Gastronomia

Restaurantes do Porto e Centro criam polo para superar a crise

Situação ainda é difícil, mas restaurantes já veem faturamento aumentar, em relação a julho. Veja levantamento do DIÁRIO DO PORTO

21 de agosto de 2020
Restaurantes do Porto e do Centro querem formar um polo gastronômico. O Gracioso é um dos mais tradicionais da região (foto: Divulgação)

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Doze restaurantes do Porto Maravilha e da região central da cidade se uniram para formar um grupo de apoio mútuo, em busca de soluções que possam amenizar os efeitos da crise gerada pela pandemia do novo coronavírus. Os donos dos estabelecimentos querem constituir um polo, à semelhança de outros polos gastronômicos que existem na cidade e que acabam por ser também instrumentos para divulgar seus negócios e atrair público.

Por causa do confinamento social, grande parte dos restaurantes da cidade recorreu ao serviço de delivery, o que também ocorreu na região central. Mas os 4 meses de portas fechadas tiveram grande impacto no faturamento, ameaçando a sobrevivência de muitos estabelecimentos.

Restaurantes reclamam que não conseguem o Pronampe

O DIÁRIO DO PORTO fez um levantamento com vários restaurantes da região e verificou que um dos problemas em comum está sendo a dificuldade para obter os recursos do Pronampe (Programa de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), programa que o Governo Federal anunciou para tentar evitar o fechamento de negócios e o aumento do desemprego.

Os restaurantes Gamboa Boa, Sá Cabral e Nômade, inclusive, ainda não conseguiram reabrir suas portas justamente por estarem esperando a liberação do empréstimo do Pronampe, que serve principalmente para manter o capital de giro, usado para compras de matérias primas e pagamentos de fornecedores. A maior parte das empresas reclama das dificuldades impostas pelos bancos, que são os repassadores do financiamento.

Dos 12 restaurantes presentes na reunião para a criação do polo, apenas 1 conseguiu a liberação do empréstimo. “Não conseguimos a ajuda do governo. Tínhamos o Pronampe autorizado pelo Governo Federal, mas os bancos não viabilizaram esse empréstimo”, disse Marcos Antônio, proprietário do Flórida Bar e Restaurante. Já Marcos Alonso, dono do Málaga e do Fim de Tarde, resumiu a situação da seguinte forma: “o Governo só promete”.

Início da recuperação

Mesmo com tamanha dificuldade, já se nota um pequeno aumento de movimento em relação ao mês passado. No dia 2 de julho, conforme decisão da Prefeitura, o Rio de Janeiro entrou na terceira fase de flexibilização, o que possibilitou a reabertura de restaurantes ao público, desde que cumprissem os novos protocolos de segurança relacionados à Covid-19.

“Na verdade, o movimento está aumentando aos poucos, mas ainda é muito baixo. Hoje, estamos com um faturamento de 15% a 20% do que tínhamos antes da pandemia”, disse Tino Lago, proprietário do Gracioso, restaurante que há mais de 60 anos é um dos principais pontos de atração no entorno da Praça Mauá, o coração da Região Portuária.


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Quem também percebeu uma melhora foi Marcos Antônio, do Flórida Bar e Restaurante. “A gente estava com 10%, passou pra 15% e agora chegou a 20%“. Com Marcos Alonso, proprietário dos restaurantes Málaga e Fim de Tarde, não foi diferente. “A região está na expectativa, já tivemos um crescimento de 10% em relação ao mês passado. A expectativa é de que setembro melhore ainda mais porque os índices de coronavírus estão diminuindo. Já está começando a ter uma demanda de uns escritórios que retornaram ao trabalho na região”.

Apesar do aumento gradual, a diferença de faturamento em relação ao momento pré-pandemia ainda é grande. “Está difícil, não dá para comparar com o movimento que tínhamos antes. Atualmente, estamos tendo aproximadamente 80% a menos de movimento. Antes da pandemia, servíamos em torno de 300 pratos, agora fazemos 35“, explica Carlos Alberto Coelho, gerente do Déguster Café.

Confira a diferença de faturamento*:

Gracioso Bar (Rua Sacadura Cabral, 97 – Saúde): -80% a -85%
Angu do Gomes (Rua Sacadura Cabral, 75) – Saúde): -75% a -80%
Recanto dos Sabores (Rua Sacadura Cabral, 71-B – Saúde): -60%
Grato Restaurante (Largo São Francisco da Prainha, 23 – Saúde): -80%
Málaga (Rua Miguel Couto, 121 – Centro): -80%
Fim de Tarde (Rua Miguel Couto, 105 – Centro): -80%
Flórida Bar e Restaurante (Praça Mauá, 9 – Centro): -80%
Déguster Café (Rua Pedro Lessa 35 Lojas A/B – Centro): -80%

*comparação pré-pandemia; percentuais aproximados

Restaurantes temem a continuidade do home-office

Apesar de alguns escritórios já terem voltado a funcionar no centro e no Porto, a maioria das empresas ainda permanece em regime de home-office, com os funcionários trabalhando em casa. A verdade é que os restaurantes da região dependem muito do movimento das empresas. Há, inclusive, o medo de que as firmas adotem o esquema de forma permanente.

“A região está sem grande parte das empresas, a gente teme essa situação, será que as empresas vão permanecer no home-office? A pandemia levantou essa possibilidade e algumas empresas viram que pode ser mais vantajoso, já que economiza com aluguel de prédio, escritório e de algumas outras formas”, observa Rigo Duarte, proprietário do Angu do Gomes, outro ponto tradicional, quase uma instituição cultural carioca.