Rio ganha Linha 3 do VLT | Diário do Porto

Mobilidade

Rio ganha Linha 3 do VLT

Crivella inaugura LInha 3 do VLT, entre Central e Aeroporto. Grupo avaliará reajuste de tarifa, redução dos ônibus e funcionamento 24h. Confira novo mapa

26 de outubro de 2019
Crivella inaugura Linha 3 do VLT (Hudson Pontes/Prefeitura do Rio)

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A Linha 3 do VLT Carioca, ligando a Central do Brasil ao Aeroporto Santos Dumont, começou a operar com passageiros na tarde deste sábado 26. Com ela, o sistema consolida uma rede de 28 quilômetros de trilhos, 29 paradas e estações e 32 trens. Eles começaram a circular em junho de 2016 no Centro e Região Portuária do Rio. O novo trecho corta a avenida Marechal Floriano, e a viagem completa dura 18 minutos.

O novo percurso tem dez paradas, sendo três novas: Cristiano Ottoni-Pequena África (na praça de mesmo nome, perto da Central), Camerino-Rosas Negras e Santa Rita-Pretos Novos, na Marechal Floriano. Os nomes homenageiam ícones da cultura africana, batizados em consenso com o Iphan e entidades do movimento negro e sociedade civil.

De manhã, o prefeito Marcelo Crivella fez uma viagem inaugural no trecho ao lado do presidente da Concessionária do VLT Carioca, Marcio Hannas. Prefeitura e VLT vivem às turras em relação aos cálculos do subsídio pago ao sistema. Hoje, Crivella elogiou o modal, lembrando que ele custou “mais de R$ 1 bilhão para que a gente tenha, no Centro da cidade, um transporte que não emita dióxido de carbono e não faça aquecimento global”.

“A gente espera que o Centro da cidade se revitalize com o Porto Maravilha e os investimentos que estão sendo feitos aqui, incluindo as facilidades de transporte”, completou o prefeito.

As paradas Central e Cristiano Ottoni-Pequena África têm serviço compartilhado com a linha 2, enquanto as paradas Candelária, Sete de Setembro, Carioca, Cinelândia, Antônio Carlos e Santos Dumont atendem às linhas 1 e 3. Nos trechos compartilhados, os intervalos entre os trens passam a ser de, aproximadamente, três minutos a três minutos e meio, como já acontecia na região da Rodoviária.

Marechal Floriano mostra seu valor

Com a inauguração da Linha 3, a expectativa é que o número diário de usuários ultrapasse os 100 mil (Foto: divulgação)

A Linha 3 permite outras conexões para os usuários do VLT. Próximo à Parada Praça Cristiano Ottoni – Pequena África estão estações de trem e metrô da Central, além do terminal de ônibus Américo Fontenelle. Já a Parada Camerino fica próxima a um dos acessos do metrô da Presidente Vargas. O benefício de transferência entre linhas segue mantido no período de até uma hora. É possível realizar troca entre as três linhas ou no mesmo sentido nesse período. Só há nova cobrança em caso de mudança de sentido na mesma linha.

Como em outras áreas, o novo corredor do VLT reúne parte da história do Rio. Prédios como o colégio Pedro II, o Palácio Itamaraty e o Centro Cultural Light, além da Igreja de Santa Rita, são algumas das atrações a serem visitadas ou apreciadas na viagem. Veja mais clicando aqui.

Em três anos de operação, o VLT Carioca ultrapassou a marca de 50 milhões de passageiros transportados. Com a nova linha, o total de passageiros deve ultrapassar 100 mil por dia útil.

Longa negociação

O acordo que permitiu a operação da Linha 3 teve forte participação do novo presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), Tarquínio de Almeida. Ele também costurou o acordo para evitar que a concessionária Porto Novo, outra credora da Prefeitura, abandonasse a operação dos túneis do Porto Maravilha.

A entrada em operação da Linha 3 foi possível após a edição de decreto municipal no último dia 15, assinado pelo prefeito. Ele criou um grupo de trabalho composto por técnicos da Prefeitura e da concessionária que opera o VLT. O objetivo da equipe é ajustar questões contratuais.

Com a assinatura do decreto, cláusulas do contrato original entre a Prefeitura e a concessionária serão debatidas ao longo dos próximos dez meses. Um dos pontos principais analisados pelo grupo de trabalho será o ajuste entre o movimento diário de passageiros inicialmente esperado e a quantidade real registrada. O contrato original estabelecia que a Prefeitura garantiria a demanda de 85% de 260 mil pessoas por dia. O número se mostrou irreal na prática, o que gera prejuízo aos cofres públicos municipais.

Tarifas podem ser reajustadas

O grupo de trabalho também vai discutir a tomada de outras decisões que estavam previstas mas vêm sendo adiadas pela prefeitura. O principal deles é a retirada de circulação algumas linhas de ônibus no Centro. Outros são um possível ajuste na tarifa do VLT. Um aumento no valor da tarifa prejudicaria os moradores dos bairros da Região Portuária, que ficaram sem opções de transporte.

O funcionamento 24 horas do sistema VLT também está na agenda. A equipe tem sete representantes da Prefeitura e quatro da concessionária VLT Carioca. O relatório final deve ser entregue até 31 de agosto de 2020.

Por sua importância fundamental para o Porto Maravilha, a, gestora da operação urbana, é fiscalizadora da implantação e da operação do sistema VLT.