Mostra no MAR é ode à carioquice | Diário do Porto


Exposição

Mostra no MAR é ode à carioquice

“Crônicas Cariocas” é uma ode à carioqueice. A exposição em cartaz no MAR revela uma cidade que não está no retrato e no cartão-postal

2 de janeiro de 2022

“São Jorge e o Devir", de Thales Leite, um dos destaques de "Crônicas Cariocas", exposição que estreia no MAR e vai até julho de 2022 (divulgação/MAR)

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Escutar e discutir um Rio que não está nos livros, nas capas de revista e nos cartões postais. Essa é a proposta de “Crônicas Cariocas”, exposição em cartaz no Museu de Arte do Rio até junho de 2022. A montagem, a maior do ano passado no MAR, dá vida às histórias cotidianas; relações com a vizinhança; festas; encontros dos ônibus lotados e calçadas. Por trás daquilo que é exportado ao mundo, propõe-se narrar o Rio que se embeleza e finge não ver os subúrbios.

Ao todo, quase 600 obras de arte — nos mais diversos suportes, como vídeos, objetos, instalações, fotografias e pinturas — vão ocupar três galerias do museu, cuja arrumação confere ares labirínticos ao local. Cada pedaço de parede revela momentos e cantinhos do Rio. Do orgulho negro as noites eróticas. Desse total de peças, 79 já faziam parte do acervo museológico do MAR.

Entre os cerca de 110 artistas que participam da exposição, destaque para Sônia Gomes, Lucia Laguna, Rosana Paulino, Brígida Baltar, Denílson Baniwa, Alexandre Vogler, Bispo do Rosário, Guilherme Kidd, Laerte e Bastardo.

O Vendedor de Mate”, de Guilherme Kidd, está entre as 600 obras da exposição “Crônicas Cariocas” (divulgação/MAR)

Nomes contemporâneos, a exemplo de Guignard, Di Cavalcanti, Lasar Segall e Mestre Didi, também compõem a coletiva. Assinam a curadoria o curador-chefe do museu, Marcelo Campos, a coordenadora de curadoria do MAR, Amanda Bonan, o historiador Luiz Antônio Simas e a escritora Conceição Evaristo.


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Uma conversa no muro

Logo no início da mostra o visitante será surpreendido por um burburinho vindo do túnel que dá acesso às galerias. Trata-se do áudio de uma conversa entre Luiz Antônio Simas, Conceição Evaristo e a cantora Teresa Cristina.

Ao fim da passagem, na chegada ao primeiro espaço expositivo, uma televisão exibe o vídeo do bate-papo. A ideia é brincar e fazer referência às conversas de janela entre vizinhos, que em razão da pandemia de covid-19 passaram a acontecer virtualmente.

Novidade na vida da escritora Conceição Evaristo, a tecnologia tem se mostrado uma aliada importante nesse período de distanciamento social. “A pandemia oferece dificuldades, mas ela oferece essa possibilidade de invenção de local, de encontro. A solidão já fica marcada por esse isolamento físico, mas a gente sempre encontra brechas de encontrar com o outro. Essas conversas virtuais são muito novas para mim. Prefiro o real, sem comparação. Tô com uma saudade do real”, brinca Conceição.

MAR mostra a verdadeira cara do Rio!

Em paralelo à exposição, o MAR vai lançar semanalmente, nas redes sociais do museu, a série “Isso é a cara do Rio!”. Composta por dez vídeos, a sequência vai abordar o cotidiano do carioca em situações do dia a dia, comumente observadas pelas ruas do município. Todo o conteúdo dialoga com a proposta da mostra.

Serviço:

Crônicas Cariocas”

Até 01/07/22

Quinta-feira, sexta-feira, sábado e domingo

Das 11:00h às 18:00h

Praça Mauá, 5, Centro

Mais informações: https://museudeartedorio.org.br/

 


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