Diário do Porto

Rio registra 2.7 mil manifestações de doação de órgãos em 2 anos

Cartórios do Rio registram avanço nas manifestações formais de doação de órgãos (Foto: Divulgação)

Os Cartórios de Notas do Rio de Janeiro registraram 2.761 manifestações formais de doação de órgãos desde a criação da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos, conhecida como AEDO. A ferramenta, que completa dois anos, permite que qualquer cidadão registre pela internet a vontade de doar órgãos.

A AEDO foi criada pelos Cartórios de Notas e regulamentada nacionalmente pelo Conselho Nacional de Justiça. A proposta é facilitar o registro formal da vontade do cidadão e dar mais segurança ao processo de consulta pelos profissionais autorizados do Sistema Nacional de Transplantes.

Ferramenta busca ampliar cultura da doação

A autorização eletrônica funciona como uma manifestação oficial de vontade. O documento não substitui a importância da conversa com familiares, mas cria um registro formal, validado por cartório, sobre a decisão de doar órgãos.

Para os Cartórios de Notas, o crescimento das solicitações mostra que a ferramenta vem ganhando espaço como instrumento de cidadania e de conscientização. A formalização digital também reduz barreiras de acesso, já que o procedimento pode ser feito sem deslocamento até uma unidade física.

A presidente do Colégio Notarial do Brasil, Seção Rio de Janeiro, Edyanne Moura, afirma que a AEDO facilita o acesso da população a uma decisão que pode salvar vidas. Segundo ela, os cartórios passaram a oferecer uma ferramenta segura, gratuita e totalmente digital para registrar a vontade de doar.

O avanço ocorre em um país que ainda convive com filas de transplantes. No Brasil, cerca de 48 mil pessoas aguardam por um órgão. Em 2026, mais de 3 mil transplantes já foram realizados, com maior demanda por rim e fígado.

Autorização é feita pela internet e pode ser revogada

O processo é realizado pela plataforma e-Notariado. O interessado acessa o portal oficial da AEDO, solicita gratuitamente um Certificado Digital Notarizado e participa de uma videoconferência com um tabelião de notas.

Depois da validação, o cidadão assina eletronicamente o documento e informa quais órgãos deseja doar. A autorização passa a integrar a Central Nacional de Doadores de Órgãos, que pode ser consultada por profissionais autorizados do sistema de transplantes.

O registro pode ser revogado a qualquer momento. Essa possibilidade permite que o cidadão altere sua decisão no futuro, mantendo controle sobre a manifestação de vontade.

A criação da autorização eletrônica também abriu espaço para novas iniciativas de incentivo. No Paraná, por exemplo, uma lei passou a prever benefícios como meia-entrada em eventos culturais e esportivos para doadores cadastrados na AEDO.


LEIA TAMBÉM:

Diabetes afeta saúde emocional de 70% dos brasileiros

Maricá quer sistema que tira o sal do mar para gerar água potável

Média de condomínio no Rio chegou a R$ 1,1 mil e continua subindo

Sair da versão mobile