Rio Paraíba do Sul terá mais água bombeada por SP | Diário do Porto


Crise Hídrica

Rio Paraíba do Sul terá mais água bombeada por SP

Principal fonte de água para vários municípios do Rio, incluindo a capital, rio Paraíba do Sul sofre com falta de conservação e há risco de desabastecimento

17 de outubro de 2021

Rio Paraíba do Sul, cruzando a cidade de Resende (foto: Prefeitura de Resende / Divulgação)

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A Agência Nacional de Águas (ANA) autorizou que o Estado de São Paulo bombeie mais água do rio Paraíba do Sul, para evitar a falta de abastecimento na capital e em outras cidades paulistas. Na opinião de especialistas, isso coloca em risco o fornecimento para vários municípios do Estado do Rio, incluindo a cidade do Rio e Baixada Fluminense.

A autorização da ANA foi dada em caráter excepcional na última quarta-feira, dia 13, para que o bombeamento seja feito pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Essa empresa fará a transposição das águas do rio para o Sistema Cantareira. A retirada havia sido suspensa em 3 de setembro, depois que a Sabesp bombeou neste ano os 162 milhões de metros cúbicos que já haviam sido autorizados anteriormente.

As águas do rio Paraíba do Sul são a principal fonte do Sistema Guandu, que produz 80% do abastecimento da cidade do Rio e da Baixada Fluminense. A transposição entre o rio e a bacia do Guandu é feita pela Light, em um processo em que as águas são usadas também para a geração de energia elétrica. A estação de tratamento do Guandu é considerada a maior do mundo, com uma vazão de 43 mil litros por segundo.

Como o Paraíba do Sul é um rio interestadual, que abastece municípios paulistas, fluminenses e mineiros, a autorização da ANA só foi possível após haver a concordância do Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro (Inea) e do Instituto Mineiro de Gestão de Águas. No Rio, em que houve recentemente a privatização de serviços de abastecimento de água, o tratamento na estação do Guandu continua sendo estatal, sob responsabilidade da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae).

Com 1.137 km de extensão, o Paraíba do Sul corta áreas dos três Estados mais industrializados do país e sofre, principalmente, com os despejos de esgotos domésticos sem tratamento. Outros problemas crônicos são o desmatamento de suas margens, os diversos barramentos para hidrelétricas, despejos industriais, mineração, agrotóxicos, desvios do curso da água, introdução de espécies exóticas e pesca predatória. Em 2003, um grande período de seca levantou pela primeira vez os debates sobre os efeitos do aquecimento global, quando o leito do Paraíba do Sul secou em vários trechos, colocando em risco o abastecimento de 14 milhões de pessoas, a maior parte no Estado do Rio.

Em governos anteriores do Rio, houve resistências contra o bombeamento de águas do Paraíba do Sul pelo Estado de São Paulo. Porém desde a crise hídrica de 2014, a Sabesp começou a fazer o bombeamento do rio Paraíba do Sul para o Sistema Cantareira. Isso sempre acontece quando esse sistema começa a operar com menos de 30% do volume útil. Na semana passada, esse nível estava em 28,2%.

 


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