Roda roda Rio Star | Diário do Porto

Diversão

Roda roda Rio Star

No Dia das Crianças, convidamos a jornalista Michele Chaluppe para nos contar como é dar uma “voltinha” em um dos orgulhos do Porto Maravilha, a Roda Gigante Rio Star*

11 de outubro de 2021


Michele e os 88 metros de altura da Rio Star, um dos orgulhos do Porto (acervo pessoal)


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*Michele Chaluppe é jornalista e fã de rodas-gigantes

 

Esqueça a roda gigante dos parquinhos infantis. A Rio Star é outra coisa. Outra experiência. Um momento pra contemplar a cidade e sentir uma alegria (tímida ou escancarada, depende de cada um) dentro do coração.

Eu gosto de rodas gigantes, mas sem fanatismo. Já fui a algumas na infância, como a maioria das crianças. O passeio mais marcante foi quando minha mãe levou minha irmã e eu a um parquinho que apareceu na nossa cidade, Itapevi, na grande São Paulo. Minha mãe no meio, eu de um lado, minha irmã do outro e o giro começou. Conforme rodava e a cadeirinha balançava, minha mãe ficava mais enjoada, indisposta. Náuseas fortes que a obrigaram a fazer um sinal para o brinquedo parar. A atração foi interrompida, as crianças em coro reclamaram alto e o moço perguntou; “Qual delas precisa descer?” Minha mãe, envergonhada, respondeu: “Nenhuma… Sou eu mesma que estou passando mal.”

Essa história foi contada inúmeras vezes nas últimas décadas e repetida nesta semana, quando propus irmos à Rio Star, já que minha mãe e minha tia passavam uma semana me visitando no Rio de Janeiro. “Mas é daquelas rodas gigantes iguais às de parquinho?”, perguntou minha mãe, já se sentindo mareada. Não, mãe. Não mesmo! A Rio Star outra história.

Em primeiro lugar, porque ela não para. O giro é lento e contínuo. A gente embarca e desembarca com ela em movimento. Uma sincronia entre os nossos pés e aquele gigante de 88 metros de altura. Em segundo lugar, porque a estabilidade da cabine não se compara à da cadeirinha das rodas gigantes tradicionais. Quando a gente entra, entende que a experiência na maior roda gigante da América Latina é diferente.

Demora um pouco pra sacar o movimento. Ela começa a subir e só então a gente percebe como é que vai viver aquele giro. A paisagem, ver o Rio ficando lá embaixo aos poucos, entender onde estamos, é uma conquista que nossos olhos vão fazendo sozinhos. Mas tem a estrutura da roda, os ferros que vão surgindo devagar e ganhando forma. De repente, estamos tão altos que não dá mais pra fazer gestos pro moço parar. Um frio na barriga por pensar que “caramba, daqui de cima tudo é ainda mais impressionante!”.

Não há foto que registre o sentimento

A escolha do que ver precisa ser feita com cuidado. A roda já vai descer e ainda que haja tempo pra tudo, surge aquela ansiedade de achar que não dá pra perder nada: fotos, vídeos, selfies, ângulos. Mas é como tentar fotografar a lua com a câmera do celular: jamais registraremos algo parecido com o que vemos lá de cima. As fotos ficam aquém da experiência a olho nu. Ainda que a cabine seja ampla e transparente, nenhuma foto faz jus ao que estamos vendo. Porque não é só visão. É um composto de sentimentos que desaguam nos olhos, mas que fazem um percurso grande dentro da gente até chegar ali. Quando termina, pra mim, é aquela sensação de fim de espetáculo. Saio feliz, mas ainda querendo mais.

A gente desembarca em terra firme, num Rio tão real e tão próximo, que talvez esse seja o encanto de estar lá em cima. A contradição. E acho que é esse dilema entre a cidade contemplada lá do alto e a realidade dos pés tão no chão que me faça me emocionar com a frase que a atração gosta de ostentar na entrada. Pode ser exagero, mas na cidade que gosta dos rótulos que a definem como “mais e maior” em tantas coisas, não é errado dizer que ali bem no alto a gente tenha realmente “a melhor vista da felicidade”.

A mãe da Michele, Laura Chaluppe, e a tia, Ângela Silveira, do alto da Rio Star contemplam a paisagem da Baía de Guanabara e os galpões do Porto Maravilha (acervo pessoal)

 

Serviço

RIo Star

Avenida Rodrigues Alves, 55 – Porto Maravilha, RJ

Mais informações: https://riostar.tur.br/


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