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Residencial é o futuro do Porto Maravilha

Na segunda parte da entrevista, Gustavo Guerrante, presidente da Cdurp, fala sobre a grande novidade do Porto em 2021: os condomínios residenciais

6 de setembro de 2021


Guerrante está animado com novos condomínios residenciais no Porto (divulgação/Cdurp)


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Engenheiro mecânico de formação com mestrado em administração pela Coppead da UFRJ, Gustavo di Sabato Guerrante é desde janeiro o olhar público na Operação Urbana do Porto Maravilha. Carioca nascido e criado em Santa Tereza, Guerrante é o atual presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), empresa pública municipal criada em 2009 para ser o elo entre a Prefeitura do Rio e as empresas da Parceria Público Privada que administram (ou não) o Porto. Nessa entrevista que será publicada em três partes., Guerrante fala sobre os desafios e problemas na gestão da PPP, os novos rumos da região com a chegada dos grandes empreendimentos residenciais e de como diminuir o abismo social que separa o chão do Porto do alto dos morros que circundam a área onde o Rio nasceu. Hoje publicamos a segunda parte da conversa, na qual Guerrante fala com entusiasmo da novidade do ano na área: os condomínios residenciais.

Diário do Porto – A grande notícia do ano na região foi o lançamento do Rio Wonder, empreendimento residencial da Cury. Em pouco tempo a construtora vendeu duas torres e já anuncia a terceira fase do empreendimento. O residencial é o futuro do Porto?

Gustavo di Sabato Guerrante – Esse é um movimento muito interessante. O Porto precisa ter movimento, gente morando, circulando e consumindo. E o residencial tem sido a procura. Temos duas mil unidades contratadas nos dois empreendimentos da Cury. As outras negociações de terrenos na região são para empreendimentos 100% residenciais. E a maior parte construtoras que estão negociando não são do Rio. São grandes empreendedores de São Paulo e Minas Gerais que dão preferência a áreas grandes próximos a modais de transporte, como é o caso do nosso VLT.

DiPo – Os contratos já estão fechados? Quais são as construtoras?

Guerrante – Ainda não posso falar porque o contrato não está assinado. Mas posso garantir que três deles já têm até planta pronta. Então está para sair. A hora que tiver o papel assinado eu te anuncio.

DiPo –E qual o padrão médio desses empreendimentos? São apartamentos menores, os chamados studio, ou teremos condomínios de luxo aqui no Porto como na Zona Sul e Barra da Tijuca?

Guerrante – Tem de todos os tipos. Desde o studio mais barato, passando pelo loft sofisticado e até o condomínio mais familiar. Aqui os terrenos são grandes. Dá para fazer com área de lazer, piscina, academia, infraestrutura de serviços, comércio. São empreendimentos de diferentes gamas e terrenos, Uns de frente para Baía de Guanabara. Outros mais atrás. Enfim, um mosaico interessante. A procura está grande e o mercado aquecido.

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Sucesso do Rio Wonder mostra nova vocação da Região Portuária (Foto: Cdurp)

DiPo – Hoje há pouco movimento no Porto, especialmente nas noites durante a semana. Caso todos esses empreendimentos se confirmem quantos novos moradores a Região Portuária deve receber nos próximos anos?

Guerrante – Se tudo se confirmar falamos aí de quatro mil novas unidades nos empreendimentos em negociação. Com as duas mil vendidas do Rio Wonder da Cury, serão seis mil apartamentos. Hoje as famílias são menores. Se forem três pessoas por residência, teremos aí 18 mil novos moradores em média vivendo e consumindo na região.

DiPo – Se isso se confirmar a população da região irá subir para quase 60 mil pessoas. Hoje o Porto tem carência de estabelecimentos comerciais como supermercados, açougue e padaria. Como atender essa nova demanda?

Guerrante – Isso é ovo e a galinha. Um vem atrás do outro. A Cury fechou as duas torres e o mercado imobiliário se mexeu. É um efeito manada. Os novos projetos vêm com proposta de lojas e comércio no térreo. E aí vem junto o cara da padaria, supermercado, café, bar, casa de mate. O AQWA mesmo é prova disso. Quando o pessoal todo voltar a trabalhar lá serão 5,5 mil pessoas naquele prédio. Pensando nisso Tishman está criando estrutura para atender esse público. Recentemente fechou dois restaurantes, café, Quiosque do Pepe.

DiPo – Por falar em AQWA, grandes empresas como Caixa, Icatu e Enel mudaram-se para lá recentemente. Como está a relação com os novos “moradores” do empreendimento?

Guerrante – Tenho recebido todas essas novas empresas com tapete vermelho. Falei diretamente com os presidentes da Enel, Icatu, Banco BOCOM BBM, Granado. Queria entender qual era a demanda deles. Onde o calo aperta. E a gente recebeu alguns inputs. “Melhora isso aqui no horário do VLT”. “O sinal tá apagado na rua tal” “Precisa de mais segurança em ali” Essas empresas colaboraram muito com a gente. Elas querem entender as carências da região e ajudar a melhorá-las. E a gente retribui. A Enel, por exemplo, ficava em Niterói. A maioria dos seus funcionários usa a Barca. Então fizemos uma transferência de linha no VLT em frente ao AQWA para que ele retorne de lá direto para a Praça XV. Antes era preciso ir até a Rodoviária para fazer isso.


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Guerrante quer baratear preço de internet no Porto

DiPo – Outra novidade é o Porto Maravalley, projeto da Prefeitura que quer transformar o Porto no Vale do Silício Carioca. Mas para isso é necessário que a região tenha internet de alta velocidade a preço acessível, o que não ocorre hoje. Como pretende resolver essa questão com a TCR, a operadora de telecom da Porto Novo que tem a exclusividade do uso da rede de fibra óptica e cobra caro por isso?

Guerrante – Se até derrubar a perimetral foi possível por que não vamos resolver isso? Ter uma banda larga de qualidade a custo acessível é ponto estratégico para a criação do Porto Maravalley. Esse é um tema importantíssimo que incluiremos no estudo de reequilíbrio da PPP que iremos apresentar a Porto Novo. Precisamos baratear esse serviço. Isso não pode continuar como está.

DiPo – E senão houver acordo?

Guerrante – Tudo tem um limite. Mas se tiver que chegar no limite, a gente chega.