releitura do enredo “E o Samba Sambou…“, de 1990, que deu à escola sua melhor colocação no Carnaval: o sexto lugar. O carnavalesco Jorge Silveira renova a crítica impiedosa da escola à fama e à vaidade, que corrompem a tradição do samba. (Saiba mais sobre a São Clemente)

Vila Isabel – Rende homenagens à cidade imperial de Petrópolis: “Em nome do pai, do filho e dos santos – a Vila canta a cidade de Pedro”. É uma gratidão à princesa que deu nome à escola de Noel. “Encantem-se com a história que vamos contar, pois ela começa com Pedros, dos céus à terra, para criar uma cidade em uma serra”, diz o enredo de Edson Pereira. São Pedro Alcântara é o padroeiro da cidade-enredo. Além dele e do São Pedro apóstolo, temos “o Pai Pedro de Alcântara, Rei Soldado Dom Pedro I, quem sonhou com a cidade no alto” e “o Filho Pedro de Alcântara, Magnânimo Dom Pedro II, que realizou o legado”. (Saiba mais sobre a Vila Isabel)

Portela – A escola costuma emocionar o público só com o primeiro grito de sua águia-símbolo. Mas este ano as lágrimas vão rolar mais. A veterana Rosa Magalhães prepara homenagem a Clara Nunes: “Na Madureira moderníssima, hei sempre de ouvir cantar uma Sabiá”. Sambas-canção, sambas-enredo, partidos-altos, marchas-rancho, forrós, xotes, afoxés, repentes e canções de influência dos pontos de umbanda e do candomblé fazem parte do repertório da musa. (Saiba mais sobre a Portela)

União da Ilha – A divertida escola leva à Sapucaí a brasilidade de dois gigantes, os cearenses Rachel de Queiróz e José de Alencar. O carnavalesco Severo Luzardo Filho criou uma proposta lúdica e prazeirosa para o enredo “A peleja entre Rachel e Alencar no avarandado do Céu”. O mundo verá saberes e assombrações que povoam o imaginário de uma terra banhada pelo mar e com o chão emoldurado pela seca, “embalada em oração e festejada ao som da sanfona e do cordel”. Afinal, Alencar ensinou que Ceará vem de “cemo”, significa “cantar forte, clamar”. (Saiba mais sobre a Ilha)

Unidos do Tuiuti – Já chega causando no anúncio de um enredo que expõe a confusão da política. Assim começa “O Salvador da Pátria“, do carnavalesco Jack Vasconcelos: “Vocês que fazem parte dessa massa irão conhecer um mito de verdade: nordestino, barbudo, baixinho, de origem pobre, amado pelos humildes e por intelectuais, incomodou a elite e foi condenado a virar símbolo da identidade de um povo. Um herói da resistência!” É a história do bode Ioiô, que viajou do sertão seco para Fortaleza. Virou mascote de milionário, caiu na boemia e foi até eleito vereador pelo povo cansado de sua elite exploradora. “O bode mitou”, diz o enredo, lembrando que “votar em animais é e sempre será possível”. (Saiba mais sobre o Tuiuti)

Estação Primeira de Mangueira – Também vai causar com o enredo “História para ninar gente grande”, um outro olhar sobre episódios cruciais da Brasil. É uma narrativa, segundo Leandro Veira, baseada nas “páginas ausentes”. Segue o carnavalesco: ”Com um povo chegado a novelas, romances, mocinhos, bandidos, reis, descobridores e princesas, a história do Brasil foi transformada em uma espécie de partida de futebol na qual preferimos “torcer” para quem “ganhou”. Esquecemos, porém, que na torcida pelo vitorioso, os vencidos fomos nós.” O enredo arrasa alguns heróis, como os bandeirantes e Dom Pedro I, que às margens do Rio Ipiranga estará sobre uma mula com dor de barriga. É pule de dez que Leandro homenageará Marielle Franco e protestará contra os nomes de ditadores do regime militar de 1964 em vias públicas no Rio. Momentos fortes na festa. (Saiba mais sobre a Mangueira)

Mocidade Independente – Alexandre Lousada desenvolveu o enredo “Eu sou o Tempo. Tempo é Vida.” Brinca com o nome de uma escola sempre jovem e promete ser bem onírico: “As batidas do meu coração marcam o compasso no tambor do samba, quando ecoa o apito da partida do trem da vida, nos trilhos do tempo, caminho infinito, riscado no espaço pela cauda de luz da estrela-guia, que cria um vácuo de sonho que a ciência desafia e que invade a morada de Cronos, a antimatéria que brilha, magia, e que se comprime e se expande, se dobra, retrocede e avança, num vai e vem que se esvai e se lança numa viagem louca, do presente ao passado e, numa reviravolta, de volta para o futuro.” (Saiba mais sobre a Mocidade

 

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