O Estado do Rio de Janeiro aparece na terceira posição no ranking nacional de apreensões de dinheiro em espécie realizadas pela Polícia Federal, em um cenário de forte crescimento das ações contra o crime organizado no país. Entre 2022 e 2026, o Rio registrou R$ 29 milhões em valores apreendidos em dinheiro vivo, ficando atrás apenas de São Paulo e do Rio Grande do Sul.
No recorte por Estados, São Paulo lidera as apreensões em espécie, com R$ 57 milhões no período, seguido pelo Rio Grande do Sul, com R$ 32 milhões. O Rio de Janeiro aparece à frente de Minas Gerais (R$ 26 milhões), Paraná (R$ 20 milhões) e Santa Catarina (R$ 18 milhões). Os dados fazem parte de reportagem publicada pelo UOL.
O avanço ocorre em meio a um salto recorde no volume total de apreensões e bloqueios judiciais no Brasil. Os valores cresceram 36 vezes no período, passando de R$ 125 milhões em 2022 para R$ 4,4 bilhões em 2025, já corrigidos pela inflação. O aumento foi impulsionado sobretudo por grandes operações lideradas pela Polícia Federal contra esquemas financeiros ligados a grupos do crime organizado vinculados ao tráfico e investigações envolvendo o Banco Master.
As ações de maior impacto ocorreram em 2025. A Operação Carbono Oculto, realizada em agosto, bloqueou R$ 1,4 bilhão ao investigar conexões entre o setor de combustíveis e o crime organizado. Já a Operação Compliance Zero, em novembro, reteve R$ 833 milhões em apurações sobre negócios do Banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro.
Aumento da eficiência da Polícia Federal reflete investimentos na corporação
A maior parte das operações foi conduzida pela Polícia Federal em parceria com outras forças de segurança no âmbito das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco), que reúnem polícias civis, militares e a Polícia Rodoviária Federal.
Para especialistas, o aumento expressivo não necessariamente indica crescimento da criminalidade, mas sim maior eficiência e intensidade na atuação da Polícia Federal. Esse avanço está associado também ao reforço orçamentário da corporação. Dados do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop) mostram que os investimentos e despesas correntes da PF — excluindo gastos com pessoal — cresceram 38% entre os triênios de 2020-2022 e 2023-2025, passando de R$ 3,7 bilhões para R$ 5,1 bilhões, em valores corrigidos pela inflação.
