Inovação

PUC-Rio lidera projeto de oxímetro com wi-fi

Iniciativa tem parceria com a UniRio, a Universidade Federal de Ouro Preto e o Inmetro. Médico poderá acompanhar de longe a oxigenação do sangue do paciente

12 de maio de 2020
O oxímetro é usado em pacientes com problemas pulmonares e respiratórios, como asma (Deposit Photos)

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O oxímetro é um aparelhinho que ficou muito conhecido na pandemia da Covid 19 porque os doentes precisam dele para medir a oxigenação no sangue e a frequência cardíaca. É importante para tratar problemas respiratórios, como asma, ou pulmonares. Um projeto inovador da PUC-Rio com a UniRio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), o Inmetro e a Universidade Federal de Ouro Preto desenvolve um oxímetro com circuito eletrônico e um sensor capaz de se conectar via wi-fi e enviar os dados do paciente a uma central médica.

Com a carência a cada dia maior de vagas em hospitais para tratar os pacientes da Covid-19, soluções como esta, somada à disposição dos profissionais de saúde para fazer o acompanhamento remoto, podem ajudar a salvar vidas. A iniciativa é liderada pelo Centro de Estudos em Telecomunicações (Cetuc), que faz parte do Centro Técnico Científico da PUC-Rio. Uma rede de 15 pesquisadores das três universidades e do Inmetro submeteu o projeto em abril ao Edital de Seleção Emergencial I, Prevenção e Combate a Surtos, Endemias, Epidemias e Pandemias, da Capes, cujo resultado sai dia 1º de junho.

Paciente nem precisa ter rede wi-fi

O projeto prevê conectar o oxímetro a uma rede sem fio (rede LoraWAN), sem que o paciente tenha acesso aos dados, apenas os médicos. Segundo os pesquisadores, o paciente sequer precisa ter uma rede wi-fi em casa para o equipamento funcionar. Os dados podem ser tratados por meio de algoritmos de inteligência artificial para antecipar a necessidade de atendimento a uma pessoa com suspeita de hipóxia silenciosa causada por COVID-19.

Oxímetro com wi-fi
Ambiente de desenvolvimento do oxímetro com wi-fi (Puc-Rio)

“A detecção precoce desse fenômeno através de um oxímetro permite ao médico iniciar um tratamento mais rápido e eficiente da doença, sem a necessidade de se aguardar o resultado de um teste de coronavírus em um hospital ou consultório médico”, reforça Marco Antonio Grivet, professor do CETUC e coordenador do projeto. De acordo com ele, as informações enviadas seriam na forma de um gráfico evolutivo do nível de oxigênio de cada paciente em uma linha do tempo, com alarmes automáticos para chamar a atenção de eventuais casos críticos. É exatamente assim que funciona em uma UTI.

“Através de uma solução envolvendo Internet das Coisas, desenvolvemos um sensor de oximetria capaz de coletar e enviar dados de leitura de forma automática, segura e integrada por meio de um modem LPWAN, utilizando a tecnologia de transmissão LoraWAN, semelhante a uma rede celular e de baixíssimo custo, com o propósito de servir a dispositivos de sensoriamento remoto”, explica o mentor do projeto, Marcelo Balisteri, supervisor de redes do CETUC/PUC-Rio.


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Rodolfo Saboia, chefe da Divisão de Metrologia em Tecnologia da Informação e Telecomunicações do Inmetro, garante que o instituto participará de várias etapas do projeto, “principalmente nas avaliações de calibração de sensores e na segurança das informações transmitidas, relativo à confiabilidade dos resultados e privacidade”.

Sendo aprovado no Edital da Capes, o projeto passará para a fase de Prova de Conceito, quando será possível oferecer o protótipo a potenciais patrocinadores, assim como aos interessados na produção industrial do oxímetro para futura disponibilização e teste em hospitais clínicas e centros comunitários. O projeto prevê ainda a disponibilização gratuita de um guia de construção e configuração do dispositivo. “Longo alcance, fácil implementação, bateria de longa duração (dez anos), baixo custo, baixo consumo de energia e segurança de dados foram as premissas do projeto”, explica Grivet.