Revitalizar o Centro do Rio com mais moradores é saída para a crise | Diário do Porto

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Revitalizar o Centro do Rio com mais moradores é saída para a crise

Centro do Rio com mais habitantes trará benefícios para todos os cariocas, afirma Natan Schiper, presidente do Sindimóveis e diretor da Fecomércio RJ

15 de maio de 2021


Centro do Rio está recebendo ações da Prefeitura para revitalizar a região, como melhorar iluminação pública na Cinelândia (Foto Marcos de Paula / Prefeitura do Rio)


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Recuperar o Centro do Rio com novos moradores terá um efeito positivo para todos os cariocas. A ideia, central no projeto Reviver Centro, da Prefeitura, tem ganhado força entre gestores públicos e , empresários. Um de seus defensores mais fervorosos é Natan Schiper, presidente do Sindicato de Móveis e Decorações do Rio (Sindimóveis) e diretor da Fecomércio RJ. A revitalização da região, diz ele, irá estimular os negócios, gerar empregos e “renovar a crença da cidade em futuro melhor”.

Aos 80 anos, com mais de 40 no ramo moveleiro, Natan transmite energia ao falar sobre soluções para a crise agudizada pela pandemia. Crise que fez 82,8% dos empresários do comércio do Centro do Rio registrarem piora na demanda por produtos e serviços em 2020, segundo estudo do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec RJ). As restrições impostas para tentar conter o avanço da Covid-19 afetaram profundamente os negócios, e 80,3% dos entrevistados na região registraram queda acima de 25% no faturamento de 2020 no comparativo com 2019.

Natan Schiper traduz a frieza dos números para uma perspectiva humana. “São pessoas que ficaram sem empregos, que perderam negócios nos quais investiram suas vidas. No cenário da pandemia, se perdeu muito mais do que dinheiro”, ele analisa. E alerta: “muitas empresas que fecharam não vão mais reabrir, pois muitos empresários ficaram fortemente prejudicados, só continuam aqueles que tinham reserva financeira, infelizmente uma minoria”.

O presidente do Sindimóveis explica que a ajuda dos governos para a sobrevivência das empresas na pandemia não foi efetiva justamente para as mais frágeis. Isso ocorreu, por exemplo, com a maior parte das que tentaram ter acesso ao Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe). “Muitos lojistas tentaram obter esse financiamento a juros baixos, mas, ao chegar aos bancos, encontraram obstáculos intransponíveis”, afirma.

Centro do Rio sofre com comércio informal, aponta IFec RJ

O estudo do IFec RJ questionou os empresários do Centro sobre quais outros fatores afetaram os negócios, além dos impactos provocados pela pandemia. E os principais temas foram a insegurança e o aumento da população de moradores de rua.

Outro fator apontado como um dos grandes entraves à recuperação da região é o comércio informal. O levantamento mostra que dois terços dos empresários consideram esse ponto como o principal entrave para que o Centro possa voltar a ser atraente. Dados do IFec RJ mostram que, a partir de 2014, o Estado apresentou um crescimento acelerado no número de ambulantes informais pelas ruas das cidades.

O período corresponde ao início da crise econômica que já assolava o país mesmo antes da pandemia. Porém, ao avaliar especificamente a decadência do comércio no Centro carioca, Natan Schiper crê que as raízes são mais profundas.

Esvaziamento do Centro do Rio começou com a saída da Bolsa

“Um grande marco do esvaziamento econômico da Região Central foi a quebra da Bolsa de Valores, em 1989, o que acarretou a transferência de seus negócios para São Paulo. Junto com ela foram empresas do mercado financeiro, as sedes e grandes escritórios dos bancos. Tudo isso iniciou uma tendência de enfraquecimento econômico que dura até hoje”, afirma o presidente do Sindimóveis.

Para ele, esse caminho só pode ser alterado com o povoamento da Região Central, uma espécie de “volta às origens”, pois essa área da cidade já foi de uso misto, e durante muito tempo as moradias foram em maior número do que os estabelecimentos comerciais.

Natan vê como positivas as iniciativas recentes da Prefeitura para a revitalização do Centro e faz sugestões. “É preciso ampliar o VLT para outras regiões, de forma a que esse modal traga diretamente os passageiros. Também serão positivos os estímulos para os retrofits de edifícios comerciais, hoje vazios ou subocupados, que podem ser residenciais, em uma área da cidade em que a infraestrutura já está pronta para receber mais população, sem necessidade de grandes investimentos.”

Reviver Centro busca negócios e moradias

As ideias de Natan Schiper estão em sintonia com o projeto Reviver Centro, que vem sendo implementado pela Prefeitura a partir das áreas próximas à Cinelândia. O projeto inclui um conjunto de propostas de leis enviado à Câmara Municipal, que prevê, entre outras medidas, incentivos fiscais e permissões de novos usos de edifícios para estimular a construção de moradias na área.

Além das propostas de leis que buscam atrair mais moradores, mais negócios e mais vida para a área, estão sendo estabelecidas diretrizes de gestão, qualificação e manutenção do espaço público e dos bens históricos. “Essas ações vieram para ficar”, afirma o secretário municipal de Planejamento Urbano, Washington Fajardo.

 

Natan Schiper
Natan Schiper, presidente do Sindimóveis e diretor da Fecomércio RJ

Natan relança a ideia do Polo Moveleiro de Xerém

Para o presidente do Sindimóveis, o fim deste ano será melhor para os negócios, apontando uma trajetória de recuperação. “A prioridade é ampliar a vacinação e alcançar a imunização de mais de 80% das pessoas. Com um quadro de maior segurança social, haverá naturalmente uma volta do consumo e do funcionamento dos negócios”, prevê Natan, mas lembrando que os cuidados devem continuar permanentes, mesmo para quem já está vacinado. “Devemos manter as atitudes de prevenção, higienizar os ambientes, lavar as mãos, usar máscaras, evitar aglomerações. Isso continuará por muito tempo.”

Especificamente para o seu setor de negócios, Natan acredita que o novo Governo do Estado teria uma grande contribuição a fazer, com a concretização de um sonho antigo e esquecido: o Polo Moveleiro de Xerém. O projeto foi iniciado ainda nos anos 80 do século passado, com a destinação de uma grande área para a instalação de futuras indústrias de móveis. Isso viria a suprir uma enorme demanda do Rio, que importa de outros Estados a maior parte dos artigos que consome.

“Os terrenos ainda estão lá, mas os governos estaduais não fizeram o investimento na infraestrutura necessária e também não tornaram o ambiente de negócios do Rio mais favorável, mantendo impostos que tornam nosso Estado pouco competitivo, principalmente em relação a São Paulo e aos da Região Sul”, afirma o presidente do Sindimóveis.

Para a situação mudar, Natan se propõe a contribuir com sua experiência, vontade de trabalhar e, principalmente, uma energia que o faz mais jovem diante dos desafios.


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