Sacolas plásticas: lei proíbe a distribuição | Diário do Porto


Sustentabilidade

Sacolas plásticas: lei proíbe a distribuição

Novas sacolas a serem vendidas pelo comércio devem ser feitas de bioplástico, produzido a partir da cana ou do milho, substituindo o petróleo

22 de junho de 2019

Lei proíbe sacolas plásticas convencionais no Rio (foto; Depositphotos)

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Na próxima quarta-feira, 26, entra em vigor a lei que determina o fim das atuais sacolas plásticas, distribuídas gratuitamente nos supermercados e lojas. Os consumidores deverão levar sacolas de casa, ou comprar novos modelos de embalagens recicláveis, que os comerciantes prometem vender a preços acessíveis.

A lei, de autoria do deputado estadual Carlos Minc (PSB-RJ), pretende reduzir a quantidade de plástico no meio ambiente. Estimativas apontam que anualmente são descartadas cerca de 4 bilhões de sacolas convencionais no Estado do Rio, feitas com material que leva mais de 100 anos para se decompor.

Grande quantidade desse material poluente vai para os rios, chegando ao oceano. Na Baía de Guanabara, acaba contribuindo para a enorme concentração de microplásticos, uma das maiores do mundo, resultado em parte da fragmentação de detritos maiores. Em qualquer tamanho, o material é nocivo à vida na baía, causando a morte de tartarugas e contaminando os peixes.

Para a lei ser efetiva, haverá fiscalização da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, por meio do Instituto Estadual do Ambiente (Inea).

A Secretaria informa que as sacolas a serem vendidas pelo comércio devem ser feitas de bioplástico, produzido a partir da cana ou do milho, substituindo o petróleo. Serão confeccionadas nas cores verde, para restos recicláveis, e cinza, para outros rejeitos, de forma a auxiliar na separação dos resíduos e facilitar as coletas de lixo.


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E é na coleta que o Rio ainda encontra um de seus maiores problemas no tratamento do lixo. Conforme reportagem publicada pelo site Colabora no ano passado, a Comlurb não cumpriu a promessa de universalizar a coleta seletiva de recicláveis nos 160 bairros da cidade. O serviço só acontece em 113, sendo integral em apenas 80.

Segundo a reportagem, os caminhões compactadores recolhem diariamente 56 toneladas de recicláveis (1.700 t. por mês), muito longe das prometidas 280 toneladas/dia ainda em 2016. Todo o material é doado para 22 cooperativas. Considerando o total gerado pelo domicílios da cidade, a coleta seletiva recolhe 0,95%.

O que explicaria essa situação é a combinação de alto custo – a coleta seletiva tem custo médio de R$ 1 mil por tonelada, ou cinco vezes maior que a convencional – e baixa eficiência – não raro caminhões cumprem suas rotas com pouco material.

Com esse cenário, o mercado da reciclagem no Rio é em grande parte explorado por catadores informais. Caminhões “piratas” ou alternativos, burros-sem-rabo, rodam a cidade à caça de papel, papelão, PET, plásticos e alumínio.


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