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Rio será centro do Bicentenário da Independência

Paulo Protasio fala ao DIÁRIO DO PORTO sobre os eventos do Bicentenário e da Conferência Rio+30, como diretor da Autoridade do Desenvolvimento Sustentável

9 de setembro de 2021


Paço Imperial, na Praça XV, é um dos pontos centrais do Bicentenário da Independência (foto: Agência Brasil)


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O Rio de Janeiro será ponto central das comemorações do Bicentenário da Independência do Brasil, no próximo ano. Isso é o que promete Paulo Lenz Cesar Protasio, que é o diretor da Autoridade do Desenvolvimento Sustentável, órgão criado pelo governador Cláudio Castro. Cabe a Protasio o planejamento das celebrações do Bicentenário e da Conferência Rio+30, que em 2022 marcará os 30 anos da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, também conhecida como ECO92 e Cúpula da Terra.

Em entrevista ao DIÁRIO DO PORTO, Protasio destaca que empresas privadas e outras entidades terão papel relevante para a realização dos eventos. Serão momentos no próximo ano que prometem estimular atividades em várias cadeias econômicas do Rio, com destaque para os serviços e, principalmente, o turismo. Mas ele adverte que é preciso acelerar os trabalhos. “Estamos muito atrasados”, afirma.

Paulo Protásio, da Câmara Rio
Paulo Protasio

 

DIÁRIO DO PORTO: O que podemos esperar para as comemorações no Rio do Bicentenário da Independência?

Protasio: Muito, no meu entender, por conta da revisita à nossa história. O país, por exemplo, comemora mais de 200 anos da abertura dos portos sem saber exatamente do que se trata. E o comercio internacional é vital para o Brasil e fundamental para o Rio de Janeiro. Chegou a hora de colocar o país diante da verdade do mercado e o papel que o Rio pode representar. Reconhecer o passado corretamente e com precisão, como um dos objetivos do novo Brasil, traz a oportunidade de mostrar que a coroa não nos chegou pela mão de um príncipe em fuga, mas sim por conta de uma estratégia de extraordinária importância geográfica e política. No Parlamento Inglês ganhou o apelido de Plano Sábio.

 

DIÁRIO DO PORTO: Já se pode dar uma ideia dos eventos previstos?

Protasio: Não podemos perder esse momento. Estamos muito atrasados. O governador Cláudio Castro, com sua decisão, trouxe na realidade uma enorme oportunidade para o Rio e, ao mesmo tempo, para São Paulo, Minas Gerais e os demais Estados. A formação de grandes metrópoles no mundo cria um conjunto de atores que são os centros metropolitanos responsáveis pelas trocas de conhecimento, mercadorias e serviços. É nesse terreno que poderá ser implementada uma ação consequente para o benefício de nossa cidadania. Os ambientes precisam de novas incorporações para garantir nossa participação no mundo com independência – o mundo hoje é 5.0 e do universo da Internet das Coisas.

DIÁRIO DO PORTO: As empresas privadas irão participar do projeto?

Protasio: Nada poderá ser feito sem que as instituições – empresas, academia, entidades de todos os matizes – se juntem com suas cidades a partir de cada bairro, de seus Estados e representantes do Poder Federal. No Brasil, 35 regiões metropolitanas estão esperando pela oportunidade de se tornarem integradas em forma de rede. Um novo país pode ser reconstruído no pós-Covid, debaixo para cima, tudo movido pela interação dos municípios, Estados e Governo Federal.

DIÁRIO DO PORTO: De que forma?

Protasio: Cada um terá o papel que imaginar, desde que preparado para realizá-lo. Os meios já estão disponíveis pela legislação de incentivos nos três níveis, mas a maior dificuldade é o tempo que nos resta para implementar tudo o que imaginamos. Os roteiros nunca foram tão bem-preparados e globalmente aceitos: é o caso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que são 17 e conhecidos por todos. Para propulsionar duas grandes comemorações – o Rio+30 e o Bicentenário da Independência.

Bicentenário da Independência destacará a centralidade do Rio

DIÁRIO DO PORTO: Quais são os locais do Rio que são emblemáticos para uma agenda de comemorações do Bicentenário?

Protasio: O Rio de Janeiro está pronto e esperando apenas pela nossa iniciativa. Ninguém no mundo poderia construir o que os 200 anos nos trouxe. Para a Rio+30 basta a Baia da Guanabara e a raiz de todos os eventos de 92 para cá, além dos museus históricos, arte e de educação com suas estruturas, que se caracterizam como da época do Brasil Império e depois República. Apresentaremos em breve a trajetória dos locais que poderão ser abordados.

DIÁRIO DO PORTO: O Rio foi a capital da Colônia, do Império português, do Império brasileiro e da República. As comemorações do Bicentenário poderão lembrar essa centralidade aos cariocas e brasileiros?

Protasio: Sem dúvida. O importante é que já temos a alma de capital. Esse DNA não existe a não ser em nossa prateleira. Somos os únicos que podemos pretender ser Capital Mundial do Novo Mundo.


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