Empreendedorismo

Rio redescobre Av. Marechal Floriano com Linha 3 do VLT

Um presente de 2019: Linha 3 do VLT valoriza imóveis e abre atrações históricas da Avenida Marechal Floriano para cariocas e turistas

1 de janeiro de 2019
Belga Hotel e Belga Brasserie: redescobrindo a Avenida Marechal Floriano (Divulgação)

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Papai Noel dirige o VLT
Linha 3 do VLT vai ser um presente para o Rio em 2019

O ano de 2019 vai remoçar o coração do Rio. Não pelas promessas do governador Wilson Witzel de garantir segurança e atrair moradias para a Região Portuária. Nem pela Alerj, que no ano novo terá uma nova turma se engalfinhando na disputa pela presidência. O rejuvenescimento será no Porto Maravilha, onde a Linha 3 do VLT Carioca levará cariocas e turistas a redescobrirem as atrações da Avenida Marechal Floriano.

Teve gente que se antecipou à valorização da área, que deve vir a bordo do bondinho moderno. É o caso do Belga Hotel e Belga Brasserie, no prédio de cinco andares da esquina da Rua dos Andradas com a Marechal. Fica a cem metros da futura Parada Santa Rita-Pretos Novos, da Linha 3 do VLT. Mesmo antes da novidade, já tem ocupação de 80% de seus 25 apartamentos. O público é de executivos que aproveitam para se hospedar perto dos negócios.

Para Cláudio Castro, diretor da Sérgio Castro Imóveis, com a Linha 3 do VLT haverá valorização do comércio de rua e, a prazo mais longo, das salas comerciais. “Como a vacância dos escritórios está em cerca de 30%, ainda demora um pouco para que as empresas e profissionais se instalem por lá, mas com certeza a presença do VLT ajuda. Quando esta vacância atingir uns 10%, muitas empresas começam a escolher por conta de preços. O problema é que, a esta altura, eles já terão subido”, diz o especialista.

Belga Hotel e Belga Brasserie à noite
Belga Hotel e Belga Brasserie: redescobrindo a Avenida Marechal Floriano (Divulgação)

O gerente-geral do hotel belga, Mervyn Scheepers, que chegou ao Brasil há 22 anos, tem planos saborosos para comemorar a chegada da Linha 3 do VLT no melhor estilo belga. “Vamos expandir o Festival de Moules Frites (mexilhões com batata frita) que temos todo primeiro sábado do mês. Já em janeiro, começaremos o novo calendário, com programação todo sábado”, anuncia Mervyn. Ele compra os mexilhões em Arraial do Cabo para preparar o prato.

A Belga Brasserie serve pratos típicos do café da manhã ao jantar e tem mais de 45 rótulos de cervejas e chope belgas. Quem montou o cardápio foi o chef Alexandre Binard, belga também. Ele visita o restaurante de tempos em tempos para adaptações e combinações.

Mervyn explica a opção por uma brasserie em vez de um restaurante. “A principal diferença de um restaurante é que a pessoa pode vir aqui para comer, claro, mas também apenas para tomar chope, ouvir música enquanto toma um café e lê um livro, por exemplo. Queremos ser mais que um restaurante tradicional do Centro, onde se vai apenas para o almoço de trabalho”, diz o gerente.

 


Palácio Itamaraty

VLT em teste da Linha 3 passa em frente ao Palácio Itamaraty
VLT em teste da Linha 3 passa em frente ao Palácio Itamaraty

O reduto belga está longe de ser o único point charmoso para a cidade descobrir – ou redescobrir – na Marechal Floriano com a Linha 3 do VLT. A história da Avenida começou com imigrantes. Não belgas, mas portugueses, que chegaram ao Brasil Colônia e ali montaram um ponto de escoamento de sal, frutas e outros produtos. O ponto alto dessa espécie de vocação internacional é o belo Palácio do Itamaraty.

No palácio está o Museu Histórico e Diplomático do Itamaraty. Fica a meio quilômetro do Hotel Belga e ao lado do imponente Palácio Duque de Caxias, sede do Comando Militar do Leste. A primeira parada da Linha 3, a Cristiano Otoni-Pequena África, fica exatamente entre o Palácio Duque de Caxias e a saída lateral da Central do Brasil. Ou seja, a 200 metros do Itamaraty.

O acervo do museu conta a história diplomática do Brasil. Tem amplos salões com obras de arte e mobiliário de época, como uma mesa de 31 lugares voltada para o terraço. O pátio interno tem palmeiras imperiais e lago com cisnes. Para saber mais, acesse nosso Guia Maravilha.

 


Centro Cultural Light

Centro Cultural Light
Centro Cultural Light tem divertido museu virtual e exposições temporárias (Alexandre Macieira/Riotur)

Bem ao lado do Itamaraty fica o também tombado prédio do Centro Cultural Light, de 1911, em estilo renascença americana. Antes de ser sede da Light, a casa abrigava uma garagem de bondes, que entravam pelo vão central do térreo, atravessavam o prédio e estacionavam no pátio, sob os galpões. O tombamento foi pelo governo federal foi em 1985.

