Relatos de um “Carnaval sem Carnaval” | Diário do Porto


Carnaval

Relatos de um “Carnaval sem Carnaval”

Três foliões de tradicionais blocos da Região Portuária do Rio contam ao DIÁRIO DO PORTO como será seu segundo “não Carnaval””

26 de fevereiro de 2022

Último Carnaval no Porto antes da velha e insuportável Covid 19 (Foto: DIÁRIO DO PORTO)

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Chico Silva

Pelo segundo ano seguido, a velha e insuportável Covid 19, dessa vez agravada pela variante Ômicron, atravessou o samba e silenciou surdos, tamborins e vozes do Fala Meu Louro, Cordão do Prata Preta e Escravos da Mauá, três dos mais tradicionais blocos de Carnaval da Região Portuária e do Rio. Com isso milhares, por que não milhões?, de foliões tiveram seu sagrado direito à folia cancelado pela pandemia que tirou a vida de quase 650 mil brasileiros, muitos deles vítimas da incompetência, insensibilidade e negacionismo do Governo Federal.  Sem a folia de Rua, que foi cancelada pela Prefeitura, e com os desfiles da Sapucaí adiados para abril, mas com festas fechadas acontecendo por toda a cidade, algumas delas de blocos inclusive, Alexandre Gimenes (O Alê do Fala Meu Louro), Kiev Medeiros (Prata Preta) e Ricardo Sarmento Costa (Escravos da Mauá) vão passar mais um Carnaval longe de suas paixões. Ao DIÁRIO DO PORTO, eles e ela contam como será o segundo “Carnaval sem Carnaval” de suas vidas. Que seja o último

“Confesso que ainda estamos todos em um momento de difícil entendimento, tentando compreender cada movimento, tanto do lado do Poder Público, que parece estar embasado na ciência,quanto da vontade de poder se sentir feliz curtindo o Carnaval e, no meu caso, fazendo música. Mas por mais que me doa, eu não vou sair enquanto as determinações das autoridades públicas forem contrárias à festa. Tomei todas as vacinas, mas ainda sim tenho medo de consequências ruins, individuais e coletivas. Vou colocar na TV o desfile de anos anteriores e me divertir em casa”

Alexandre Gimenez, o Alê, mora no Morro do Pinto e há quatro anos toca caixa na bateira do Fala Meu Louro, um dos mais tradicionais e antigos blocos do Rio e com sede no Santo Cristo

“Eu, enquanto amante do carnaval, período em que me esbaldo, faço em média 11 fantasias, compro quilos de purpurina e vou a dois três blocos por dia, sofro por não ver o nosso Prata na rua fazendo a alegria dos seus foliões. Aqui no Rio observamos estarrecidos (mas não sem luta) a privatização da folia. Se a ideia é diminuir a transmissão do vírus, que se paralise todos os eventos que geram aglomerações. Mas o que vemos é uma paralisação pontual, que afeta diretamente festa na rua, a mais democrática que temos. Mas somos resistência. Ficarei pelo Rio, no bar Vaca Atolada na Lapa, praticamente minha segunda casa, e pelo Morro da Conceição e Largo da Prainha, sempre procurando por um sopro e uma caixa perdidas nesse “Carnaval sem Carnaval”.

Kiev Medeiros, moradora do Morro da Conceição. Sai no Cordão do Prata Preta desde 2013. É porta-estandarte e diretora do bloco

“Esse ano seria o nosso trigésimo carnaval. Mas infelizmente não foi possível ir para rua. O Escravos leva muita gente. Temos que ser responsáveis. Não havendo autorização das autoridades, não poderíamos sair. Chegamos até a fazer um sambinha. Foi inspirado no poema a “Flor e a Náusea” do Drummond. Ele começa assim. “Queimou a mata … mexeu comigo!/Matou a onça… vai ter castigo!/Ajoelhou tem que rezar/Chega de mentira/Pega ele, Pai do Mato/Pega ele, Curupira!” O resto eu guardo para o ano que vem. Mas enquanto o próximo Carnaval não chega, participei hoje de um programa na Rádio Roquete Pinto, o “De Bloco em Bloco”, com nossos amigos do “Loucura Suburbana” de Belo Horizonte. O resto dos dias vou pegar o lado praia e floresta, para celebrar a vida e a natureza do nosso amado Rio de Janeiro”

Ricardo Sarmento Costa, fundador, compositor e puxador do Escravos da Mauá, instituição carnavalesca da Região Portuária e do Rio

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