Rio, aos 456 anos, é cidade rica em busca de soluções | Diário do Porto

Editorial

Rio, aos 456 anos, é cidade rica em busca de soluções

A economia do Rio supera a de países como Uruguai ou Bolívia e é a segunda no Brasil. Mas é preciso uma sociedade mais justa. O turismo pode ser a solução

28 de fevereiro de 2021
Rio tem em suas paisagens e no seu povo as soluções para seus problemas. Na imagem, o Mirante do Leblon (foto: Rio Orla / Divulgação)


Compartilhe essa notícia:


EDITORIAL – O Rio, que completa 456 anos, é uma cidade de paisagem espetacular, com o segundo Produto Interno Bruto (PIB) entre as cidades do país, superando até a economia de algumas nações vizinhas, como Uruguai, Costa Rica ou Bolívia. Uma combinação perfeita, não fosse a imensa desigualdade na distribuição de tanta riqueza.

Esse é o principal desafio dos novos gestores da cidade, na figura do prefeito Eduardo Paes. Fazer um município que gerava em 2017 cerca de R$ 337 bilhões por ano (dado do IBGE mais recente) ser também um local com menos abandono de comunidades inteiras, com tantas pessoas subempregadas ou com tantos moradores de rua.

No Brasil, em geração de riqueza por cidades, o Rio só fica atrás de São Paulo, que tem um PIB de quase R$ 700 bilhões, e também o dobro de moradores, com 12,3 milhões de pessoas. Porém em termos de PIB per capita, calculado por morador, a posição carioca no ranking nacional cai para a 295ª colocação, com renda anual de R$ 52 mil.

O que é mais grave na situação do Rio é que sua posição nesse ranking vem ficando cada vez pior, numa queda acelerada. Esse empobrecimento da população carioca, que já era acentuado e cresceu ainda mais com a pandemia, teve reflexos severos no fechamento de estabelecimentos comerciais, esvaziamento do Centro e deterioração em todas as regiões da cidade. Copacabana, conhecida no mundo todo, talvez seja o exemplo mais acabado dessa situação.

Vamos aos números. Em 2010, o Rio ocupava a 234ª colocação no ranking do PIB per capita. Em 2014, a 263ª e em 2016, a 280ª. Isso numa década em que a cidade sediou os Jogos Olímpicos e também foi palco de outros grandes eventos, como a Copa do Mundo.

Uma explicação recorrente para essa decadência é a queda do preço internacional do petróleo, do qual a cidade do Rio e o Estado são altamente dependentes. A queda provocou efeitos negativos em todas as outras cadeias produtivas, agravando a pobreza.

Esse é um diagnóstico simples, que merece ser muito aprofundado, mas que leva a conclusões óbvias. É preciso estimular alternativas ao petróleo e que tenham reflexos mais inclusivos para o total da população, diminuindo a desigualdade na distribuição da riqueza.

O Rio é a sua própria solução

A resposta também óbvia a esse desafio é a própria cidade do Rio. Local amado e desejado em todo o país e por boa parte do mundo. Local que tem uma população criativa e lançadora de moda e costumes, determinante para a construção da própria cultura nacional.

Não são poucas as cidades no mundo que têm no turismo a sua principal fonte de renda. No Rio, apesar de tantas entidades privadas ou públicas ligadas ao tema, até hoje não se conseguiu implementar uma gestão eficiente para garantir que a cadeia produtiva do setor se consolide com alta ocupação, durante o ano todo. As oportunidades dos grandes eventos foram desperdiçadas.

O turismo gera milhares de empregos diretos e indiretos, para diversas faixas de idade e de escolaridade, que dificilmente serão substituídos por robôs. É um ramo que amplia a formalização das atividades econômicas. E, no caso do Rio, há ainda a vantagem de já existir uma rede hoteleira com capacidade ociosa, setor no qual não será necessário fazer grandes investimentos, quando a pandemia já estiver sob controle.

O Rio e os cariocas, com suas belezas, cultura e história, podem ser a própria solução para se alcançar uma sociedade mais justa. Uma Cidade Maravilhosa, inclusive para seus moradores.


LEIA TAMBÉM:

Conselho de Favelas tem consulta pública até 9/3

Eleva Educação se torna a maior do Brasil e quer expansão em SP

Sepetiba volta a ser Sucupira, em O Bem-Amado