Rio alcança desmatamento zero na Mata Atlântica | Diário do Porto


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Rio alcança desmatamento zero na Mata Atlântica

Nove Estados tiveram desempenho positivo no relatório do Atlas da Mata Atlântica. Situação continua crítica em MG, PR, PI, BA e SC

3 de junho de 2019

A maior parte das reservas particulares do Rio protege áreas de Mata Atlântica (foto: Fundação Mata Atlântica / Divulgação))

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Nos 17 Estados que possuem áreas remanescentes da Mata Atlântica, o desmatamento caiu 9,3%, quando se comparam os dados obtidos em 2018 com o período anterior.

O levantamento faz parte da série histórica do Atlas da Mata Atlântica, iniciativa da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que monitora o bioma desde 1985.

Destaque para o Estado do Rio de Janeiro, que registrou nível de desmatamento zero, segundo os critérios do Atlas, pois apresentou supressão de floresta abaixo de cem hectares ou um quilômetro quadrado. O total no Estado ficou em 18 hectares (ha).

Outros oito Estados estão no nível do desmatamento zero: Ceará (7 ha), Alagoas (8 ha), Rio Grande do Norte (13 ha), Espírito Santo (19 ha), Paraíba (33 ha), Pernambuco (90 ha), São Paulo (96 ha) e Sergipe (98 ha). Três estados estão a caminho desse índice: Mato Grosso do Sul (140 ha), Rio Grande do Sul (171 ha) e Goiás (289 ha).

Cinco estados ainda mantém índices inaceitáveis de desmatamento: Minas Gerais (3.379 ha), Paraná (2.049 ha), Piauí (2.100 ha), Bahia (1.985 ha) e Santa Catarina (905 ha).


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No total, em 2018 foram destruídos 11.399 hectares (ha), ou 113 Km², de áreas de Mata Atlântica acima de 3 hectares nos 17 Estados do bioma. No ano anterior, o desmatamento tinha sido de 12.562 hectares (125 Km²).

Marcia Hirota, diretora executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, destaca que os resultados positivos em 9 Estados têm relação com ações de monitoramento sistemático e combate ao desmatamento realizadas por órgãos ambientais estaduais, polícia ambiental, Ministério Público e Ibama nos últimos anos.

É o caso de ações como as do projeto “De Olho no Verde”, do Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro vinculado à Secretaria de Estado do Ambiente, ou a operação nacional “Mata Atlântica em Pé”, que envolveu Ministérios Públicos e órgãos ambientais.

Para o diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, é preciso ficar atento às mudanças propostas pelo Governo Federal, que podem reverter as conquistas alcançadas até aqui. “Não podemos permitir o enfraquecimento da gestão ambiental e nenhuma tentativa de flexibilização da legislação”, afirma.

O Atlas indica que restam 16,2 milhões de hectares de florestas nativas mais preservadas na Mata Atlântica, o equivalente a 12,4% da área original do bioma no país.


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