Que tal usar o metrô e o BRT até o Galeão? | Diário do Porto

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Que tal usar o metrô e o BRT até o Galeão?

Veja quanto tempo nossa equipe gastou para embarcar na estação Cantagalo do MetrôRio, pegar o BRT em Vicente de Carvalho e chegar ao Galeão

27 de agosto de 2019
Passarela que liga o MetrôRio à estação do BRT em Vicente de Carvalho (Foto: DiPo)

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Caio Garritano*

O trânsito em direção ao Aeroporto Internacional do Galeão começou a semana com um nó, em função da transferência de 214 voos do Santos Dumont. A solução para os passageiros é a mesma de qualquer metrópole do mundo civilizado: o transporte público, certo? Só que não. A equipe do DIÁRIO DO PORTO embarcou na estação Cantagalo do MetrôRio para chegar ao BRT e ao Galeão. E contatou que, realmente, entender o Rio de Janeiro não é uma tarefa para amadores.

A Linha 2 do MetrôRio encontra na estação Vicente de Carvalho o corredor BRT Transcarioca. A via consumiu centenas de milhões de dólares antes da Olimpíada para ser o transporte público por excelência para levar moradores e turistas até o Galeão. Poucos cariocas conhecem essa alternativa para chegar ao maior aeroporto da cidade. Dos que conhecem, poucos optam por ela, por vários motivos.

Considerando a Zona Sul como a região que mais recebe turistas na cidade e mais tem passageiros para voos internacionais, o traçado Linha 2-BRT é longo e demorado. A decisão da Prefeitura de liberar a pista do BRT para os táxis pode ter facilitado a vida de uma parte dos passageiros, mas reduziu a vantagem competitiva que o BRT deveria ter, só que não tem. O dia foi de sofrimento no trânsito paralisado na Linha Vermelha, na Avenida Rio de Janeiro e na Avenida Brasil, o que não chega a ser novidade.

Saindo às 14h15

Nossa equipe saiu às 14h15m da estação Cantagalo do MetrôRio, em Copacabana, o bairro que mais recebe visitantes no Rio de Janeiro. O trem da Linha 1 gastou sete minutos até a estação de Botafogo, onde fizemos a transferência para a Linha 2. O percurso até a estação de Vicente de Carvalho, na Zona Norte, foi de 51 minutos.

 

Uma boa opção contra o transito no Galeão é utilizar o transporte público
Passarela entre o metrô e o BRT em Vicente de Carvalho, tomada pelo comércio ilegal

Em Vicente de Carvalho às 15h06

O trem chegou em Vicente de Carvalho às 15h06. Na passarela entre as estações do MetrôRio e do BRT, tendo o cenário do Morro do Juramento ao fundo, o passageiro atravessa um corredor de ambulantes. Eles deixam a passagem mais apertada, o que torna-se um transtorno e tanto para quem está com bagagem para viajar.

Dentro da estação do BRT, não é diferente. Camelôs disputam para entrar no ônibus articulado. Não há sinalização para facilitar o uso do transporte, televisores não funcionam, e as portas estão quebradas, um convite aos caloteiros. Alguns avisos de que é necessário validar o cartão estão espalhados. No entanto, ninguém parece dar bola, pois não há fiscais nem guardas por perto.


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No Galeão às 16h18

Foram 26 minutos de espera na estação do BRT até o aparecimento do ônibus expresso da linha 30, direta para o Fundão e o Galeão. Chegamos às 16h18, após meia hora na via exclusiva. Naturalmente, o trajeto feito por carros particulares foi bem mais penoso: enquanto o ônibus articulado do BRT seguia quase sem interrupções, o engarrafamento nas ruas era comovente.

A maratona gastou, ao total, duas horas e três minutos. Todos os passageiros, à exceção de nossa equipe, desceram na estação do Fundão, uma antes do Galeão. Ou seja, a julgar pela experiência de nossa equipe, o projeto milionário para levar o BRT até o Aeroporto Internacional tornou-se um fracasso retumbante de crítica e, principalmente, de público.

Galeão recebe mais de 200 voos do Santos Dumont
Estação do BRT em Vicente de Carvalho (Foto: DiPo)

Ao chegar ao aeroporto, nos deparamos com o derradeiro sinal de que o estímulo ao transporte público pelos passageiros de avião foi apenas para inglês ver. Por determinação da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), a estação do BRT foi transferida do Terminal 2, que está em operação, para o Terminal 1, praticamente desativado. Uma medida polêmica, pois privilegia o transporte individual, e não o coletivo. Pelo menos as condições da estação são bem melhores do que as de Vicente de Carvalho. As portas automáticas funcionavam e havia fiscais, apesar de quase não haver passageiros para serem fiscalizados.

RIOgaleão e da Guarda Municipal

A concessionária RIOgaleão, que administra o aeroporto, informou que o Terminal 1 está sendo utilizado para alguns serviços, como agências bancárias, lotérica, Correios e hotel, além do Centro de Operações RIOgaleão e a operação da Guarda Municipal. Informou também que, no primeiro dia de operação especial em função das obras no Santos Dumont, passaram por lá 45 mil passageiros de 303 voos, sendo 263 domésticos e 40 internacionais, com 90% de pontualidade. A Guarda Municipal também informou ter ampliado para esta terça-feira-feira 27 o número de agentes no plano de contingência para a organização do trânsito no entorno do aeroporto.

*Sob supervisão