Visitar o Museu Light da Energia, com 2.400 metros quadrados, é um programa divertido. As exposições temporárias também são atraentes. O Centro Cultural Light entra janeiro com duas delas: Crianças de aço, até o dia 4, e Diálogos sobre o corpo, até o dia 11. O site do Centro Cultural é muito desatualizado, mas você pode checar a programação na página do Facebook.

Poucos cariocas têm a dimensão da importância histórica de outra construção histórica que a revitalização da Avenida Marechal Floriano vai descortinar: o colégio Pedro II. Fica ao lado da Parada Camerino-Rosas Negras, da Linha 3 do VLTFoi fundado em 2 de dezembro de 1837 em homenagem ao Imperador-Menino como o primeiro colégio de instrução secundária oficial do Brasil. Cumpriu função importante no Império, de fortalecimento do Estado na formação da Nação brasileira.

Na fundação do Colégio, o prédio foi reformado pelo arquiteto francês Grandjean de Montigny. Em 1874, foi ampliado por Francisco Joaquim Bethencourt da Silva, discípulo de Montigny, dando à escola sua atual fachada, em estilo neoclássico. Muitos eventos no novo Salão Nobre contaram com a presença do imperador.

 


Igreja de Santa Rita

VLT em teste passa pela Matriz de Santa Rita
VLT em teste passa pela Matriz de Santa Rita: herança do século XVIII

Perto da Parada Santa Rita-Pretos Novos, na esquina com a Rua Miguel Couto, está outra construção histórica magnífica, a Matriz da Paróquia de Santa Rita. A fachada, em estilo barroco-rococó do século XVIII, fica até singela entre os edifícios comerciais que a circundam, mas a história mora lá dentro. Isso desde 1720, quando foi colocada a pedra fundamental, dez anos após o início do culto a Santa Rita, introduzido por fidalgos portugueses. No ano seguinte, já estavam prontos a capela-mor, a sacristia e o consistório.

Com capacidade para 250 pessoas sentadas, o templo foi elevado à condição de Igreja Matriz em 30 de janeiro de 1751. Guarda relíquias de Santa Rita de Cássia e de Santo Lenho, sendo tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Um dos nichos à esquerda do altar majestoso guarda a primitiva imagem de Santa Rita de Cássia (1750).

 


Caixa de Amortização

Prédio da extinta Caixa de Amortização (BC)
Prédio da extinta Caixa de Amortização (BC): relíquia da reforma de Pereira Passos

O prédio da extinta Caixa de Amortização, do Banco Central, é um dos mais icônicos da grande reforma urbanística de Pereira Passos, no início do século passado. Inspirado na fachada Leste do Museu do Louvre, em Paris, foi inaugurado em 14 de fevereiro de 1906 pelo presidente Rodrigues Alves e tombado pelo Patrimônio Histórico em 1973.

O edifício, hoje ocupado pela Gerência do Meio Circulante, do Banco Central, fica na calçada em frente à Matriz de Santa Rita e na esquina com a Avenida Rio Branco. Ali, a Linha 3 do VLT se encontra com a Linha 1 em direção à Cinelândia, onde ficam outras construções da época, com relevância arquitetônica semelhante: o Theatro Municipal, a Biblioteca Nacional e o Museu Nacional de Belas Artes.

 


Balanço do VLT em 2018

O mapa das três linhas do VLT
O mapa das três linhas do VLT

O trecho novo construído para a Linha 3 tem um quilômetro, dos quatro do percurso total. A expectativa de aumento de usuários nos primeiros meses de operação é de 30%.

O VLT Carioca encerrou 2018 com mais de 17 milhões de passageiros transportados e mais de 150 mil viagens realizadas. Em dezembro, o sistema tem circulado em média com 80 mil pessoas/dia útil, um crescimento de 42% em relação ao mesmo período de 2017.

De janeiro a dezembro, a frota percorreu 1,4 milhão de quilômetros nas ruas do Centro e da Região Portuária. Desde o início da operação, em junho de 2016, mais de 33 milhões de pessoas já andaram de VLT.

O tempo de percurso foi reduzido em mais de 50%, e hoje já é possível percorrer o trajeto completo das linhas 1 e 2 (da Rodoviária ao Santos Dumont ou à Praça XV) em 25 minutos. As paradas de maior fluxo confirmam o VLT como modal integrador. Central (trens, metrô, ônibus), Colombo (VLT+VLT), Cinelândia (metrô) e Praça XV (barcas) são os pontos de maior movimento e também locais de conexão.

Das 26 em operação, a estação Central é a de maior público, com pouco mais de 10% dos embarques diários. Também é o local em que mais é usado o benefício do vale-transporte, alcançando em média mais de 50% dos usuários. Setenta por cento do público usa o VLT em deslocamentos de trabalho. Nos fins de semana, as viagens de lazer e turismo chegam a 45%.

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