Diário do Porto

Rio é visto como referência para expansão de veículos elétricos

Veículos elétricos posto de abastecimento na Barra da Tijuca

Expansão da infraestrutura de recarga de veículos elétricos permite investimentos de US$ 980 milhões no Brasil. Na Barra da Tijuca, posto surge com o projeto SandBox.Rio, da Prefeitura (foto: Divulgação)

O Rio de Janeiro foi apontado como uma das principais referências em mobilidade elétrica entre cidades de economias emergentes no mundo, segundo relatório divulgado pela C40 Cities e pela International Finance Corporation (IFC), instituição integrante do Banco Mundial. O estudo destaca o papel da capital fluminense na criação de condições para a expansão da infraestrutura de recarga de veículos elétricos e identifica uma oportunidade de investimentos de cerca de US$ 980 milhões no Brasil até 2035.

A análise integra o relatório Análise de Mercado da Infraestrutura Pública de Recarga para Veículos Elétricos (VEs) nas Cidades, elaborado em parceria com a The Climate Pledge, por meio do programa Laneshift, e com a Secretaria de Estado para Assuntos Econômicos da Suíça (SECO). O documento examina tendências de mercado, necessidades de investimento e políticas públicas em Brasil, Colômbia, México e Índia.

O levantamento mostra que o Brasil se consolida como um dos mercados de mobilidade elétrica de crescimento mais acelerado da América Latina. Em 2025, os veículos elétricos responderam por 6,5% das vendas de automóveis novos no país. Para acompanhar a expansão da frota, será necessário ampliar a rede pública de recarga dos atuais 17 mil carregadores para aproximadamente 86 mil unidades até 2035.

Entre os exemplos analisados, o Rio de Janeiro ganhou destaque pelo uso de instrumentos inovadores para impulsionar a instalação de infraestrutura de recarga. Um dos principais é o Sandbox.Rio, iniciativa que permite a realização de projetos-piloto e testes regulatórios em ambiente controlado, reduzindo barreiras para a implementação de novas tecnologias. O município também tem disponibilizado ativos públicos para a instalação de estações de recarga e para projetos de eletrificação do transporte coletivo, segundo o relatório.

A Prefeitura do Rio de Janeiro instituiu o Sandbox.Rio, um ambiente regulatório experimental desenhado para criar um “laboratório vivo” de inovação tecnológica na cidade. Por meio de autorizações temporárias, a iniciativa permite que startups, empresas e pesquisadores testem produtos e serviços de ponta em cenários reais — como soluções de mobilidade urbana e digitalização de serviços públicos —, com normas flexíveis e menos exigências burocráticas. O programa visa monitorar os impactos dessas tecnologias em tempo real, gerando dados para que o município modernize suas leis. 

O documento ressalta que a experiência carioca demonstra como os governos locais podem acelerar a adoção da mobilidade elétrica por meio de planejamento urbano, parcerias com o setor privado e mecanismos de inovação regulatória. Além do Rio, foram analisadas iniciativas desenvolvidas em Bogotá, Cidade do México e Pune, na Índia.

As projeções indicam que os quatro países estudados precisarão investir cerca de US$ 3,8 bilhões em infraestrutura pública de recarga até 2035. Desse total, a Índia deverá concentrar US$ 1,9 bilhão, seguida pelo Brasil, com US$ 980 milhões, México, com US$ 760 milhões, e Colômbia, com US$ 184 milhões.

De acordo com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, iniciativas como o Sandbox.Rio demonstram como os governos municipais podem criar oportunidades para a implantação de infraestrutura de recarga. Ele ressaltou, contudo, que a ampliação da mobilidade elétrica dependerá de maior acesso a financiamento e de uma cooperação mais intensa entre governos, concessionárias de energia e iniciativa privada.

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